segunda-feira, 22 de abril de 2019

A Garota Desaparecida


Sete anos atrás, a estudante Flora passou 472 dias vivendo um pesadelo. Após ter sido sequestrada durante as férias de primavera, ela descobriu até onde o ser humano é capaz de ir para sobreviver.
Depois de resistir milagrosamente a tamanha tortura, viveu os últimos cinco anos tentando voltar a ter uma vida normal. O amor de sua mãe permanece o mesmo, mas outras coisas mudaram em sua rotina: seu irmão tem medo da pessoa que Flora se tornou, e no quarto dela há uma parede coberta com fotos de outras garotas que nunca voltaram para casa.
Quando a detetive D. D. Warren é convocada para a cena de um crime, descobre que Flora está envolvida com outros três suspeitos desde seu retorno à sociedade. Mas a garota desaparece novamente, e D. D se dá conta de que um predador sinistro está a solta e, desta vez, determinado a fazer com que Flora Dane nunca mais escape.
Título: A Garota Desaparecida
Série: D.D. Warren #8
Autora: Lisa Gardner
Editora: Gutenberg
Número de páginas:354


Eu tenho uma paixão enorme pela Lisa Gardner. Meu primeiro contato com livros dela foi com Viva Para Contar, lançado há alguns anos pela Novo Conceito. Me apaixonei pela escrita da autora e pela detetive D.D. Warren, uma mulher forte e cheia de atitude. Li todos os livros que fora lançados aqui no Brasil e fiquei órfã, até que a Gutenberg resolveu trazer mais livros dessa mulher maravilhosa. <3 E o que eu achei desse livro você confere logo abaixo.
Flora é uma sobrevivente. Há cinco anos foi sequestrada e passou 472 dias com um maníaco, vivendo dentro de uma caixa de madeira e sofrendo abusos constantes. Aquele homem sugou-lhe a vida e a esperança, e após o resgate, ela nunca mais foi a mesma. A garota alegre e cheia de vida de outrora, deu lugar a uma mulher fria e introspectiva. Muito do que aconteceu enquanto estava nas mãos do sequestrador não foi revelado a ninguém e somente ela sabe o enorme fardo que carrega. E o que contou já foi suficiente para perceber que não sofreu pouco. Porém, ela acaba passando por uma situação semelhante novamente.
Após ser abordada por um homem na frente de um bar, ela é levada desacordada para a casa do mesmo e, quando acorda, acaba usando de seus muitos conhecimentos para dar cabo a vida do sujeito. E é assim que seu caminho se cruza com o da detetive D.D. Warren, que logo fica intrigada com aquela jovem de poucas palavras e olhar sombrio. Ela consegue arrancar poucas coisas da jovem, mas o suficiente para passar a investigar aquele homem, que pode ser responsável por alguns casos de desaparecimento de garotas.
Contudo, nesse meio tempo, Flora desaparece novamente. A garota, que aparentemente é aficionada por casos de mulheres desaparecidas, acaba se tornando novamente vítima de sequestro. A equipe, liderada por D.D. começa então a investigar a fundo o que pode estar acontecendo e qual o envolvimento de Flora nisso tudo. 
Se vocês soubessem o tanto de vezes que escrevi e apaguei essa resenha, ficariam surpresos. Não é segredo pra ninguém que gosto de explicar a história direitinho, mas sem dar spoilers, mas quando o livro em questão é um thriller fica difícil falar muito sem comprometer, portanto decidi falar o mínimo possível ali em cima e dar apenas uma visão geral da trama.
Eu gostei muito do livro e foi maravilhoso reencontrar uma das minhas detetives preferidas. Sou louca pela D.D. e ela é uma daquelas mulheres que são fortes, duronas, mas que mesmo assim não perde a simpatia. Em meio a tantos livros com detetives frias e distantes, é maravilhoso ver D.D. com esse diferencial.
A história é de tirar o fôlego e foram muitas as vezes que me vi presa a ela de uma forma intensa. É impossível não se vê envolvida e, claro, não imaginar o que está acontecendo por trás de tudo. Fui seguindo uma linha de raciocínio que me fez acreditar que estava no caminho certo. Sabe quando você pega todas as pistas, faz a investigação e a autora te leva a acreditar que é está indo no caminho certo? É o que acontece nesse livro. Até que chegam os capítulos finais e os horizontes se expandem e você percebe que estava trabalhando com a hipótese errada. 
Ao contrário de D.D., Flora não é uma personagem dotada de simpatia e cativante. Para ser bem sincera com vocês, quando terminei a leitura não tinha ainda uma opinião formada a respeito dela. Ela é uma garota forte, decidida, mas seu jeito sisudo me deu a impressão de que ela era arrogante (e realmente é, não vou mentir) e não conseguiu me cativar. Porém, preciso dizer que é sim uma boa personagem, cheia de personalidade e que agregou muito a história, principalmente por conta de sua determinação desmedida.
A Garota Desaparecida é o oitavo livro da série da detetive D.D. Warren e, sim, ele pode ser lido fora da ordem. Porém, se você tiver os livros já lançados aqui, recomendo que façam a leitura antes. São eles: Esconda-se (#2), Viva Para Contar (#4) e Sangue na Neve (#5). Caso não tenham, se joguem sem medo de ser feliz que vale muito a pena. Não há ligação nenhuma entre uma história e outra, nem tampouco há citações dos casos antigos, o que não compromete em nada sua experiência.
Lisa Gardner é uma das minhas autoras preferidas e, mais uma vez, ela me ganhou. A Garota Desaparecida é uma leitura rápida, com descrições precisas, mas que não comprometem o ritmo da trama, e com uma história de tirar o fôlego. Leiam!

quarta-feira, 10 de abril de 2019

As Elizas



SARA SHEPARD, AUTORA DA SÉRIE BEST-SELLER PRETTY LITTLE LIARS, DEIXA SUA MARCA EM MAIS UMA HISTÓRIA COM UMA NARRATIVA HITCHCOCKIANA CHEIA DE MENTIRAS, MEMÓRIAS FALSAS E UMA PROTAGONISTA QUE PRECISA DESCOBRIR A VERDADE PARA SOBREVIVER.
Quando a escritora estreante Eliza Fontaine é encontrada no fundo da piscina de um hotel, sua família acredita ter sido mais uma tentativa de suicídio fracassada. Mas Eliza jura que foi empurrada, e sua única testemunha é quem a salvou. Desesperada para encontrar o culpado, Eliza toma para si a investigação do caso.
Mas, conforme a data de lançamento do seu primeiro livro se aproxima, ela se vê com mais perguntas do que respostas. Por que a editora, agente e a família estão misturando os acontecimentos de sua vida com os de seu livro? Ele não é totalmente ficcional?
Título: As Elizas
Autor (a): Sarah Shepard
Editora: Harper Collins
Número de páginas: 384



Heeeello pessoas hoje trago para vocês As Elisas, da autora Sara Shepard, criadora da série Pretty Little Liars. Confesso que demorei muito, muito, muito pra ler esse livro, mas já já conto minha opinião pra vocês! Vamos começar explicando um pouco de como ele é!
Eliza é uma jovem escritora que teve um tumor cerebral e tentou se suicidar algumas vezes. A mais recente teria sido no Tranquility Resort, só que, ao acordar no hospital com sua família, ela não tem tanta certeza se foi realmente uma tentativa de suicídio. Acontece que Elisa guarda uma lembrança de alguém lhe empurrando, mas como ela estava bêbada e já possui um histórico um tanto quanto difícil, não é muito levada a sério pelas pessoas.
A história de Eliza intercala os capítulos com a do livro dela, As Dots, que conta a história de uma garotinha que também tem um tumor. Na história, Dot ama a tia Dorothy, que sempre conta histórias fantásticas pra ela. O relacionamento entre tia e sobrinha é muito forte e isso acaba por afastar Dot de sua mãe, que é sempre muito ocupada, mas nem por isso pouco preocupada com a filha. Depois que Dot cresce acontecem algumas reviravoltas e acabamos descobrindo mais sobre esse livro do que realmente ele aparentava ser.
Voltando para Eliza, ela está determinada a encontrar quem a empurrou na piscina e mostrar a todos e principalmente sua família que ela não tentou se matar dessa vez. Com a ajuda de Desmond Wells, que a salvou da piscina, ela vai tentar encaixar as partes que faltam desse intrincado quebra-cabeça.
E então, Mayana, o que você achou da história? Então pessoal, eu não gostei muito dela não! Achei a história confusa, cheia de altos e baixos, e confesso que esperava mais pelo fato de ser a mesma autora da série Pretty Little Liars que, apesar de não ter assistido, ouço falar muito bem! Não gosto de livro que deixa o leitor mais perdido do que a protagonista e fui bem assim que me sentir!!
Achei que o livro da protagonista foi melhor do que a história que Eliza estava vivendo no momento. Para mim, essa foi a parte alta do livro, não foi maçante em nenhum momento e era o que dava um up pra continuar lendo. Só por isso não achei o livro todo ruim. Dot salvou grande parte do livro!
Achei a protagonista bem chatinha e cheia de vontades, brigava com a família, brigava com os amigos, com o mundo se fosse possível. Eu até entendo que ninguém estava na pele dela pra saber o que realmente aconteceu no dia, mas achei um pouco demais ela querer brigar com todos como uma menina mimada. E, eu não sei quanto a vocês, mas quando não consigo simpatizar com a protagonista já fico nervosa.
Infelizmente não foi uma leitura que me agradou e fiquei um tantinho decepcionada, afinal nada mais frustrante que começar um livro cheia de expectativas e, ao final, não ter elas atendidas. Porém, apesar do livro não ter funcionado para mim, não posso dizer a vocês que não leiam. Leitura é algo muito particular e, embora a história não tenha me agradado tanto, pode ser que agrade a uma outra pessoa. Leiam e yirem suas próprias conclusões.
Deixo pra vocês um trecho para tentar explicar um pouco como era o tumor da Eliza.
"Eu era a criança que enforcava cada um dos meus bichos de pelúcia com nós na entrada do closet, posicionando mensagens suicidas nos corpos. Minha mãe me perguntava por que eu fazia aquilo, mas, como não tinha vocabulário para expressar meus sentimentos, acreditava estar curiosa para entender tal nível de desespero."
Beeeijos!
Mayana Dórea

segunda-feira, 8 de abril de 2019

O Segredo de Ahk-Manethon


Este livro é uma edição comemorativa do centenário do criador de A Turma do Posto Quatro e Os Seis com texto originalmente publicado em capítulos na revista Mirim em 1941.
Célio encontra a mãe chorando na cozinha e logo descobre a razão: o navio Chesterton, em que sua irmã Iracema viajava, havia naufragado nos Mares do Sul. Rapidamente, o rapaz convoca os amigos Roberto, Condor, Horácio, Tião e Afonso e organiza a Cruzada da Salvação.
A operação-resgate que se segue leva a turma de crianças cariocas a uma divertidíssima aventura onde não faltam monstros marinhos, múmias, índios enfurecidos, vulcões, tesouros, lendas egípcias e, claro, o Segredo de Ahk-Manethon.
Título: O Segredo de Ahk-Manethon
Autor (a): Hélio do Soveral
Editora: Avec
Número de páginas: 272


Você já quis ler um livro apenas pela capa? Eu já e O Segredo de Ahk-Manethon é a prova viva disso. Quando ele chegou aqui em casa, fruto da parceria de Ace com a Avec Editora, fiquei intrigada. Já de cara me apaixonei pela capa, que é simples, mas bem bonita, e quis ler. Mas vocês sabem como é vida de blogueiro, são sempre muitos livros para ler, alguns mais urgentes...e o bonitinho acabou ficando na estante, tomando aquele já velho conhecido chá de poeira. O tempo passou, mas a vontade sempre ali, até que me rendi. Passei na frente de todos os outros e fui me aventurar em suas páginas. O que eu achei, você confere abaixo.
Célio é o tipo de garoto que nunca diz não a uma aventura. Junto com sua turma, formada por garotos de personalidades bem diferentes, ele está sempre disposto a fazer algo novo. Mas nunca imaginou que um dia iria viver algo típico de aventuras de livros.
Quando descobre que o navio em que sua irmã, Iracema, naufragou, ele logo fica em alerta. A família está tomada pela dor, não há notícias a respeito de sobreviventes e tudo que eles podem fazer é rezar para que ela seja encontrada com vida. Porém, Célio acredita que pode encontrar a irmã e decide partir em direção aos Mares do Sul em busca de Iracema. E para isso, contará com a ajuda de seus amigos. Juntos, eles passarão por aventuras incríveis, que vai mudar completamente a vida de cada um deles.
Antes de começa a falar a respeito do livro, precisamos conversar sobre algo muito sério e que foi tratado com muito respeito pela editora. Logo no início do livro existe uma carta ao leitor, explicando que, por ser um livro escrito em uma outra época, iremos encontrar algumas situações e atitudes que hoje em dia não são mais toleradas. Achei de uma delicadeza enorme e já de cara a editora ganhou muitos pontos comigo. É necessário ter em mente que o livro foi escrito em 1941 e o que encontramos aqui são coisas que, atualmente, nos choca demais. Busquei analisar a história como um todo, não levando em consideração algumas passagens preconceituosas vividas por um dos personagens, que é um menino negro, mas falhei terrivelmente e já conto a vocês porque.
A história é totalmente juvenil e eu me senti assistindo um daqueles filmes adolescentes antigos, onde um grupo de amigos sai em busca de uma grande aventura. De imediato eu achei que eles iriam se meter em uma grande furada. Como que alguns garotos conseguiriam chegar até ao local onde aconteceu o naufrágio e encontrar algum sobrevivente? Era óbvio que a viagem não seria tão fácil como eles imaginavam e que encontrariam percalços pelo caminho. Eu só não imaginava que seriam tantos.
Em relação aos personagem, preciso ser bem sincera: não gostei de Célio, o protagonista, e nem de sua irmã. Ambos tem atitudes que eu repudio e mesmo sabendo que, naquela época as coisas infelizmente eram daquele jeito, eu não consegui sentir qualquer tipo de simpatia por nenhum deles. Ele é um menino autoritário, que se acha o maior e que, mesmo errando, não consegue assumir a culpa do que fez, colocando-a sempre no elo mais fraco. Ela também tem um reizinho na barriga e, mesmo tendo demonstrado um pouco mais de humildade que o irmão, não conseguiu me fazer vê-la com outros olhos. Quando eu falei mais acima a respeito de não ter conseguido levar em consideração o que acontecia com Tião, me referia justamente ao que esses dois personagens principais faziam. Eu entendo que, infelizmente, naquela época o preconceito era fortíssimo e tratado com muita normalidade, mas me doeu ler algumas coisas.
Apesar de ter tido essa trava com os personagens e suas atitudes, eu gostei da trama. O Segredo de Ahk-Manethon é uma história bem interessante, cheia de aventuras, com passagens divertidas e muito ágil. Li em pouquíssimo tempo e gostei muito de acompanhar os garotos e seus amigos em seu plano de resgate. A edição está muito bonita e as ilustrações são muito legais e deixaram o livro bem mais atrativo. Ri muito em alguns capítulos, fiquei emocionada em algumas passagens e acho que ele cumpriu bem o seu papel ao ter me entretido do início ao fim.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Shazam!




Todos temos um super-herói dentro de nós; só é preciso um pouco de magia para que ele ganhe vida. No caso de Billy Batson, basta gritar uma palavra -SHAZAM!- para que o jovem malandro de 14 anos se transforme no super-herói adulto Shazam, cortesia de um antigo mago. Um menino em sua essência - dentro de um corpo sarado, como o de um deus - Shazam se esbalda nesta versão adulta dele mesmo fazendo aquilo que qualquer adolescente faria com superpoderes: divertir-se com eles! Ele é capaz de voar? Tem visão de raio-X? Consegue soltar raios pelas mãos? Pode perder a prova de estudos sociais? Shazam começa a testar os limites de suas habilidades com a despreocupação típica de uma criança. Contudo, ele precisará dominar estes poderes rapidamente para lutar contra as forças do mal controladas pelo Dr. Thaddeus Sivana.
Título: SHAZAM!
Lançamento/Duração: 2018 - 2h 12min
Gênero: Aventura/Ação/Comédia
Direção: David F. SandbergRoteiro: Henry Gayden e Darren Lemke
Elenco: Asher Angel, Mark Strong, Zachary Levi, Cooper Andrews, Djimon Hounsou, Faithe Herman, Grace Fulton, Ian Chen, Jack Dylan Grazer, Jovan Armand, Marta Milans


A DC foi criticada durante muito tempo por seu tom sombrio - embora seja isso que agrade muitos de seus fãs - e desde Mulher Maravilha tem se esforçado para acrescentar cor e vida aos filmes de seus personagens e se desligar do universo compartilhado dark de Zack Snider. Isso torna curioso o fato de seus filmes mais livres, coloridos e divertidos - Aquaman e Shazam! - tenham sido dirigidos por nomes ligados ao cinema de horror e terror.
David F. Sandberg (Anabelle 2: A Criação do Mal e Quando As Luzes Se Apagam) foi incumbido da missão de trazer para as telas um dos mais icônicos, coloridos e inocentes personagens do universo DC. Shazam sempre foi um conceito carregado de esperança e bom humor, transitando entre os universos mágico e o super-heroico da editora, uma excelente aposta nas mãos de um diretor talentoso e mais um contraponto a linha que os filmes da editora seguiam anteriormente. Na soma dos pontos, o resultado é um saldo muito positivo.
Billy Batson (Asher Angel) é um adolescente problemático que foge de todos os lares adotivos pelos quais passa, na esperança de reencontrar a mãe, da qual foi separado ainda pequeno. O jovem recebe mais uma chance e é encaminhado para uma nova e acolhedora família formada por novos pais e irmãos que viveram a mesma realidade que ele. Após uma série de acontecimentos, o garoto acaba convocado por um mago (Djimon Hounsou) para ser seu campeão e deter os sete pecados se transformado no superpoderoso Shazam (Zachary Levi). Com a ajuda do irmão adotivo e aficionado por super-heróis, Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer), Billy passa a tirar proveito de sua nova condição e aprontar diversas confusões, até ser confrontado pelo Dr. Silvana (Mark Strong), também dono de habilidades mágicas, e precisa descobrir o que é ser um herói.
Com uma trama simples, mas bem amarrada e coesa que ultrapassa maior parte de seus defeitos rindo de si mesma, e fortes influências de filmes como Quero Ser Grande, Shazam! chega com uma narrativa ágil, boas doses de humor, sacadas rápidas e inesperadas, e diversos outros elementos que devem agradar os públicos de todas as idades. Mais que um filme sobre um super-herói, o longa se mostra um filme que usa o personagem como uma ferramenta narrativa para complementar a narrativa sobre os personagens envolvidos na trama. E claro, não esquece de trabalhar o senso de perigo e a ação, que embora mais fraca, é justificada dentro da trama pelo fato do protagonista ser um adolescente no corpo de um adulto e não ser um excelente lutador. Apesar de muitas coisas boas trem sido mostradas nos trailers, várias outras surpresas positivas foram guardadas para longa. 
Os personagens - incluindo os coadjuvantes - são cativantes e as relações entre eles são muito bem trabalhadas. Asher Angel cumpre o seu papel ao dar vida aos conflitos emocionais de Billy Batson, mas entre os jovens atores é Jack Dylan Grazer que rouba a cena no papel de Freddy mostrando talento tanto para o drama quanto para a comédia. Contrapondo sua parte jovem, Zachary Levi dá show como Shazam, abraçando o cômico e entregando exatamente o que seria um adolescente com todos poderes de um semideus e nenhuma responsabilidade, formando uma excelente dupla com Grazer.
Os pontos fracos não chegam a atrapalhar o resultado final do filme, mas certamente estão presentes. O vilão Silvana, vivido por Mark Strong, é inicialmente bem construído, mas acaba beirando o caricato a medida que o filme avança. Apesar de optar por utilizar mais efeitos práticos e menos efeitos digitais, incluindo as cenas de voo com os atores içados por cabos, existem alguns momentos  em que o traje quase escandaloso do personagem faz com se destaque demais na cena, ressaltando os retoques e efeitos de CGI e o descolando da realidade. As coreografias de ação são simplistas, mas justificadas.
Shazam! pode não ser um filme de ação de grande destaque, mas é uma comédia de aventura muito competente, irreverente, despretensiosa e envolvente, que supera seus defeitos, diverte o espectador e entrega personagens marcantes e cativantes. Certamente vale a pena o investimento do ingresso!


segunda-feira, 1 de abril de 2019

Uma Dama Fora dos Padrões


Primeiro livro da nova série de Julia Quinn, Os Rokesbys.
Julia Quinn já vendeu mais de 850 mil livros pela Editora Arqueiro.
Às vezes você encontra o amor nos lugares mais inesperados...
Esta não é uma dessas vezes.
Todos esperam que Billie Bridgerton se case com um dos irmãos Rokesbys. As duas famílias são vizinhas há séculos e, quando criança, a levada Billie adorava brincar com Edward e Andrew. Qualquer um deles seria um marido perfeito... algum dia.
Às vezes você se apaixona exatamente pela pessoa que acha que deveria...
Ou não.
Há apenas um irmão Rokesby que Billie simplesmente não suporta: George. Ele até pode ser o mais velho e herdeiro do condado, mas é arrogante e irritante. Billie tem certeza de que ele também não gosta nem um pouco dela, o que é perfeitamente conveniente.
Mas às vezes o destino tem um senso de humor perverso...
Porque quando Billie e George são obrigados a ficar juntos num lugar inusitado, um novo tipo de faísca começa a surgir. E no momento em que esses adversários da vida inteira finalmente se beijam, descobrem que a pessoa que detestam talvez seja a mesma sem a qual não conseguem viver.
Título: Uma Dama Fora dos Padrões
Série: Os Rokesbys #1
Autor (a): Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 272


E cá estamos nós pra falar de Julia Quinn. Se você lê o blog com uma certa frequência sabe que eu amo romances de época e tenho uma pego enorme pela Julia, que é uma das minhas autoras preferidas. Quando a Arqueiro anunciou o lançamento dessa nova série, fiquei ansiosa, afinal teríaos a presença dos tios dos Bridgertons, série que é amorzinho da minha vida. O que eu achei desse primeiro volume você fica sabendo agora.
Billie Bridgerton é realmente uma dama fora dos padrões. Ela não se porta como uma dama, não participa das temporadas londrinas e uma das poucas certezas que tem em sua vida é que vai acabar se casando com um dos Rokesbys. Tanto Edmund quanto Andrew são seus amigos e, para ela, casar-se com um deles seria satisfatório já que se conhecem desde pequenos e suas famílias são amigas de longa data. O único Rokesby com quem Billie não se dá bem é com George.
A relação entre os dois está longe de ser chamada de amigável e isso se dá não apenas pela diferença de idade entre ambos, mas também por conta do jeito mais sério e um tanto sisudo do rapaz. Os dois passam pouco tempo juntos, mas quando isso acontece nunca termina de uma maneira muito agradável. Porém, eles vão acabar passando por uma situação bem inusitada e que vai acabar aproximando-os. 
De início não parece nada de mais, mas com o tempo eles vão começar a perceber que um sentimento começa a nascer. O que acontece, minha gente, é que ao passarem um tempo juntos e sozinhos, eles vão percebendo fatos sobre o outro que sequer imaginavam que poderia existir. E agora, será que eles conseguirão evitar se envolver? Ou será que irão se entregar a esse sentimento e viver uma ardente paixão? Isso só lendo para descobrir.


"Mas e aí, Neyla, o que você achou do livro?". Então gente, vou ser bem sincera com vocês e espero que ninguém se chateei comigo por conta disso. Se você já leu algo da Julia antes, sabe que uma das características fortes dela é a agilidade e nesse livro não foi diferente. A leitura flui muito bem, a história é divertida e romântica como todos os livros anteriores da autora. Porém, eu me senti tendo uma sensação de deja vu.
Já faz um tempo que venho falando que, toda vez que leio algum livro da Julia Quinn, sinto como se já tivesse lido aquilo antes e isso se dá pelo fato de que a autora não inova e traz histórias quase sempre iguais. Tirando a duologia Agentes da Coroa, que traz histórias bem diferentes, nas demais eu me senti lendo uma versão dos Bridgertons com outros personagens. Sinto falta de algo mais nas histórias, de um toque diferente, de uma situação que tire a trama do mais do mesmo. Por mais que eu tenha gostado do livro, achei que ele poderia ter sido melhor e algumas cenas achei bem desnecessárias.
Os personagens são muito bons e, embora eu tenha achado Billie um pouco chata, lá pela metade do livro já estava totalmente encantada por ela. O mesmo aconteceu com George, que tinha um jeito mais pedante, que me soava muito chato e que, quando contou sua história, acabou me ganhando. E nesse ponto preciso dizer que o casal tem uma química muito forte que fica explícito logo que de imediato. É visível o quanto eles formam um casal incrível, só mesmo ambos não são capazes de enxergar isso.
Na minha opinião, Uma Dama Fora dos Padrões é um livro bom, com personagens que se destacam e que deixa um bom gancho para o próximo livro, Um Marido de Faz de Conta, já lançado pela editora Arqueiro. Muito embora ele não tenha superado as minhas expectativas, foi uma leitura agradável e que me rendeu bons momentos de diversão. Estou curiosa pelo próximo, que parece ter uma história que me agradará mais que esse primeiro.
Se eu recomendo a leitura? Com certeza. Embora ele não tenha sido tudo que eu esperava, foi uma leitura boa e acredito que tem muitos elementos que agradarão as leitoras dos romances de época.