quarta-feira, 18 de abril de 2018

Bem Atrás de Você

Após uma tragédia que o separou por oito anos de sua irmã mais nova, Sharlah, o jovem Telly ressurge como o principal suspeito de uma onda de assassinatos.
Só uma pessoa é capaz de desenhar o perfil do criminoso: o hábil ex-agente do FBI Pierce Quincy, que é convocado para colaborar no caso. Mas seu envolvimento como pai adotivo de Sharlah pode obscurecer sua linha de raciocínio ou levá-lo para um emaranhado de pistas desconexas, mostrando que o caso pode ir muito além do que parece ser.



Título: Bem Atrás de Você
Série: Quincy & Rainie # 7
Autor (a): Lisa Gardner
Editora: Gutenberg
Número de páginas: 352


Se tem uma autora que eu AMO demais e considero a diva dos thrillers é a Lisa Gardner. Eu a descobri há alguns anos quando três de seus livros foram lançados aqui no Brasil pela Novo Conceito e foi amor à primeira lida. Essa mulher arrasa demais, brinca com nossa mente de uma forma única e no final sempre consegue me surpreender. Quando soube do lançamento desse livro pela Gutenberg fiquei eufórica e comecei a leitura cheia de expectativas. E, adivinhem só? Ela, mais uma vez, me surpreendeu.
Quando Quincy e Rainie entraram com o processo de adoção de Sharlah já sabiam que ela havia passado por uma situação traumática quando era mais jovem. Vinda de uma família desestruturada, ela e o irmão mais velho, Telly, aprenderam desde cedo a cuidar um do outro. Ele, que é mais velho que ela, sempre buscou protegê-la e nas muitas surras que levou tentava ser forte para evitar o sofrimento da menininha, que na época tinha 5 anos. Porém, um dia as coisas saíram do controle e ao ver a mãe ser esfaqueada e o pai, ensandecido, partir pra cima deles pronto para agredir, Telly o acerta com um bastão de beisebol, o que o leva a morte. Depois desse episódio, os irmãos são separados e é como um não existisse para o outro. Mas tudo muda quando acontece um assassinato.
Duas pessoas são encontradas mortas em uma loja de conveniência e, ao vasculharem as gravações feitas pela câmera, conseguem ver o rosto do atirador. E é aí que começa toda a história já que o atirador é Telly. O que o levou a fazer isso é um mistério, mas novos crimes vão sendo descobertos e é traçado uma rota seguindo os passos dele. Tudo indica que o garoto está em uma espécie de surto e encontrá-lo passa a ser prioridade tanto para a polícia como para Quincy e Rainie, já que ele parece estar indo atrás da irmã.
Que coisa maravilhosa reencontrar Lisa Gardner em mais um thriller de tirar o fôlego. Já comecei a leitura sabendo que viria coisa boa por aí e não me decepcionei. A história é muito boa, daquelas que a gente só larga se não tiver jeito. Foram 352 páginas que eu devorei de um dia para o outro sem achar monótono ou cansativo. Fiquei apaixonada e meu amor e admiração pela autora só aumentou após mais uma experiência positiva.
Uma das coisas que mais gosto nos livros de Lisa é como ela consegue descrever, com uma riqueza de detalhes incrível, cada situação sem deixar a leitura enfadonha. Me sinto dentro da história, investigando e descobrindo novas pistas junto dos personagens. O livro apresenta capítulos mesclados entre os personagens e dois tipos de narrativa: em primeira pessoa quando é a voz de Sharlah e em terceira, mostrando o trabalho da xerife e dos detetives. Também são inseridas algumas lembranças de Telly, o que serviu para dar uma maior profundidade ao personagem e trazer mais informações à trama.
Não sei dizer do que mais gostei e acho que serei bem repetitiva quanto a isso, mas vamos lá. Achei os personagens bem construídos e profundos. Estava esperando um foco maior nos dois adolescentes e, por mais que isso tenha realmente acontecido (afinal de contas é a história da vida deles que acaba desenrolando tudo isso), ela encontrou espaço para inserir informações adicionais sobre Quincy, Rainie e até mesmo da xerife Shelly. Acabo me sentindo íntima de cada personagem, como se já os conhecesse por toda uma vida.
A trama é bem moldada, com vários fatos sendo inseridos, crimes acontecendo e uma lista, no meu caso, interminável de motivações que poderiam ter culminado naquela tragédia toda.Em suma: é um grande quebra-cabeças pronto pra ser montado, porém com peças que parecem não se encaixar em lugar algum. A leitura é fluída, as páginas praticamente voaram enquanto eu lia e, ao chegar no final, me vi surpreendida. Sabe quando um fato está ali na sua cara e você simplesmente não percebe porque está focada demais em uma teoria pra se dar conta disso? Foi o que aconteceu comigo e, mais uma vez, fiz papel de trouxa (o que vem sendo algo bem normal nessas minhas leituras de thrillers).
Esse é o sétimo livro de uma série, mas a leitura dos livros anteriores não influencia em nada nessa história já que são casos completamente diferentes. Foi uma leitura instigante, repleta de reviravoltas e que me deixou vidrada do início ao fim. se você gosta de um bom thriller, fica aqui minha recomendação: leiam! E conheçam também os outros livros da autora que valem muito a pena serem lidos (tem resenha de todos aqui no blog).

terça-feira, 17 de abril de 2018

O Mau Exemplo de Cameron Post

Quando os pais de Cameron Post morrem em um acidente de carro, a primeira coisa que ela sente, para sua própria surpresa, é alívio. Alívio que eles nunca vão precisar saber que, algumas horas antes, ela estava beijando uma menina.
Mas o alívio não dura, e Cam é forçada a morar com sua tia ultraconservadora e sua bem-intencionada mas antiquada avó. Ela sabe que, daqui em diante, tudo será diferente. Sobreviver nessa pequena cidade rural de Montana exige que Cam finja ser igual a todo mundo e evite assuntos indelicados (como diria sua avó), e ela é boa nisso.
Até que Coley Taylor chega à cidade. Coley é perfeita, e tem um namorado perfeito para completar. Ela e Cam forjam uma amizade intensa, que parece deixar espaço para algo mais. Mas assim que isso começa a parecer possível, a religiosa tia Ruth decide que é hora de “consertar” sua sobrinha, a mandando para God’s Promise, um acampamento de conversão que deve “curar” sua homossexualidade. Lá, Cam fica frente a frente com o custo de negar quem ela é – mesmo que ela não tenha certeza que sabe realmente quem é.
O mau exemplo de Cameron Post é uma estreia literária inesquecível e impressionante sobre descobrir quem você é e ter a coragem de viver de acordo com suas próprias regras.
Título: O mau exemplo de Cameron Post
Autor (a): Emily M. Danforth
Editora: Harper Collins
Número de páginas: 448


Cameron Post é uma jovem que mora em Miles City, Montana. Uma cidade pequena e com aspectos rurais, onde Cameron descobre desce cedo sobre as suas opiniões sexuais. Durante a viagem de seus pais para uma excursão, Cameron passa as férias com sua avó e com a sua melhor amiga de infância, Irene. 
No mesmo dia em que Cameron beija Irene, um acidente fatal com seus pais acontece e Cameron se sente culpada e que Deus a tenha punido por não ter seguido as Leis Divinas. A vida de Cameron passa por diversas novidades e descobertas normais para um adolescente de sua idade, e tudo vai à tona quando Coley Taylor se muda para Miles City. Coley é perfeita, tem o namorado perfeito e deixa uma impressão em Cameron que a deixa atraída por ela. 
Preocupados com a vida pecaminosa de Cameron, sua família agora composta pela sua avó e sua tia Ruth a manda para um acampamento religioso onde Cameron deve encontrar o seu amor a Jesus Cristo e se livrar dos desejos da carne e da atração pelo mesmo sexo. 
Esse livro me deixou bastante comovido com a história de Cameron. Perder os pais tão rapidamente e ao mesmo tempo pôr sua sexualidade em dúvida é muito difícil para um adolescente lidar com tudo isso, e me agradou o fato dela amadurecer durante a história. 
Cameron é inteligente, tem características marcantes para sua idade, é uma jovem rebelde e que me fez ter vontade de ser amigo dela. Em momentos da história percebemos também os desleixos e irresponsabilidades da garota, como os atos de furto, mentira e vandalismos. 
Durante a história nós percebemos a grande influência da igreja nos personagens e em suas ações. Assim como a Cameron, eu me senti incomodado em como as pessoas se comportam à favor da igreja, e que é difícil viver numa sociedade rígida quando se tem opções sexuais diferentes. 
A trama é dividida em três períodos de sua adolescência, cada uma dessas partes com personagens que influenciam a vida de Cameron, positivamente ou não. Coley é uma dessas personagens, a famosa “hétero curiosa” (como eu tenho vontade de te socar, Coley). O papel da Coley na vida de Cameron foi deixá-la mais madura e perceber que os verdadeiros amigos são aqueles que os apoiam nos momentos difíceis, não o contrário. 
O que me deixou com uma pulga atrás da orelha foi o quanto Cameron é pressionada para seguir a vontade da igreja, embora ela só queira ser feliz e estar em paz. Tentar curar um homossexual, colocado bem à mostra na história é algo totalmente horrível para um ser humano. As pessoas têm o direito de serem felizes, independente de opção sexual, religião ou raça! Cameron é uma personagem que deve ser exemplo para todos os jovens de sua idade, e o conselho que ela nos dá é ser feliz, não importa o quanto a sua vida esteja revirada. 
Esse é um livro que nos faz entender como a adolescência pode ser um período de aprendizado para todos que passam por essa fase. Será o momento que colocará em prova as suas decisões para seu futuro e decidir o que te faz mais feliz. 
Com uma narrativa leve e harmônica, O mau exemplo de Cameron Post te faz sentir próximo dos personagens, compartilhando as aventuras e emoções dos jovens, vivendo a adolescência de maneiras surpreendentes!

Cosme Santos

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Justin

Quando o professor de Educação Física pede para a turma formar uma equipe de meninas e uma de meninos, Justine permanece no meio. Ela sente que não pertence ao gênero que lhe foi atribuído, mas está convencida de que todo mundo sabe disso, exceto seus pais.
Ao longo de sua vida como criança, adolescente e jovem adulta, muitas vezes maltratada e incompreendida, Justine, por fim, compromete-se a viver como quem ele sempre foi, isto é, Justin.



Título: Justin
Autor (a): Gauthier
Editora: Nemo
Número de páginas: 104

Sempre gostei muito de ler HQs. Quando era mais nova as minhas preferidas eram as da Turma da Mônica e, por muito tempo, essas eram as que eu mais lia (tanto a versão clássica como a jovem). Porém, de uns anos para cá descobri o catálogo da Nemo e me apaixonei. As histórias mais bobinhas foram dando espaço para as mais sérias, com assuntos mais atuais e que além de divertir, me fizeram refletir. Foi assim com várias HQs da editora e não foi diferente com Justin.
Justine nunca se sentiu uma menina. Desde pequena ela queria fazer coisas que eram intituladas como "coisas de meninos",o que fazia com que sua mãe a chamasse de Maria-homem. Usar vestido ou brincar com bonecas nunca foram coisas que ela gostasse de fazer. Justine era, em suas palavras, um menino no corpo de menina. O auge de tudo é quando, em uma aula de educação física o professor pede para que a classe se divida em meninos e meninas e Justine simplesmente não sabe para qual lado ela deve ir.
Com o decorrer do tempo as coisas só pioram, as idas aos psicólogos não ajudam em nada e só fazem colocar em sua mente que ela é anormal. Em meio a isso, há também o medo de magoar a família, de fazer aqueles que tanto ama sofrer. Vamos acompanhar, então, as diversas crises existenciais de Justine até que ela, finalmente, consiga se encontrar.

Vamos começar por partes. A primeira coisa que me chamou atenção nessa HQ foi o tema. Estamos em uma época em que a questão dos transgêneros está sendo altamente discutido e trazer uma história que aborda o tema foi uma grande sacada da editora. A segunda coisa que me gritou aos olhos foi a capa, que me ganhou justamente por ser diferente e inovadora. Eu, que estou tão acostumada a ver aquelas ilustrações mais "tradicionais", me vi fisgada pela forma como Gauthier retratou tanto Justine como as pessoas ao seu redor.
Com uma narrativa simples e sensível, vamos acompanhando a trajetória de Justine para conhecer a si mesma e descobrir seu lugar no mundo. Ela sabe que é diferente, não está feliz com o corpo que tem, não se sente bem como mulher, mas também não sabe quem é o que acontece consigo.
Confesso a vocês que imaginava uma história mais abrangente, que focasse não somente o lado de Justin, mas também ao dos que estavam ao seu redor. Nesse ponto devo dizer que esperava mais e que achei a história um pouco superficial, com pouca abrangência na questão por inteiro e um foco maior nos sentimentos de Justin. Não que isso seja ruim, afinal de contas temos acesso ao que ele sente e por tudo que passa para assumir quem é. Contudo, acredito que a história poderia render muito mais, levantar questões importantes a respeito da identidade de gêneros e trazer pontos relevantes para discussão.
Apesar de ser uma HQ com tema atual e um tanto polêmico, a autora retratou tudo com muita leveza, sem dramas e de uma forma bem direta. Foi uma leitura rápida, muito tranquila e que, embora não tenha me emocionado como eu esperava, acabou se tornando queridinha justamente pela sutileza encontrada em cada página.
É o meu primeiro contato com uma obra da autora e gostei muito do que encontrei. Se você não tem o hábito de ler HQs e quer começar, eis aqui uma boa pedida. Leitura rápida e envolvente, que vai com certeza agradar. Leiam e venham me contar o que acharam depois!





quarta-feira, 11 de abril de 2018

Princesa de Papel


O primeiro livro da série The Royals, a nova sensação new adult dos EUA. Ella Harper é uma sobrevivente. Nunca conheceu o pai e passou a vida mudando de cidade em cidade com a mãe, uma mulher instável e problemática, acreditando que em algum momento as duas conseguiriam sair do sufoco. Mas agora a mãe morreu, e Ella está sozinha. É quando aparece Callum Royal, amigo do pai, que promete tirá-la da pobreza. A oferta parece tentadora: uma boa mesada, uma promessa de herança, uma nova vida na mansão dos Royal, onde passará a conviver com os cinco filhos de Callum. Ao chegar ao novo lar, Ella descobre que cada garoto Royal é mais atraente que o outro – e que todos a odeiam com todas as forças. Especialmente Reed, o mais sedutor, e também aquele capaz de baixar na escola o “decreto Royal” – basta uma palavra dele e a vida social da garota estará estilhaçada pelos próximos anos. Reed não a quer ali. Ele diz que ela não pertence ao mundo dos Royal. E ele pode estar certo.
Título: Princesa de Papel
Série: The Royals #1
Autor (a): Erin Watt
Editora: Essência
Número de páginas: 368


Tô empolgada, tô feliz, tô dando uns gritos aqui porque, senhoras e senhores, eu finalmente li Princesa de Papel. Desde o lançamento desse primeiro volume da série Royals que minha curiosidade ficou atiçada. Mas aí, vocês já sabem como que as coisas funcionam na vida dessa pessoa humilde aqui: eu tenho mil livros pra ler, mil coisas pra fazer e nunca sobra um tempinho pra me dedicar a um livro que anda me tirando o sono. Mas olha só o que aconteceu: essa belezinha veio parar em minhas mãos e, minha gente, eu simplesmente devorei ele sem pensar no amanhã.
Desde muito nova Ella precisou aprender a se virar sozinha. Após a morte da mãe, começou a trabalhar como stripper para poder sobreviver e terminar os estudos. Ela nunca conheceu o pai e o pouco que sabe a seu respeito lhe foi contado pela mãe. Trabalhando a noite e estudando de dia, Ella vai levando a vida sem grandes ambições. Contudo, quando Callum Royal aparece em sua vida as coisas começam a mudar.
Callum é um homem rico e foi amigo de Steve, pai de Ella, por muitos anos. Sua proposta para nossa mocinha é simples: ela irá morar com ele em sua mansão, estudará em um dos melhores colégios até completar o ensino médio e receberá dele 10 mil dólares por mês, que será usado para o pagamento de sua futura faculdade ou outro investimento que ela deseje fazer. É uma proposta tentadora e, por mais que tente resistir, Ella acaba concordando. Não parece ser uma tarefa difícil, ela só precisa estudar e se manter focada em conseguir a grana. Além do mais, Callum parece ser um homem honesto e gentil, o tipo de pessoa fácil de conviver. Uma pena que o mesmo não pode ser dito dos cinco filhos dele.
Ao chegar a mansão já da pra perceber que as coisas não serão fáceis já que nenhum dos lindos garotos Royal parecem estar felizes com sua chegada. E entre eles, Reed é o que aparenta ser o mais perigoso. Ela precisa agora lidar com a hostilidade dos garotos, provar que não está naquela casa apenas por ser uma aproveitadora e, o mais importante, controlar a atração quase enlouquecedora que sente por Reed.
É sempre maravilhoso começar uma leitura com expectativas altas e perceber que elas foram superadas de todas as formas, não é mesmo? Eu estava ansiosa demais por essa leitura e, no instante que comecei, me vi fisgada. A leitura rápida, a história empolgante e os personagens cativantes foram a combinação perfeita para me fazer cair de amores pelo livro. Esperava gostar, claro. Mas acabei adorando demais o que encontrei!
A história é uma delícia de acompanhar e, muito embora seja repleta de clichês, acaba empolgando e fazendo com que seja quase impossível pausar a leitura. Já falei a vocês que prefiro um clichê bem escrito do que uma história inovadora enfadonha, né? E gente, apesar de ter achado algumas partes bem dedutíveis, eu fiquei grudada no livro. Foi viciante acompanhar o desenrolar da trama e conhecer mais a fundo Ella e os irmãos Royal.
E já que começamos a falar dos personagens. vamos lá focar no que interessa. Primeiro de tudo: Ella é uma personagem incrível, dona de um carisma enorme e de um jeito de ser singular. Aos 17 anos ela já possui uma bagagem enorme, já passou por situações difíceis e, por conta disso, é bem madura pra idade que possui. Apesar de estar vivendo um verdadeiro conto de fadas (ser resgatada de sua vida antiga e passar a morar em uma mansão), ela não perdeu a humildade e tampouco se deixou iludir pelo luxo que se deparou. Ella é simples, pé no chão e não mudou sua essência em hora alguma, o que me fez admirá-la ainda mais.
Assim como seus irmãos, Reed é extremamente charmoso. Dono de uma personalidade forte e, por vezes, um tanto grosseiro, ele não é o tipo de personagem que cativa de imediato. Principalmente porque, inicialmente, acaba se mostrando um grande babaca, com atitudes mesquinhas, deixando sempre a raiva e o rancor falarem mais alto. É somente com o passar das páginas que vamos conhecendo-o melhor, desvendando alguns de seus segredos e medos, e isso fez com que minha visão a seu respeito mudasse completamente.
Mas se tem alguém nesse livro que me conquistou completamente foi Easton. O irmão mais novo de Reed é aquele típico mulherengo, que não se prende a ninguém e que parece ser tão babaca quanto o irmão mais velho (talvez até mais). Mas basta a gente conhecer melhor que percebe que por trás disso tudo tem uma pessoa extremamente fofa e divertida. Amei demais e ficaria super feliz com um livro dele. <3
Estou mega ansiosa para ler Príncipe Partido, principalmente porque Princesa de Papel terminou em uma parte crítica e eu preciso saber o que aconteceu. Sem brincadeiras: terminei a leitura descabelada, abraçando o livro e chorando. Uma leitura maravilhosa que todo mundo deveria conhecer. Leiam, se apaixonem e venham conversar comigo a respeito dele.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Império das Tormentas





Em um império fragmentado, circundado por mares selvagens, dois jovens de culturas diferentes se unem por uma causa comum. Uma menina de 8 anos é a única sobrevivente do massacre de sua vila por biomantes, uma das mais poderosas forças do imperador. Batizada com o nome de seu vilarejo para nunca se esquecer do que perdeu, Bleak Hope é treinada em segredo por um mestre guerreiro para se tornar um instrumento de vingança. Um estranho garoto de olhos vermelhos fica órfão nas esquálidas e sujas ruas de Nova Laven, mas é adotado pela pior pessoa que o destino poderia lhe apresentar: Sadie Cabra, uma das criminosas mais infames do submundo. Batizado como Red, ele é treinado para ser um exímio atirador de facas – além de ladrão, mentiroso e trapaceiro. Quando um senhor do crime estabelece um acordo de poder com biomantes para tomar o controle do submundo de Nova Laven em troca da miséria da população, as histórias de Hope e Red finalmente se cruzam. Seja por honra ou vingança, essa improvável aliança os levará para a maior batalha da vida deles. Jon Skovron marca aqui o início da trilogia Império das Tormentas, uma fantasia embalada por uma espadachim habilidosa, piratas, vigaristas, jogos de poder e revolução.
Titulo: Império das Tormentas
Título Original: Hope and Red
Série: Império das Tormentas

Autor (a): Jon Skovron
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 368



Não julgar um livro pela capa: está aí uma coisa difícil! Quando vemos aquela capa que de alguma forma incendeia a sua curiosidade é quase impossível impedir que isso se transforme em vontade de ter e ler o tal livro. Foi o que me aconteceu quando vi Império das Tormentas pela primeira vez. Não cheguei nem a conferir a sinopse e já estava garantindo o meu. Uma atitude arriscada? Talvez. Mas será que me arrependi?
Império das Tormentas é o primeiro volume de uma trilogia de fantasia escrita por Jon Skovron. Neste primeiro volume acompanhamos as aventuras e desventuras de dois jovens de realidades distintas que tem suas vidas modificadas pelas presenças um do outro. 
Ela, Bleak Hope, é a única sobrevivente do massacre dos habitantes de uma ilha inteira causado por Biomantes, uma ordem mágica e científica inescrupulosa a serviço do Imperador. Encontrada pelo capitão Sin Toa, Hope é levada até o Ermo dos Ventos e deixada aos cuidados de Hurlo, O Esperto, Grão-Mestre da Ordem dos Vichen, um grupo de monges guerreiros mortais que servem ao Império. O mosteiro e a ordem não recebem mulheres, mesmo para trabalhos servis como os que são dados a Hope, mas Hurlo intercede a seu favor. Vem dele também a decisão de treiná-la em segredo nos ensinamentos de sua ordem, na esperança de dar um propósito a escuridão crescente e dor dentro da jovem. Com o passar dos anos, a jovem se torna uma guerreira formidável e isso não passa desapercebido aos olhos dos outros membros da ordem, que movidos por ciúmes trazem mais dor e tragédia para a vida de Hope. 
De volta ao mundo, Hope se prende a única coisa que ainda lhe resta: o desejo por vingança contra o Biomante responsável pela dizimação de todo seu povoado. Suas viagens a bordo do navio Gambito da Dama, do Capitão Carmichael, irão levá-la até Nova Laven, onde seu caminho cruzará com o de Red.
Ele, Rixideteron, filho da pintora Gulia Pastinas, uma jovem família abastada que abandoou tudo para viver como uma artista pintando quadros que logo se tornou viciada em pó coral e um prostituto, de uma família com legado de prostituição. Perdeu a mãe para a droga e uma intoxicação devido as tintas com que trabalhava, e pouco depois o pai para um misto de tristeza e alguma doença adquirida na profissão. Assim como Hope, aos 8 anos Red, como passou a ser conhecido por causa de seus olhos vermelhos consequentes do abuso de coral durante sua gestação, passou a viver na rua por conta própria.
Como era de se esperar, as coisas não seriam fáceis. Um dia foi capturado e estava prestes a ser "sulizado" quando conheceu Sadie Cabra, uma ladra famosíssima no Círculo do Paraíso, que por ventura teria o mesmo destino. Trabalhando juntos, mudaram a situação a seu favor e voltaram a Nova Laven. Com Sadie como sua tutora do crime, e com suas habilidades com as mãos, seja para pintar, roubar ou  arremessar facas, Red logo se tornou um vigarista de fama no Círculo, aprontando diversas confusões com seu fiel amigo Rolha e a afrontosa Urtiga. Apesar dos altos e baixos na "carreira", as coisas estavam tranquilas na vida do jovem até a chegada de Bleak Hope a Nova Laven.
Uma grande confusão envolvendo o senhor do crime, Drem Insensível, e uma suposta ligação com os Biomantes, faz como o caminho dos dois jovens se cruze. Uma aliança é formada, e uma jornada por vingança e justiça se inicia, levando os protagonistas por caminhos perigosos e destinos muito além do planejado.
Jon Skovron nos entrega uma história ágil narrada em terceira pessoa através de capítulos curtos que acompanham de forma intercalada ora Hope, ora Red, e por vezes um misterioso terceiro personagem. A trama repleta de ação e personagens interessantes é muito bem amarrada, com foco na construção dos protagonistas, justificado suas posturas, motivações e atos. A combinação desses elementos resulta em uma leitura fluida e envolvente, principalmente após nos acostumarmos com os termos e gírias de Nova Laven.
O cenário e outros elementos, como pirataria, golpes e sindicatos do crime, fazem lembrar dos Nobres Vigaristas de Scott Lynch, mas não a ponto de retirar os méritos da construção de Skovron. O autor une diversos conceitos e os retrabalha para dar uma base a sua história, dando-o vida através de citações, lendas, tecnologias e sociedade, sem se aprofundar desnecessariamente em detalhes supérfluos à trama. Desta forma, acaba por despertar a curiosidade no leitor, entregando elementos que podem ou não ser trabalhados futuramente, mas ainda mantendo-o focado no que interessa para o livro em questão.
Um dos principais acertos do autor está em seus personagens, tanto os protagonistas quanto os coadjuvantes e antagonistas. É impossível não se envolver um pouco pela escuridão, senso de honra e vingança de Hope, pela malandragem e sagacidade de Red, pelo companheirismo de Rolha, pela postura forte de Urtiga ou mesmo pelas peculiaridades de Sadie Cabra.
Por fim é preciso voltar ao questionamento aberto no primeiro parágrafo e dizer sem medo que não me arrependi nem um pouco da minha decisão. Império das Tormentas é uma deliciosa fantasia com tom adulto, temperada com tragédias, juras de vingança, adoráveis golpistas, formidáveis guerreiras, e magias aterradoras. Uma leitura cativante e arrebatadora com tudo para agradar os amantes da boa e velha fantasia.