segunda-feira, 14 de agosto de 2017

F*ck Love


Helena Conway se apaixonou.
Contra sua vontade. Perdidamente. Mas não sem motivo.
Kit Isley é o oposto dela – desencanado, espontâneo, alguém diferente de todos os homens que conheceu.
Ele parece o seu complemento. Poderia ser tão perfeito… se Kit não fosse o namorado da sua melhor amiga.
Helena deve desafiar seu coração, fazer a coisa
certa e pensar nos outros. Mas ela não o faz…
“Tentar se afastar da pessoa amada é como tentar se afogar. Você decide fugir da vida, pulando na água, mas vai contra a natureza não buscar o ar. Seu corpo clama por oxigênio; sua mente insiste que você precisa de ar. Então você acaba subindo à superfície, arfando, incapaz de negar a si mesma essa necessidade básica de ar. De amor. De desejo ardente.”
Você pode pensar que já viu histórias parecidas, mas nunca tão genuínas como essa. Tarryn, a escritora apaixonada por personagens reais, heroínas imperfeitas, mais uma vez entrega algo forte, pulsante, que nos faz sofrer mas também nos vicia. Depois dela, todas as outras histórias começam a parecer como contos de fadas.
Título: F*ck Love
Autor (a): Tarryn Fisher
Editora: Faro Editorial
Número de páginas: 257

Antes de começar a falar a respeito de F*ck Love, vamos a famosa historinha inicial da tia Neyla, porque né, já virou tradição. Eu não sei quanto a vocês, mas eu sou aquele tipo de pessoa que sempre fica com o pé atrás quando a blogosfera e seus similares começam a bombar com um determinado livro e que todo mundo grita aos quatro cantos que AMOU o livro. Já me bate o desespero de "não sei não, será que esse negócio é bom mesmo?" e aquele famoso medo da decepção. Pois bem, onde é que eu quero chegar. Quando eu solicitei F*ck Love, em seu lançamento, só sabia mesmo o que sua sinopse falava, ninguém tinha feito resenha e a curiosidade a respeito dele bateu com força. Só que logo depois não se falava em mais nada pelas redes sociais que não fosse esse livro. Pronto, entrei em modo desconfiança, já não sabia se queria ler mesmo, estava já temendo o pior. Lendo isso você deve estar me achando dramática, mas minha cara leitora, é a verdade (e só pra você saber, eu sou mesmo dramática) e esse pensamento me perseguiu até pegar o livro pra ler... e me render completamente a sua história viciante.
Helena passou por uma situação estranha: sonhou com o seu futuro. Ela, que nunca teve nenhuma aptidão para artes, havia se transformado em uma desenhista conhecida, famosa por ter criado vários livros de colorir e que possui uma vida de fazer inveja a qualquer uma. Sua casa é linda, ela tem dois filhos e é casada com um homem simplesmente encantador. Só que ela conhece esse homem e ele não é o seu atual namorado e sim, o namorado de sua melhor amiga. Ela nunca antes havia prestado muita atenção em Kit. Ele sempre fora o namorado da vez de Della e suas conversas eram sempre mínimas, ela nem ao menos sabia o básico a seu respeito. 
Mas tudo muda após esse sonho. Por mais que ela tente lutar contra os sentimentos que a assolam é difícil controlar a curiosidade que se forma em seu âmago. Talvez, se o futuro que ela presenciou não fosse tão perfeito, as coisas poderiam não ter tomado a proporção que tomou. O fato é que Helena, ficou impressionada com tudo que viu e quando algumas das coisas que ela viveu no sonho começam a acontecer ela decide se aproximar dele. E é aí que as coisas começam a se desenrolar já que os sentimentos de ambos ficam cada vez mais visíveis e Della não está disposta a abrir mão de Kit tão facilmente.
Gente, que história viciante. Comecei com o pé atrás, como já admiti ali em cima, mas foi só virar as primeiras páginas para já ficar totalmente imersa na trama. Não esperava gostar tanto do livro, principalmente por conta do triângulo amoroso envolvendo amigas. Eu até gosto de triângulos amorosos e acho que, quando bem inseridos no contexto, deixam a história bem mais interessante. Mas quando há amigas apaixonadas pelo mesmo cara já me sinto um pouco desconfortável. Estava preparada pra odiar Helena e dar meus ataques de raiva enquanto lia, berrando que "essa menina é uma fura olho, observe!". Contudo, nada foi como eu esperava e simplesmente adorei Helena. Ela é autêntica e corajosa, até mesmo quando as coisas se confundem e ela fica sem saber como agir, acaba sempre ouvindo o coração e fazendo aquilo que acha certo, mesmo que para isso tenha que sacrificar sua felicidade.
Ela e Kit são aquele tipo de casal que ficam perfeitos juntos, que combinam perfeitamente e que, por mais que tenham algumas diferenças, elas só servem para complementar um ao outro. Ficarem juntos é algo que parece tão natural que a gente já torce por isso logo de cara. Eu gostei de Kit, mas em determinados momentos perdi a paciência com suas atitudes. Não gosto de gente em cima do muro, que sabe o que quer mas não tem coragem de fazer aquilo que deseja. Achei que ele foi covarde em algumas partes, esperava mais determinação e acabei ficando um pouco frustrada em relação a isso. Ele é um fofo, mas pra me conquistar por inteiro tem que ter algo mais e nesse ponto, ele deixou a desejar.
Em relação ao triângulo amoroso da trama, eu realmente acreditei que fosse ficar com raiva de Helena e me solidarizar com Della. Mas não teve como acontecer porque Della é uma criatura insuportável, daquelas que você se pergunta o porquê da protagonista e ela serem tão boas amigas. Ela é egocêntrica e mimada, o tipo de pessoa que pensa que o mundo gira em torno do seu umbigo. As coisas que ela apronta no decorrer da história são ridículas e só servem pra deixar ainda mais explícito o que ela merece receber no final.
Minha experiência de leitura foi super positiva, eu adorei demais o livro e a escrita da Terry é incrível, ela consegue prender o leitor a cada palavra. É viciante demais! O livro só não levou a nota máxima porque duas coisas me incomodaram. A primeira foi a inserção de um personagem, quase no final do livro, que não disse a que veio e, no meu ponto de vista, não acrescentou nada à trama. E o segundo ponto foi o epílogo, que começou muito bem, mostrando o que aconteceu com os personagens após o desfecho do livro, mas que acabou me deixando confusa por conta do que? Do tal personagem que citei anteriormente e que, mais uma vez, apareceu pra fazer vários nadas e me deixar com um belo ponto de interrogação na cabeça. Eu, definitivamente, bancarei a Glória Pires já que não sou capaz de opinar sobre esse final.
No mais, a leitura é super fluida e as páginas praticamente passam sozinhas. A edição está linda e nota-se todo o cuidado da editora, tanto com a capa, com os detalhes internos e as artes no início de capítulo. Foi o meu primeiro contato com um livro da Tarryn Fisher e gostei demais do que encontrei! Recomendo muito a leitura, tenho certeza que assim como eu, vocês vão adorar a história!

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Valérian e a Cidade dos Mil Planetas







Valérian é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline, por quem é apaixonado, em defesa da Terra e seus planetas aliados, continuamente atacados por bandidos intergaláticos.



Valérian e a Cidade dos Mil Planetas
Título Original: Valerian and the City of a Thousand Planets
Lançamento/Duração: 2017 - 142 minutos - Gênero: Ação, Ficção Científica, Aventura
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Elenco: Dane DeHaan, Cara Delevingne, Rihanna, Ethan Hawke, Clive Owen

IMDB - FILMOW

Ninguém pode negar que o cinema é uma imensa janela para horizontes distantes. Pode até parecer baboseira começar o texto de tal forma, mas já se deu conta da quantidade de coisas que você descobriu graças ao cinema?  Atores, atrizes, diretores, roteiristas e obras originais em quais os roteiros por vezes são embasadas, são muitos mundos e tempos descobertos. E bem, Valerian tem tudo a ver com isso!
Publicado pela primeira vez em 1967, Valérian, Agente Espaço-Temporal - mais tarde republicado como Valérian e Laureline - é uma obra em quadrinhos Franco-Belga de ficção científica criado por Pierre Christin e desenhada por Jean-Claude Mézières. Mesmo com  50 anos de publicação a série Valérian e Laureline é segue como uma das obras mais influentes mundialmente, tendo mais de 2.500.000 cópias vendidas, e influenciado conceitos, histórias e design de personagens e criaturas em diversas obras como Star Wars e O Quinto Elemento, de Luc Besson, também responsável por essa adaptação que chega aos cinemas.

Na trama do longa, Valérian é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline, em defesa da Terra e seus planetas aliados. Em meio a uma dessas missões os agentes são encaminhados até a Estação Planetária Alpha, lar de dezessete milhões habitantes entre humanos e alienígenas de várias espécies. Lá estando irão se deparar e se envolver com uma questão de enorme perigo que pode destruir toda Alpha. Mas em um lugar onde tudo é estranho, nada é o que parece...
Nem mesmo o próprio projeto de Besson.
Por maior que tenha sido a paixão que o motivou a adaptar a obra em quadrinho de sua juventude, e por mais que o filme tenha uma qualidade técnica visual evidente, Valérian e a Cidade dos Mil Planetas justifica a divisão de opiniões entre a crítica internacional. O filme é divertido e possui diversos acertos, contudo esses pontos estão mesclados ao roteiro simplório e por vezes confuso da trama. A ação é bem executada, e o clima da trama é ágil, mas em diversos momentos tramas episódicas e cíclicas são inseridas na trama, desviando o foco da missão principal. Personagens são unidos e separados mais de uma vez, e a missão principal é fracionada em pequenas missões de resgate pouco relacionadas com o arco central e que poderiam ser retiradas no corte final e não alterariam o resultado final. O mais esquisito é que esses arcos trazem personagens interessantes, como Bubbles interpretado por Rihanna, e que mereciam arcos maiores do que as rápidas participações.
A dupla de protagonistas não convence fácil como os importantes agentes que representam: parte disso se deve a aparência jovem dos atores, parte a atuação ruim dos atores e outra parte a direção e roteiro. Besson não tenta fazer deste um filme de origem, trazendo aqui personagens já estabelecidos dentro daquele cenário, mas Dene Deehan e Cara Delevingne não transmitem muito bem essa experiência sensação. Além deste fato, falta química entre eles. Embora os personagens tenham lapsos de carisma por conta de sua canastrice assumida, a construção afugenta a todo momento nossa proximidade com eles.
Já o universo que compõe background do longa e a maneira como é organizado, são pontos positivos da obra. Tudo aquilo parece fantástico e cativante a ponto de você querer ver mais e mais. Ainda por cima tratando-se daquele que talvez seja o ponto mais forte de Valérian e a Cidade dos Mil Planetas. Os milhões que fazem deste o filme mais caro da história do cinema francês são muito bem empregados em uma das obras mais visualmente belas que já vi.

Ao passo em que deixa a desejar na produção do roteiro, Luc Besson mostra sua marca registrada e seu colorido da ficção científica destacados na construção de mundo da obra, com seus alienígenas, planetas, viagens dimensionais, perseguição de naves, etc. O diretor libera na narrativa visual sua inventividade com jogos de câmera e outros truques estéticos aquilo que falta de complexidade na trama.
Valerian é um espetáculo visual de primeira em meio atuações fracas e roteiro simples. É divertido, arrancou alguns risos com umas piadinhas, a ação é boa, mas o protagonista é tão fraco que Cara (Caramba Cara Caraô) Delevingne consegue ser mais carismática. Mas não no fim das contas ele não é um filme ruim, apenas não empolga tanto quando deveria. É filme bacana que poderia ser melhor! Contudo, fiquei interessado em ver os quadrinhos originais e a novelização do roteiro, para ver o que Valérian tem a oferecer.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Os Impostores - A Garota do Cemitério #1

Ela adotou o nome Calexa Rose Dunhill, inspirada numa lápide do sombrio ambiente em que acordou, ferida e apavorada, sem qualquer lembrança de sua identidade, de quem a jogou lá para morrer ou mesmo do porquê.
Fez do cemitério o seu lar, vivendo escondida numa cripta. Mas Calexa não pode se esconder dos mortos – e, quando descobre que possui a estranha capacidade de ver as almas se desprenderem de seus corpos...
Então, certa noite, Calexa presencia um grupo de jovens praticando uma sinistra magia. Horrorizada, testemunha o ato insano que eles cometem. Quando o espírito da vítima abandona o corpo, ele entra em Calexa, atormentando sua mente com visões e lembranças que parecem não ser dela.
Agora, Calexa deve tomar uma decisão: continuar escondida para se proteger – afinal, alguém acredita que ela está morta – ou sair das sombras para trazer justiça ao angustiado espírito que foi até ela em busca de ajuda
Título: Os Impostores
Série: A Garota do Cemitério #1
Autor (a): Charlaine Harris/ Christopher Golden/ Don Kramer
Editora: Valentina
Número de páginas: 128


Minhas primeiras experiências com leitura foram através das HQ's. Antes de aprender a ler eu já gostava de ler (dá pra entender isso) e quando minha mãe lia para mim, um novo mundo se abria em meus horizontes. Acredito que o primeiro contato de jovens leitores sempre se dão por meio de quadrinhos e, infelizmente, com o tempo esse apreço por eles acaba desaparecendo. Comigo foi diferente já que o amor foi se intensificando cada vez mais e todos os meses eu leio pelo menos umas duas HQ's pra satisfazer esse vício. Portanto, quando vi o primeiro volume dessa história disponível para solicitação, nem pensei: solicitei de coração aberto e com a certeza de que iria adorar.
Quando Calexa acordou em um cemitério, ela nem ao menos se lembrava de seu próprio nome. A única coisa que sabia era que, quem a abandonara ali acreditava que ela fosse morrer, portanto manter-se escondida é o melhor que pode fazer. E quer esconderijo melhor que um cemitério? Ali, em meio aos mortos, ela faz sua morada e, é em uma lápide que ela se inspira para criar um nome: Calexa Rose Dunhill. Essa será sua nova identidade até que sua memória, finalmente, retorne.
A estadia no cemitério é tranquila e muitas vezes solitária. Com o tempo, ela começa a ter algumas visões das almas dos recém falecidos se desprendendo do corpo e partindo em direção a seu destino final. Mas as coisas acabam ganhando um terreno ainda mais sombrio quando ela presencia um grupo de jovens fazendo um pseudo ritual de magia. É visível a inexperiência de todos, inclusive da que está a frente do ritual, portanto não é surpresa para ninguém quando ele não funciona. Porém, eles retornam ao cemitério para tentar mais uma vez, dessa vez com um motivo que julgam ser justo.
Óbvio que as coisas acabam saindo do controle, dessa vez de forma grave, e termina com uma jovem sendo assassinada. De onde estava escondida, Calexa pode ver toda a movimentação e ela já esperava ver o espírito da garota se desprendendo. O que ela não imaginava era que esse espírito, em vez de partir para o seu destino final, acaba entrando em seu corpo. Sua mente é então tomada por memórias que não são suas e ela se vê obrigada a ajudar essa moça a fazer justiça. Mesmo que, para isso, ela tenha que sair do seu esconderijo e correr o risco de ser encontrada por aqueles que a querem morta.
Eu adorei essa HQ! A história já começou me instigando por conta do tom de mistério que está embutido nas cenas iniciais. O porquê de Calexa ter sido deixada para morrer naquele cemitério, qual sua verdadeira identidade e quem está por trás de sua quase morte, foram os principais elementos que me deixaram curiosa com a leitura. E antes que você venha me perguntar, não é nesse volume que teremos as respostas para esses questionamentos, mas espero que eles não tardem a aparecer porque estou curiosíssima.
Calexa foi uma personagem que me intrigou do início ao fim. É difícil falar sobre ela ou defini-la já que é uma personagem muito complexa e passa pelo drama de não saber nada sobre si. Não posso dizer que ela me cativou, mas com certeza me deixou curiosa. Tenho algumas teorias a seu respeito, algumas são bem loucas, mas não posso dividir com vocês... ainda.
Fiquei apaixonada pelas ilustrações. principalmente por conta da riqueza dos detalhes e do traço marcante. Se tem algo que me chama a atenção em HQ's é a capacidade do artista colocar em seus desenhos expressões vívidas, que faça com que o leitor consiga ser capaz de sentir a vida fluindo daquelas páginas. E eu consegui sentir isso.
Gostei muito do que encontrei e esse primeiro volume já virou queridinho da estante. A ambientação mais sombria, a personagem misteriosa, a trama repleta de ação e suspense, fizeram com que a leitura se tornasse ainda mais agradável. Além do mais, é visível todo cuidado da editora com esse primeiro volume e preciso dizer que fizeram um trabalho maravilhoso. A edição ficou linda e valeu a pena todo o investimento! Estou ansiosa pelo segundo volume e espero que não demore a ser lançado.
Se você, assim como eu, também é fã de HQ's, não pode deixar de ler Os Impostores - A Garota do Cemitério. E, se ainda não leu nenhuma e deseja começar, já tem uma bela dica aqui. Tenho certeza que não irá se arrepender.


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Volúpia de Veludo

Simon Fairfax, o fatalmente charmoso marquês de Lisburne, acaba de retornar relutantemente a
Londres para cumprir uma obrigação familiar.
Ainda assim, ele arranja tempo para seduzir Leonie Noirot, sócia da Maison Noirot. Só que, para a modista, o refinado ateliê vem sempre em primeiro lugar, e ela está mais preocupada com a missão de transformar a deselegante prima do marquês em um lindo cisne do que com assuntos românticos.
Simon, porém, está tão obcecado em conquistá-la que não é capaz de apreciar a inteligência da moça, que tem um talento incrível para inventar curvas – e lucros. Ela resolve então ensinar-lhe uma lição propondo uma aposta que vai mudar a atitude dele de uma vez por todas. Ou será que a maior mudança da temporada acabará acontecendo dentro de Leonie?Volúpia de veludo, terceiro livro da série As Modistas, é uma história de amor envolvente, com personagens femininas fortes e determinadas que transitam com perfeição entre o romantismo e a sensualidade.
Título: Volúpia de Veludo
Série: As Modistas #3
Autor (a): Loretta Chase
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 


Sabem uma coisa que eu estava prestando atenção nos comentários? É que muita gente que vem aqui nunca leu um romance de época. É até engraçado porque eu sempre achei que todo mundo caísse de amores por eles, assim como eu, e fico chocada quando percebo que não é bem assim. O lado bom é que percebo que muita gente fica interessada e isso me empolga a falar cada vez mais deles, afinal o que é bom tem que ser dividido e conhecido, não é mesmo? E hoje o livro escolhido é Volúpia de Veludo, terceiro livro da série As Modistas, da Loretta Chase.
Leonie é a mais sensata das três irmãs Noirot. Praticidade e organização definem bem essa mulher que, ultimamente tem sido o corpo e a alma da Maison Noirot já que suas irmãs estão impossibilitadas de ajudá-la como antigamente. Com seu talento e sua enorme capacidade de persuasão, ela tem conseguido ganhar várias clientes, mas nenhuma delas é tão desejada quanto a senhorita Gladys Fairfax, prima de Lady Clara, já conhecida dos livros anteriores, e de Simon, o marquês de Lisburne. 
Lady Gladys não é uma criatura muito fácil de lidar. Dona de um gênio difícil, não consegue atrair olhares e pretendentes, fato que a deixa frustrada embora tente não demonstrar. Seu debut foi um verdadeiro fiasco e a humilhação sofrida ficou marcada nela, que se acha o patinho feio. E antes que você me pergunte, ela não é uma beldade, mas possui características marcantes que podem ser realçadas com a ajuda de uma profissional brilhante como Leonie. Para ela, é só questão de tempo, e de um bom vestido, para que Gladys consiga mais pretendentes do que se possa imaginar. E é nesse ponto que entra o belo marquês de Lisburne.
Desde que pusera os olhos na modista, ele ficou encantado, não só por sua beleza e sensualidade, mas por sua sagacidade. Os encontros furtivos entre eles e o parentesco dele com lady Gladys, faz com que o casal se aproxime cada vez mais. Contudo, é quando os dois selam uma aposta que tudo começa a ganhar um terreno mais perigoso. 
Vejam bem, ele está disposto a conquistá-la, mas Leonie não é bem o tipo que está a procura de romance. Ela é prática e se interessa pelos negócios, não deixando espaço para muita coisa. Claro que não fica imune ao charme do marquês, mas não pretende se entregar a algo "desconhecido" com facilidade. A aposta entre os dois se resume ao seguinte: se ela tornar Gladys uma moça popular, com pretendentes ou admiradores, ele terá que dar a ela seu quadro de Botticelli. Se ele for vitorioso, ela terá que passar duas semanas ao seu lado. Quem levou a melhor nessa aposta? Você terá que ler para descobrir.

Antes de iniciar a leitura estava um pouco receosa. Minha experiência com os livros de Loretta não são ruins, mas sempre tem alguns pontos que não me agradam por completo. E uma delas é a sua narrativa inicial, sempre muito lenta, com os fatos demorando a serem desenrolados e a trama não mostrando a que veio. Já é algo característico da autora e, se você for ler algumas das minhas resenhas mais antigas, vai perceber que comento isso sempre. Mas não era esse o motivo do meu receio, afinal eu já sei que isso vai acontecer. Meu medo era não me sentir cativada pela personagem, que apareceu tão furtivamente nos livros anteriores e a qual eu não sabia nada a respeito. E eu não sei quanto a vocês, mas se eu não consigo me apegar a personagens sempre sinto que está faltando algo. Contudo, percebi, após iniciar a leitra, que meus medos eram infundados e que é difícil não se render ao charme da nossa mocinha.
Leonie é uma mulher prática, extremamente organizada e que prioriza, acima de tudo, seu trabalho. Para ela não há tempo para relacionamentos e ela se sentia completamente preenchida quando se encontrava cercada pelos números. Se apaixonar não era algo que desejava, mas quem é que consegue mandar no coração? Ainda mais quando o mocinho em questão é tão fofo quanto Lisburne. Não tem como ficar imune a sua beleza e, com o tempo, vamos percebendo que além de um rostinho bonito, ele é dono de um coração enorme. será que estou apaixonadinha? <3
O casal possui uma boa química e o romance entre eles aconteceu de forma bem gradativa. Eu já falei mil vezes que romances instantâneos não me agradam, sejam eles em histórias de época ou contemporâneas. Tudo aconteceu no tempo certo, com a atração inicial evoluindo aos poucos para algo maior. Outro ponto positivo foi o fato da autora ter deixado de mão o maior clichê dos romances de época: o jogo de gato e rato entre os personagens. Foi uma surpresa não ter encontrado isso e vibrei por mais esse acerto de Loretta.
Existe uma história secundária que é trabalhada durante toda a trama. Existe sim um foco no romance, mas a subtrama não foi deixada de lado. A autora conseguiu conduzir a história de uma maneira bem bacana e explorou muito bem as situações adversas que foram acontecendo no decorrer das páginas.
O livro é divertido e romântico, mas eu não esperaria nada menos do que isso de uma série que tem esses dois pontos citados como características marcantes. A história é boa e acabou se tornando a preferida da série até agora. Ansiosa pela chegada do quarto livro, espero que me reserve boas surpresas.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Nós Vimos: Planeta dos Macacos - A Guerra



Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel. Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.


Planeta dos Macacos - A Guerra
Título Original: War of The Planet of the Apes
Lançamento/Duração: 2017 - 142 minutos - Gênero: Ação, Ficção Científica, Drama
Direção: Matt Reeves
Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver, Matt Reeves e Mark Bomback
Elenco: Andy Serkis, Amiah Miller, Steve Zahn, Woody Harrelson, Karin Konoval, Toby Kebbell, Michael Adamthwaite e Judy Greer


Uma grande conclusão par uma trilogia tão querida. Os motivos para tal, nem de longe são aqueles que você possa estar pensando: cuidado o foco de sua expectativa ou poderá frustrar-se. Planeta dos Macacos - A Guerra não é um filme sobre o confronto definitivo entre humanos e símios, nem mesmo de longe. O trailer e o título te enganam, mas nem por isso ele deixa de ser um filme espetacular.
O terceiro longa da série tem como foco, mais do que tudo, Cesar e seus companheiros. Os humanos são para a trama, ferramentas para a construção da relação entre os personagens e escada para que, como os personagens em tela, sintamos determinadas emoções. A carga dramática, o peso das consequências, as reflexões, tudo está mais evidente.
A trama do filme prossegue pouco tempo após os acontecimentos do anterior, trazendo as consequências do ato de Koba, figura ainda participativa através de sua influência. Os humanos comandados pelo Coronel tentam retaliar o desenvolvimento da sociedade simiesca em um combate direto, com a ajuda de alguns macacos traidores. A motivação de ambos os lados é a mesma - sobrevivência - mas suas metologias e expectativas são extremamente diferentes. Após perdas significantes, César e um grupo de companheiros partem em uma jornada por vingança, que os levará por tragédias, desespero, amizade e uma nova esperança.
Planeta dos Macacos - A Guerra se mostra um blockbuster mais intimista e contido. Trazendo desde o início da trilogia uma série de reflexões, aqui elas parecem reforçadas a cada instante. A partir do contato entre os grupos a história abre espaço para questionamentos sobre civilidade, cultura, moralidade e o olhar para o semelhante, principalmente na questão da superioridade. Afinal, o que determina quem é superior? Serão mesmo tão distintos? Existe abertura para diversos debates filosóficos, mas sem deixar de lado a ação que conquista outra parte do público.  
A humanidade tem como seu representante máximo o antagonista Coronel, muito bem interpretado por Woody Harrelson e claramente inspirado no Coronel Kurtz de Marlon Brando em Apocalypse Now (fato destacado por diversos colegas da impressa).  O vilão serve como bom contraste à fúria de Cesar, com um fanatismo controlado e frio que mostram bem como o homem desta distopia perdeu sua própria humanidade. Não faltam atos para nos mostrar isso! Além dele temos a pequena Nova, um contraponto total ao que representa o personagem e uma adição ao lado dos macacos (além de fazer referência direta aos filmes clássicos).
Do lado simiesco a atuação de Andy Serkins como César despertará novamente a discussão sobre ele merecer uma indicação ao Oscar. E por mais que os efeitos visuais complementem seu trabalho, toda expressão corporal e postura do personagem é feita pelo ator e isso faz com perfeição. Os sentimentos expressos por ele são palpáveis e as relações construídas ao redor do personagem destacam não apenas isso, como também reforçam os personagens anteriormente apresentados como Rocket e Maurice acrescentando mais peso. A adição ao elenco símio fica por conta do alívio cômico de Bad Ape, o único outro macaco falante além de Caesar, e que não fazia parte do bando que se tornou senciente. Fugido de um zoológico, Bad Ape viveu isolado numa cabana por muitos anos e se comporta como humano, usando inclusive vestimentas. Esse fato, além de construir o novo personagem, expande a questão dos efeitos do vírus da gripe símia e sua consequência: macacos em outros lugares estão se tornando mais espertos.

O trabalho da equipe técnica é novamente primoroso. Da captação de movimentos a produção digital, todo o conjunto cria macacos visualmente tão críveis que se torna difícil acreditar que nenhum animal foi utilizado nas filmagens. Os macacos são extremamente expressivos e mesmo sem  falar, ainda que alguns consigam o número é pequeno, possuem uma comunicação gestual e visual bem forte. Mesmo nas cenas de ação - muito bem elaboradas, por sinal - é possível compreendê-los.
A trilha é quesito mais fraco do filme, porém apenas por não ser marcante. Pois, atua como elemento complementar às cenas cumprindo seu papel de auxiliar no despertar das emoções no espectador.
Planeta dos Macacos - A Guerra encerra a trilogia de maneira de maneira mais do que satisfatória. O longa reforça bem o que já foi constatado em Planeta dos Macacos - A Origem: é mais que possível fazer grandes produções com qualidade de roteiro e técnica, sem abrir mão da ação e da emoção. Entretenimento com profundidade, indo além de histórias rasas. Além de ser um sequência que em nada fica devendo para os filmes anteriores. Saí do cinema querendo mais do que apenas revê-lo, mas com vontade de ver toda a trilogia e ter em minha estante miniaturas do César e outros macacos. Minha recomendação é: assistam assim que puderem. Não irão se arrepender.