segunda-feira, 18 de junho de 2018

A Marcha

O parlamentar John Lewis é um ícone nos Estados Unidos e uma das principais figuras do movimento pelos direitos civis. Seu comprometimento com a justiça e a não violência o levou de uma pequena fazenda no Alabama para os corredores do Congresso norte-americano; de uma sala de aula segregada para a Marcha em Washington; dos ataques da polícia ao recebimento da Medalha Presidencial da Liberdade pelas mãos do primeiro presidente negro dos Estados Unidos.
A Marcha retrata a longa batalha de Lewis pelos direitos humanos e civis, seu encontro com Martin Luther King Jr. e a luta para dar fim às políticas de segregação no país.
Título: A Marcha
Série: A Marcha #1
Autor (a): John Lewis, Andrew Aydin, Nate Powel
Editora: Nemo
Número de páginas: 128


Vocês já sabem do meu amor infinito por HQs, afinal sempre estou falando aqui ou no instagram, sobre alguma que li e gostei muito. E hoje vim declarar todo o meu amor por A Marcha, lançamento da Nemo, que me deixou completamente encantada e se tornou uma das minhas HQs favoritas da vida.
Segregação racial foi um tema que me interessou, em especial por conta da luta de Martin Luther King, que foi um homem que sempre teve (e sempre terá) o meu respeito. Mas pouco sabia a respeito do John Lewis, um dos seis grandes, ícone nos Estados Unidos e uma das principais figuras públicas do movimento pelos direitos civis (essa parte eu copiei da orelha do livro, só pra dar aquela contextualizada bacana). Pois bem, eu confesso a vocês que meu foco sempre foi a luta do Dr. King e eu sempre tive verdadeira paixão por ele. Até que comecei a ler A Marcha e me apaixonei perdidamente pela história de John Lewis.
Desde pequeno o pequeno John já mostrava que seu lugar não era ali, no condado de Pique, no Alabama. Seu pai  possuía uma fazenda e, na época da colheita e do plantio, a prioridade não era ir à escola e sim ajudar a família. Por mais que ele implorasse, a resposta era sempre a mesma. Então ele se escondia e fugia, afinal de contas o seu futuro não estava ali na fazenda e na escola se sentia num paraíso.
Foi em 1954, quando estava no ensino médio, que ouviu falar sobre Martin Luther King Jr, um jovem pastor de Atlanta, e suas palavras pareciam ter sido dirigidas a ele. E foi o exemplo de King que fez com que fomentasse nele o desejo de fazer mais. O então garoto, que sonhava em ser um pregador, acaba indo a luta, usando como arma a filosofia que sempre acreditou: a da não violência.

Não sei explicar a vocês o quanto essa HQ mexeu com meus sentimentos. A história, contada pelo deputado John Lewis a dois garotos em seu gabinete, é emocionante do início ao fim. Através de suas lembranças vamos conhecendo um pouco sobre sua infância e adolescência e sobre seus sonhos. Lewis, desde muito jovem, sempre foi decidido e a cada novo quadrinho vamos tendo uma amostra do homem que ele virá a se tornar um dia.
Um dos pontos principais, na minha opinião, foi em relação as manifestações e boicotes liderados por Lewis e seus amigos às lanchonetes, nas quais os negros não podiam se sentar nos balcões. Todas as pessoas que participavam dos movimentos passavam antes por oficinas de não violência, onde eram submetidos a xingamentos e humilhações, para poderem saber como cada um reagiria sob pressão. Sempre foi essencial não reagir com violência aos insultos, proteger um ao outro e encontrar amor pelo seu agressor.
A Marcha foi mais uma daquelas leituras edificantes, que me fez ficar com olhos marejados e o com o coração apertado até o final. Apesar de já ter lido muito a respeito de segregação racial, foi a minha primeira HQ sobre o assunto e ver a representação daquilo tudo fez com que meu coração transbordasse de emoção. É impossível não se sentir tocado diante de toda a injustiça impostas a cada uma daquelas pessoas, impedidas de fazer tudo aquilo que queriam por causa da cor de sua pele.
Apesar da aparente leveza que os quadrinhos dão à história, não se engane: o que encontramos aqui é uma trama forte, envolvente, que choca, emociona e nos mostra a garra, o caráter e a retidão de um homem que buscava apenas direitos iguais para todos, independente de cor ou raça. A Marcha é o primeiro volume de uma trilogia e, como já falei anteriormente, estou ansiosa para os próximos volumes. 
Em relação ao trabalho gráfico, mais uma vez me vejo encantada. Gostei demais das ilustrações e a edição da Nemo está impecável,como sempre. Sou fã da editora e fico muito feliz em perceber o cuidado que tiveram com essa HQ.
Sei que não consegui expressar um terço de tudo que senti enquanto lia e do quanto A Marcha se tornou especial para mim, mas espero ter conseguido fazer com que você tenha sentido vontade de conhecer essa história que é, sem dúvidas, inspiradora.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Horror na Colina de Darrington


Em 2004, Benjamin Simons deixa o orfanato em que viveu desde a infância para ajudar alguns parentes num momento difícil: com sua tia debilitada e o tio trabalhando dia e noite, precisavam de alguém para tomar conta de sua prima Carla, de apenas cinco anos de idade.
No entanto, certa madrugada, a tranquilidade da colina de Darrington é interrompida por um estranho pesadelo, que vai tomando formas reais a cada minuto. Logo, Ben descobre-se preso numa casa que abriga mistérios, onde o inferno parece mais próximo e o mal possui uma força evidente.
Passaram-se mais de 10 anos. Isso tudo aconteceu quando Ben estava com dezessete anos, e foram experiências das quais ele preferia esquecer completamente…
Mas aquele passado o acompanha de perto. Ben sente que precisa voltar e sabe que, ou desvenda tudo ou sempre viverá com medo. Então, ele decide contar, e traz numa narrativa angustiante e rica em detalhes tudo o que viveu e todas as batalhas impensáveis que travou para tentar manter a si próprio e a jovem prima em segurança. E se descobre no centro de uma conspiração capaz de destruir até a sua própria sanidade.
Onde termina o inferno e começa a realidade?
Título: Horror na Colina de Darrington
Autor (a):Marcus Barcelos
Editora: Faro Editorial
Número de páginas:144


Não sei se já contei aqui no blog, mas sou uma grande consumidora de filmes de terror/suspense. Vejo muitos, principalmente quando estou de férias e tenho um tempo maior disponível. Porém, apesar disso, são poucos os livros de terror que li e os que passaram pela minha mão não foram, nem mesmo de longe, assustadores. Horror na Colina de Darrington me chamou atenção pelas resenhas que li no Skoob, onde o pessoal contava sua experiência e o quanto foi assustador ler ele. Esse foi o incentivo maior pra me jogar na leitura pronta pra não pregar os olhos a noite e, se você quiser saber como foi minha experiência, é só continuar lendo a resenha.
Aos 17 anos Ben passou pela experiência mais macabra de sua vida e ele nos narra essa história 10 anos depois de todo o ocorrido. Ele, que é órfão e passou toda a infância em um orfanato, descobriu há pouco tempo que possuía uma tia e desde então sempre passa o período junto com ela e sua família, formada pelo marido e duas filhas. Contudo, como sua tia está passando por um delicado problema que a mantém ligada a aparelhos dia e noite, ele decide passar mais tempo na casa e assim ajudar o tio a tomar conta da filha caçula deles, Carlinha. 
O tio, um homem muito ocupado, que trabalha bastante para poder pagar todas as despesas da casa e da esposa, fica muito ausente e, com a filha mais velha na faculdade,  não tem ninguém para cuidar da caçula que tem apenas 5 anos. A ida de Ben para a casa vem na hora certa e tudo estaria na maior normalidade até que coisas assustadoras começam a acontecer. E, em meio a um cenário cada vez mais caótico, com a tia presa em uma cama, o tio e a prima longe, ele precisará salvar a si mesmo e a priminha da escuridão que se aproxima.
O que falar desse livro? O que mais chama atenção nele é, sem dúvida, a edição linda! Esse é um daqueles livros que encantam por conta do trabalho gráfico e dos detalhes que fazem toda a diferença. As ilustrações são muito bacanas, com traços marcantes e me ajudaram a entrar ainda mais no clima da leitura. E já que estamos falando de clima, vamos pra parte que interessa: afinal,o que achei da leitura?
Horror na Colina de Darrington é um livro muito bem escrito, que certamente daria um bom filme caso fosse adaptado para as telonas. Porém, ao contrário de muitas pessoas que leram, eu não me assustei nem um pouquinho. Apesar de ser uma história que traz o sobrenatural de uma forma bem macabra, com seitas e pactos sendo feitos, achei bem tranquilo de ler e em nenhum momento fiquei com medo ou assustada. E acho que isso se deu por conta de um detalhe que, pra mim, fez toda a diferença: o clima de mistério.
Eu não sei quanto a vocês, mas eu sou o tipo que assusta quando existe uma atmosfera de suspense a rondar toda a história, quando o autor vai inserindo aos poucos pequenos detalhes e descrevendo, não só o que acontece ao redor, mas também as sensações que o personagem está tendo naquele momento. Teve essas descrições? Teve! Mas não ao ponto de me fisgar completamente, porque, ao meu ver, faltou suspense e isso foi algo que pesou bastante na hora da minha avaliação final.
Achei a história bem coerente e ela me manteve atenta o tempo todo. A leitura possui um ritmo bem ágil e a narrativa é direta, não usando de rodeios pra expor os fatos apresentados. O autor soube explorar bem  o lado sobrenatural e trouxe elementos diferentes à trama, enriquecendo-a de detalhes mais macabros.
Ben é um personagem fácil de gostar, que faz com que desperte no leitor aquele sentimento de proteção, de querer cuidar e esperar que consiga sair ileso de tudo que está acontecendo. Os demais personagens tem pouco destaque, mas cada um deles tem um papel importante na trama e, ao passo que avançamos, vamos descobrindo mais segredos a respeito de alguns deles.
De uma forma geral, eu gostei do livro. Achei um livro bacana, de leitura rápida e que me deixou focada do início ao fim. A trama em si achei bem morna e esperava mais em relação a emoções. Não que eu esperasse ficar com medo, mas criei expectativas demais e acabei percebendo que ele era bem diferente do que imaginava. Na minha opinião, faltou um pouco mais de suspense e espero que, no próximo livro, ele consiga se superar nessa parte. Estou bem curiosa pela continuação, afinal ainda ficaram algumas coisas em aberto e uma delas me deixou com a pulga atrás da orelha. Espero me surpreender.



segunda-feira, 11 de junho de 2018

Um Planeta em Seu Giro Veloz



Um unicórnio, um menino e o vento, juntos em uma só velocidade!
Quando Charles Wallace Murry, agora com quinze anos, grita em desespero a invocação de uma antiga runa para afastar a escuridão, uma criatura radiante aparece. É Gaudior, unicórnio e viajante do tempo. Charles Wallace e Gaudior devem viajar até o passado através dos ventos do tempo e tentar encontrar um Pode-Ter-Sido, um momento do passado em que todos os eventos que se seguiram até o presente podem ser mudados, e o futuro da Terra – esse pequeno planeta em seu giro veloz – pode ser salvo.

Título: Um Planeta em Seu Giro Veloz - Uma Dobra No Tempo #3
Título original: A Swiftly Tilting Planet - Time Quintet #3
Autora: Madeleine L’Engle
Ano: 2018
Editora: Harper Collins
Páginas: 272


Após trabalhar com conceitos de ruptura espacial para longas distâncias e relativizar sobre as dimensões e grandezas do universo, Madeleine L’Engle nos transporta através dos não mais dos Ondes, mas dos Quandos, ao romper abarreira do tempo na nova aventura dos Murry. 
Cerca de 10 anos depois dos eventos de um Um Vento à Porta, voltamos encontrar aqueles personagens que conhecemos, porém obviamente algumas coisas mudaram nesse tempo. Meg Murry já não é mais uma garotinha, a adolescência já a deixou a algum tempo e as dúvidas dessa fase também. Agora é uma mulher segura de si, casada com Calvin O'Keefe e está nas últimas semanas de gestação de sua primeira gravidez. Assim como seus irmãos Sandy e Dennys, agora na faculdade, Meg está de volta ao lar para o jantar de Ação de Graças com a família; como seu marido está em Londres para apresentar um seminário, sua sogra irá ao jantar também.
É durante a reunião que o Sr. Murry recebe um telefonema do presidente dos Estados Unidos avisando-o sobre um possível ataque nuclear e o que era pra ser uma noite tranquila se torna uma noite de apreensão. Haverá um mundo amanhã para a criança de Meg nascer?
No que depender do jovem Charles Wallace Murry, agora com 15 anos, seu sobrinho ou sobrinha irá nascer com saúde em mundo sem problemas. Após receber da Sra. O'Keefe a runa de São Patrício capaz de afastar a escuridão, o garoto encontra o unicórdio Guadior e juntos devem viajar no tempo para mudar os rumos da história ao encontrar o Pode-Ter-Sido.
Como de praxe, uma louca viagem quase sem explicação tem início. Para impedir esse grande mal, será preciso superar suas limitações, reforçar suas conexões e aprender que uma mínima ação é capaz de mudar todo o futuro.
Com um ar renovado e um pouco menos confuso, Um Planeta em Seu Giro Veloz, apresenta uma trama mais madura que seus antecessores, trazendo um clima tenso e sombrio, mas sem abandonar a fantasia e espiritualidade comuns a série.
Por sinal, apesar de trabalhar com a temática de viagens no tempo, Madeleine L’Engle abraça muito mais o seu lado fantástico para conduzir sua narrativa do que o científico, mesmo o principal conflito da obra sendo a possibilidade de um extermínio fruto de um ataque nuclear. Como um padrão, a linguagem do texto é simples e clara, e mais uma vez entrega uma narrativa ágil e envolvente. Porém, Apesar de todo avanço técnico da autora, ainda se faz necessário o máximo de atenção aos detalhes para não se perder entre as explicações mirabolantes e também na falta delas. Nem tudo é, e nem tem a intenção de ser explicado. 
A obra se mostra mais madura também no trabalho com ambientação e personagens, acrescentando um pouco mais de detalhes, mesmo que rapidamente, sobre os coadjuvantes. Mesmo distantes, a ligação entre Meg e Charles Wallace é muito bem explorada através de recursos fundamentais para o desenvolvimento da trama, fazendo-os se ora personagens ativos ora passivos acompanhando os diversos passados e seus personagens. A escolha por vezes torna o protagonismo dos Murry um pouco diluído, mais valoriza a trama em sua variedade de pontos de vista e mistérios.
A influência do momento histórico em que vivia a autora, visto de forma mais sutil e indireta nos volumes anteriores, aqui é referenciado de forma mais direta com a situação que gera o conflito principal. É fácil traçar paralelos com o clima de tensão da guerra fria e a crise dos misseis de Cuba, e entender um pouco melhor a importância das mensagens de esperança presentes na obra mesmo frente a tempos nebulosos. 
Para não perder o cortume, vale ressaltar que a edição da Harper Collins Brasil mantém seu padrão de qualidade e beleza, desde a capas e aos mínimos detalhes do acabamento, arte interna das divisões de capítulos e diagramação. A beleza salta aos olhos e praticamente vendem a obra ao primeiro contato.
Um Planeta em Seu Giro Veloz é um salto em relação a seus antecessores, consegue adicionar um pouco mais de peso a aventura mágica dos Murry, sem esquecer do cerne carregado de mensagens relevantes e conceitos extraordinários. Ao fim, é bem provável que assim como eu, o leitor se veja curioso com os novos rumos que as aventuras tomam, e se sinta empolgado a conhecer os outros volumes dessa série. 

quinta-feira, 7 de junho de 2018

A Outra Sra. Parrish

Amber Patterson não aguenta mais. Está cansada de ser uma ninguém: uma mulher sem graça e invisível que não se destaca na multidão. Ela merece mais – uma vida de dinheiro e poder como a que Daphne Parrish, a deusa loira dos olhos azuis, tem e não valoriza. Para todos na pequena cidade de Bishops Harbor em Connecticut, a socialite e filantropa Daphne e seu marido Jackson, o magnata do mercado imobiliário, são um casal que parece recém-saído de um conto de fadas. A inveja de Amber poderia consumi-la por dentro... Se ela não tivesse um plano. Amber usa da compaixão de Daphne para se inserir na vida da família – o primeiro passo de um esquema meticuloso para destruí-la. Em pouco tempo, ela se torna a amiga mais próxima de Daphne, vai para a Europa com os Parrish e suas duas belas filhas, e se aproxima de Jackson.
No entanto, um fantasma de seu passado pode destruir tudo que ela construiu e, se seu segredo for descoberto, seu plano perfeito pode ir por água abaixo.
Com reviravoltas chocantes e segredos tão profundos que te deixarão tentando adivinhá-los até o final da história, A Outra Sra. Parrish é um thriller repleto de emoções e completamente viciante, escrito por mãos diabolicamente imaginativas.
Título: A Outra Sra. Parrish
Autor (a): Liv Constantine
Editora: Harper Collins
Número de páginas: 432


Se tem uma coisa que eu tô gostando demais nesse ano é que tenho tido várias surpresas literárias. Sabe quando você começa a ler um livro sem esperar muita coisa e acaba se vendo fisgada (o) pela leitura? Pois bem, foi o que aconteceu comigo e com A Outra Sra. Parrish. Não sabia bem o que poderia esperar dele, mas o rumo que a trama tomou acabou me surpreendendo de uma forma que eu sequer imaginava.
Amber é aquele tipo de mulher que sabe bem o que quer pra sua vida e não mede esforços para conseguir o que deseja. E não pensem vocês que ela é o tipo batalhadora, que corre atrás dos seus sonhos de maneira honesta. Movida pela inveja e por uma amargura que carrega consigo desde muito nova, ela quer mesmo é viver uma vida perfeita, regada ao luxo que ela tanto acha que merece. E se pra ter tudo isso ela precisar acabar com um casamento, pode ter certeza que ela fará isso.
O alvo da sua inveja é Daphne Parrish, esposa do magnata do mercado imobiliários, Jackson Parrish. Disposta a destruir o casamento perfeito, ela passa a observar seu alvo com afinco e, quando chega a hora, se aproxima e coloca seu plano em prática. Ela sabe que, para ganhar a atenção, e posteriormente a confiança, de Daphne precisa tocar seu coração. Munida de uma história bem emocionante, ela sensibiliza a pobre mulher e, em pouco tempo as duas se tornam melhores amigas.
Daphne é uma mulher solitária, que perdeu a irmã pra uma doença grave e que, por conta disso, criou uma instituição onde atende pessoas que passam pelo mesmo problema. A companhia de Amber é bem vinda e, aos poucos, ela vai se deixando conquistar pelo charme da garota tímida, que sempre está disposta a ajudar e a tornar seus dias melhores. E assim, ela acaba levando para dentro da sua casa a mulher que está tentando acabar com sua família.
Depois de conquistar um lugar na casa dos Parrish, Amber agora precisa se concentrar em seu novo alvo: Jackson. A tarefa não será das mais fáceis, mas ela já chegou muito longe para desistir e vai usar de todos os artifícios que conhece para conseguir realizar seu maior sonho.

Não vou mentir pra vocês: quando comecei a leitura desse livro achei que já sabia tudo que aconteceria. Eu tenho esse péssimo hábito, sabem? Quando começo um livro já vou imaginando os supostos finais e com esse não foi diferente. Ok, vamos dar um crédito pra minha pessoa porque, em alguns pontos, eu realmente acertei o que aconteceria. Mas a trama tomou um rumo para o qual eu não estava preparada e que me deixou atônita diante de todos os fatos.
O que mais me chamou a atenção foi o tamanho da inveja de Amber. Quando eu falo que pessoas invejosas são um perigo, tem gente que ainda me acha louca. O que essa mulher fez, movida por esse sentimento horroroso, não é brincadeira. Mentiu, enganou, colocou a vida de outras pessoas de pernas para o ar, fez coisas que deixariam qualquer pessoa de boca aberta. E tudo isso para destruir a felicidade de outra pessoa, de alguém que ela julgava não ser merecedora daquilo que possuía. O constante vitimismo também é outro ponto marcante na personagem, que culpava a todos pelos seus problemas.
O livro é dividido em três partes e cada uma delas é narrada por uma das personagens. Sou fã desse tipo de narrativa, já que nos permite conhecer a história por pontos de vista diferentes. Principalmente em uma trama como essa, que é cheia de reviravoltas e acontecimentos que só poderiam ser conhecidos se houvesse mais de um narrador.
A trama é envolvente e a cada novo fato atiça o leitor a querer saber mais e mais. Apesar de suas intimidantes 432 páginas, é uma leitura rápida e eu, que não tenho tanto tempo livre como gostaria, consegui concluir o livro em 2 dias. Ela me prendeu de uma forma que, cada minuto livre, eu só queria mesmo era pegar o livro e descobrir mais sobre Amber, Daphne e ver onde essa história iria parar.
Os personagens são incríveis, muito bem construídos (eu sei que essa frase é o maior clichê das resenhas, mas não tinha como deixar de fora) e com personalidades bem distintas. Enquanto Amber é uma psicopata invejosa, cheia de rancor no coração, Daphne é gentil e generosa. Ambas já passaram por muitas situações ruins, mas escolheram lidar com isso de formas bem diferentes, e também possuem segredos. E são justamente esses segredos que trarão uma perspectiva totalmente nova à trama.
Preciso dizer que recomendo a leitura? Mesclando drama e suspense, A Outra Sra. Parrish vai trazer à tona assuntos polêmicos e mexer com as emoções dos leitores. Um dos melhores livros do ano e a maior surpresa literária de 2018 até agora. Leiam, tenho certeza de que não irão se arrepender!

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Um Vento À Porta


Charles Wallace está em perigo. E o mundo todo também.
Quando a família Murry pensava que os problemas haviam terminado, um novo desafio surge. Charles Wallace agora tem seis anos de idade e na escola o menino se tornou um problema. Sofrendo bullying constante, Meg acha que o novo diretor da escola deveria ser responsável pelo menino, mas Charles Wallace fica terrivelmente doente antes que ela possa ajudá-lo.
Mas há algo estranho acontecendo. Charles Wallace diz a Meg que há dragões no quintal de casa e ela descobre que os dragões na verdade são Proginoskes, querubins feitos de asas, vento e chamas. E mais uma vez este é só o começo de uma nova aventura, onde Meg e seu amigo Calvin precisam correr contra o tempo para salvar seu irmãozinho. E, para fazer isso, eles devem partir em uma viagem para dentro do corpo do menino e lutar para restaurar a brilhante harmonia do universo.
Junte-se a Meg, Calvin e Charles Wallace nesta nova aventura repleta de seres incomuns, mundos novos e muitos heróis que precisam ultrapassar seus medos para salvar o mundo!
Título: Um Vento À Porta - Uma Dobra No Tempo #2
Título original: A Wind in the Door - Time Quintet #2
Autora: Madeleine L’Engle
Ano: 2018
Editora: Harper Collins
Páginas: 224


Os Murry estão de volta em um livro tão confuso, complexo e encantador quanto o anterior. Não há porque começar de outra forma ou tentar negar algo que, ao que tudo indica, é intrínseco a série. Acredite, isso não é nem de longe um problema, principalmente se entendidas todas as questões ligadas a essas obras. Eu explico melhor adiante.
A trama narrada em Um Vento à Porta nos traz para a vida de Margaret Murry um ano após os eventos narrados em Uma Dobra no Tempo. Agora com 13 anos, Meg já não enfrenta todos aqueles problemas para se encaixar e se encontrar, as dificuldades na escola estão menores e agora ela tem a companhia de Calvin O'Keefe lhe dando mais firmeza, porém uma coisa ainda a preocupa: o pequeno Charles Wallace, seu irmão mais novo.
Agora na escola, Charles Wallace anda enfrentando alguns problemas. Ser um garoto de QI elevado no meio de uma pequena escola em uma comunidade rural não o ajuda, ainda mais quando até os professores não entendem bem suas histórias sobre células, mitocôndrias e farandolas. O garoto é alvo constante de bullying e ninguém parece se importar com aquilo tanto quanto Meg, que culpa a direção da escola e sua não intervenção. Além de tudo isso, Charles vem apresentando sinais de cansaço repentinos que vem deixando sua mãe preocupada.
Enquanto tenta provar para a irmã que os dragões que viu no quintal não são fruto de sua imaginação ou doença alguma, Charles, Meg e Calvin se deparam com coisas ainda mais surpreendentes. Em primeiro lugar os dragões são na verdade um Querubim feito de asas e chamas chamado Proginoskes que está aqui para aprender e ajudá-los. Segundo, seres malignos chamados Ectroi estão colocando em risco todo o universo, e deixando Charles Wallace doente. 
E assim, mais uma vez, como uma louca viagem quase sem explicação, a aventura desse destemido trio começa. Para impedir esse grande mal, será preciso superar suas limitações e aprender que a grandeza do universo reside até mesmo das menores partes de uma célula. Mesmo que essa célula esteja dentro de Charles Wallace...
É muito difícil falar sobre Um Vento à Porta sem repetir algumas coisas que foram ditas na resenha de Uma Dobra no Tempo. É evidente um amadurecimento na narrativa da autora e na forma de trabalhar seus conceitos, mas ainda é necessário entender que trata-se de uma obra carregada de fantasia, encantos e um ar infantil - não que isso o torne menos complexo - até mesmo para poder aproveitá-la devidamente. 
Novamente, Madeleine L’Engle trabalha bem conceitos científicos e os mescla com a fantasia e a espiritualidade durante a narrativa para criar uma aventura interessante e trazer mensagens positivas importantes para os jovens. Algo que reforça o ar de fábula moderna à série. A linguagem do texto é simples e clara, e mais uma vez entrega uma narrativa ágil e, apesar de alguns percalços, envolvente. Contudo, por mais evidente que o avanço técnico da autora esteja, algumas descrições permanecem confusas e demandam atenção maior, e a falta de explicações mais aprofundadas de algumas questões ainda incomoda. 
A ambientação ganhe mais atenção, L'engle foge do macro para o micro e acerta ao encarar o mundano e ao reforçar que o fantástico e científico na sua criação de mundo. As personagens principais mostram aqui um pouco mais de desenvolvimento e exploram suas características de forma que evidencie sua evolução sem perder a essência, para bem ou para o mal. E não se assuste se não encontrar alguns dos personagens presentes em Uma Dobra no Tempo. Apesar de comporem uma série e trazerem os Murry como protagonistas, cada história tem a intenção de ser independente com uma aventura fechada em si, apresentado todos seus elementos fundamentais e permitindo inclusive que leitura possa ser feita em qualquer ordem.
Porém acredito que o grande trunfo da obra, bem como da série, não resida na trama e nem mesmo em seus elementos base, mas sim nas mensagens e ensinamentos presentes na narrativa e a forma sensível a qual são trabalhados. Lições sobre o respeito a individualidade alheia, sobre a importância da união para qualquer progresso, sobre o amor ao próximo e o diálogo com resposta primária e não como uma opção destacável frente a qualquer conflito mínimo. Lições que trazer excelentes reflexões sobre o ser humano e mundo em que vivemos.
A edições da Harper Collins Brasil mantém seu padrão de qualidade e beleza desde a capas e aos mínimos detalhes do acabamento, arte interna das divisões de capítulos e diagramação. A beleza salta aos olhos e praticamente vendem a obra ao primeiro contato.
No somar dos pontos, Um Vento à Porta sai com um saldo positivo e executa com sucesso a tarefa de entregar, assim como seu antecessor, uma aventura mágica e despretensiosa, repleta de mensagens relevantes e conceitos extraordinários. Assim, mais uma vez, me vi envolvido e convidado a seguir com leitura da série para acompanhar e entender mais este universo e seus personagens.