quinta-feira, 24 de maio de 2012

Literaturando: Préludio Negro


 
Préludio Negro

Não havia lua no céu, o vento soprava forte balançando os galhos vazios daquelas arvores assustadoras. O uivar do Presa-de-prata tirava-lhe o sono, não imaginava como seus companheiros conseguiam dormir numa situação dessas. Saber que os seus perseguidores estavam tão perto e não fugir era demais para Vincyus, preferia avançar logo na direção ao lago imortal. Então acordou Sodan, Torden, e Millo. A elfa silvestre Naira já esta acordada, mas continuava recostada junto ao troco de uma das arvores, pegou suas coisas e pediu que fizessem o mesmo, não queria que fossem alcançados. Com a balestra em mãos voou um pouco para fazer guarda enquanto os outros se levantavam, Sodan alçou se rapidamente, pegou a mochila e colocou o escudo Maranwë no braço e ficou alerta. Logo após levantaram Torden e Millo, o anão pegou a mochila dele e a do pequenino, ele aguentava carregar muito mais peso sem que isso atrapalhasse a viagem. Empunhou seu machado para qualquer perigo eventual, o Presa-de-prata uivando tanto era sinal de que os orcs estavam por perto, apesar dos Barghests terem um acordo com os orc não confiavam neles. Sem o peso da mochila Millo estava mais apto a fazer suas acrobacias costumeiras, e em sua cintura, escondida na parte das costas estava a adaga Língua-de-sogra. Vincyus então desceu rapidamente, avistara sinais de fumaça, provavelmente a fogueira de um acampamento orc. Ao chegar ao chão deu por falta de Naira.
- Onde está Naira? Ela estava encostada ali a pouco – Vincyus estava tenso por saber que os orcs estavam próximos. Temia que a fogueira fosse apenas uma maneira de despistar os rastros. – Cadê aquela elfa maluca?
- Se acalma aí Eugênio! – então Millo começou a rir e todos ficaram olhando para ele. – Ah, qual é gente, essa foi boa. Eugênio entendeu? Eu Gênio. Vocês são muito chatos, não tem senso de humor.
- Calma gente e sem brincadeiras Millo, por favor. Se Naira sumiu temos que procurá-la, mas vamos esperar cinco minutos, ela pode ter ido apenas atender um chamado da natureza se é que entendem – falou Sodan para manter a calma no grupo.
- Esses silvestres só servem pra atrapalhar, que König Azer tenha piedade de minha alma – resmungou sempre mal-humorado Torden.
- Porque não ficam quietos? É possível ouvir vocês a quilômetros, ainda mais com esse anão sempre bufando e balbuciando. Se prestassem atenção de verdade veriam que estava no alto daquela arvore ali – disse Naira parada num galho baixo apontando pra uma grande arvore que ficava próximo onde eles estavam. Não viu nada, mas achou prudente avisar aos colegas e partirem como havia sugerido Vincyus – Não ouço barulho de orcs, e podem apostar que eu ouviria o grunhido de um orc a quilômetros, eles são tão barulhentos quanto anões. Vamos parir agora e aproveitar a vantagem. – Desceu ao chão e pegou a sacola e a aljava, deixou o arco a mão caso algum predador noturno aparecesse.
Caminharam por entre a mata por horas afinco até que pudessem do alto ver o lago imortal. Pararam um pouco para repor as energias, beber água e sentar um pouco, o sol já tinha nascido, mas ainda existia uma estranha neblina. Conversaram um pouco, discutiram o que sabiam sobre a historia do lago durante meia hora, até que veio a duvida de como era o objeto que estavam procurando e como iriam atravessar o lago para chegar à cidade imortal. Decidiram continuar até as margens do lago onde poderiam achar algum barco ou troncos para fazer uma jangada, e se fosse preciso até derrubar uma ou duas arvores. Demoraram a chegar devido ao estremo cuidado de Millo e Naira para não deixar muitos rastros a serem seguidos, junto ao lago havia apenas troncos velhos e antigo píer que parecia podre. Pararam para ver se não havia ninguém por perto, Vincyus teve um mau pressentimento sobre isso, ouviu-se um grito vindo da direção do pequeno píer onde Millo tinha ido. Sodan e Torden logo chegaram para ver o que havia acontecido, entretanto o jovem Millo estava pálido e assustado demais para responder, apenas apontava na direção do lago, então ouviram mais um grito, desta vez feminino. Torden carregou Millo enquanto Sodan corria na direção do grito, Naira estava caída e Vincyus estava de pé à beira do lago. Sodan olhava para a nevoa enquanto se aproximava de Vincyus seu escudo sagrado agora emitia uma luz esverdeada, totalmente diferente do azul que pulsava na presença de criaturas malditas, o que quer que fosse era algo novo. Na nevoa um pequeno barco se aproximava, uma caveira remava enquanto na proa uma mulher pálida coberta de mantos negros olhava para Vincyus fixamente.
- Venha Vincyus filho de Jahfar, eu agora o quero do lado de cá – disse a pálida mulher.
- Quem é você e de onde me conhece? Jahfar é nome do meu pai? Responda logo! – Vincyus tinha em si uma mistura de curiosidade e medo. Como essa mulher conhece tanto sobre mim sem eu nem ao menos lembrar dela pensou ele.
- Suas respostas serão respondidas no tempo certo feiticeiro. Eu conheço seu pai há muito tempo, e você desde que nasceu – a mulher falava como que por enigmas. Não era direta, mas não tinha intenção de disfarçar a verdade. – Eu tenho a melhor memória do mundo, a prova disso é que nunca esqueci ninguém.
- Diga logo quem é você bruxa! – disse Vincyus num surto de coragem. A verdade é estava morrendo de medo. E o medo só aumentou quando ele viu Sodan desmaiar. – O que fez com ele? Vamos fale seu nome!
- Me chamam por vários nomes, sou Aquela que sempre vem, A dama de preto, chamam-me Ceifeira, Dama da foice, Anjo da Morte ou simplesmente Morte. Mas prefiro que me chame apenas por Morrigan. – As pernas de Vincyus tremeram, seu sangue gelou e o coração parou. De repente sentiu-o bater fortemente por mais seis vezes, e na sétima caiu de joelhos. Olhou por debaixo do manto de Morrigan e viu apenas a dor da inexistência no vazio dos seus olhos. Então fechou os olhos, sentiu as forças o abandonarem e caiu...

O texto apresentado acima foi extraído da obra: Os livros de Kronor: Pergaminho em branco, de autoria de Ace Barros, eu mesmo, ainda não concluído.

Ace Barros

3 comentários:

  1. Uma linda postagem onde você fala bastante de um livro que acredito ser muito bom.
    Uma excelente divulgação .
    Um lindo final de semana beijos.
    Evanir.

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  2. Muito bom o texto! Curiosa pela continuação.
    *bye*

    Louca por Romances

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