terça-feira, 31 de março de 2015

A Lenda de Ruff Ghanor - O Garoto-Cabra

Nos Confins de uma terra inclemente, assolada por monstros e governada pelo terrível dragão Zamir, ergue-se o mosteiro de São Arnaldo. Os clérigos tentam viver em paz, sob o julgo do tirano, quando encontram um estranho garoto. Uma criança selvagem, dotada de poderes misteriosos, que luta como um adulto. Seu nome é como um rugido: Ruff Ghanor.
Descendente de uma linhagem esquecida de reis, Ruff Ghanor pode ser o escolhido para combater o dragão. vivendo no mosteiro isolado, ele cresce sob o peso de seu destino, cercado pelos amigos e amores de sua infância. Capaz de causar terremotos com as mãos e treinado desde cedo pelo rigoroso prior, Ruff tem um futuro de glória e sangue a sua frente.
Esta é a história de um jovem com um dever monumental, imposto por homens e deuses. Uma vida repleta de fúria e paixão, medo e fé. O início da jornada de um herói e de um rei.
Esta é a lenda de Ruff Ghanor.
Título: A Lenda de Ruff Ghanor
Subtítulo: O Garoto-Cabra
Autor: Leonel Caldela
Editora: Nerdbooks
Páginas: 320



Cenários de RPG e aventuras vividas por jogadores transformarem-se e/ou servir de inspiração para livros é algo que acontece com bastante frequência. No exterior é algo muito comum - muitos leitores nunca se dão conta disso - e em território nacional também temos exemplos disso, contudo duvido que exista algum que possua uma origem tão atípica quando A Lenda de Ruff Ghanor.
No princípio havia um Nerdcast, mas aquele não era um episódio qualquer. Era um episódio de RPG. Não obstante, aquele também não era um episódio sobre RPG como sempre fizeram. Era um episódio especial em que gravaram uma sessão de RPG. Esse fora o primeiro episódio de uma trilogia que até hoje se mantm entre os episódios mais baixados do podcast, e daí nascera o reino de Ghanor. A série querida entre os nerds ganhou um nome e um guia ilustrado oficial: Crônicas de Ghanor (o livro mais bonito da minha estante). Mas aquela história ainda estava destinada a ser mais. Para isso Alexandre Ottoni e Deive Pazos (Jovem Nerd e Azaghal) convidaram alguém com experiência em construir épicos a partir de cenários pré-existentes para contar uma nova história sobre aquele reino: o autor Leonel Caldela. Assim nascia uma lenda...
Quando os acólitos Irmão Niccolas e Irmão Dunnius foram incumbidos pelo Prior do Mosteiro de São Arnaldo para recuperar uma cabra fujona não esperavam encontrar com o jovem Korin, ou mesmo ter que adentrar o Túnel Proibido para tirar o garoto - que sismara em salvar a cabra - de lá. Porém, o mais surpreendente foi encontrar outro garoto, com cerca de sete anos, quase nu matando com as próprias mãos uma criatura reptiliana e se preparando para enfrentar outros dois. A maior surpresa do dia ainda estava por vir: o garoto franzino e ensaguentado, criou um terremoto ao socar o chão. 
Levado pelos monges o garoto é apresentado ao Prior, que logo enxerga o verdadeiro potencial naquele garoto. Depois de anos e anos de opressão e mortes sob os mandos e desmandos dos asseclas de Zamir, o temível dragão vermelho, os Deuses tinham mandado um sinal. Um escolhido para acabar de vez com o mal que atingia a todos. Mas antes era preciso treiná-lo, prepará-lo para seu desafio. Ali, no Mosteiro de São Arnaldo, Ruff encontrara um lar, uma família, amigos e amores, e acima de tudo um destino: acabar com o maldito dragão. Durante anos, acompanhamos a jornada do jovem e seus aliados, seu desenvolvimento, amadurecimento, vitórias e derrotas que o levarão a tornar-se uma lenda...
Quando fiz a leitura do livro, há um tempo atrás, decidi esperar passar a minha empolgação para poder uma resenha mais clara, e com menos elogios gratuitos. Se tratava um baita livro de fantasia, escrito pelo meu autor favorito, é claro que eu sabia que a empolgação falaria mais forte. O que não significa que agora, os elogios não existirão. Eles só estarão mais consistentes.
O autor consegue trabalhar muito bem as personagens da história, mesmo quando avança a trama em alguns anos, construindo bem os aspectos de suas personalidade e individualidade, enriquecendo-os e dando-os complexidade e carisma. Acompanhamos Ruff dedicar sua infância e adolescência a algo maior, tendo que abdicar de ser criança, ansioso para concretizar seu destino e então poder ter uma vida ao lado da garota por quem se apaixonou. Vemos Korin, o teimoso e dedicado filho de um guarda, que enfrenta qualquer perigo para estar sempre ao lado de seu amigo, o escolhido. Vemos o sofrimento e angústia de Áxia, filha da prostituta, que cuida de seu irmão doente e de uma senhora abandonada pelos aldeões - a quem sempre ajudou - por ser bruxa, e que encontra em Ruff um alívio e com ele descobre o amor. Vamos o sofrimento da oprimida aldeia, ano após ano, tendo que fornecer parte de sua produção, e alguns dos seus como escravos, para os asseclas do dragão, ansiando pelo dia em que tudo irá mudar.
Utilizando-se de uma narrativa fluida e linguagem simples em uma narrativa em terceira pessoa, Leonel Caldela faz de A Lenda de Ruff Ghanor um livro acessível, descomplicado e de leitura agradável e nem um pouco cansativa. Dramas, amores, ignorância, preconceito, amizades, tragédias e intrigas estão presentes na trama, aproximando o real e o fantástico. É claro, também temos batalhas constante e sempre bem descritas pelo Leonel. Aqueles que já conhecem o trabalho do autor, quase sempre com um realismo mais sujo e sombrio, notará que este é seu trabalho mais leve. Contudo, a vida continua dura e crua, não espere encontrar o colorido comum em livros fantásticos. O cenário, assim como a trama, é apresentado de forma linear e crescente, indo do micro (a pequena vila onde fica o Mosteiro de São Arnaldo) até o macro (o mundo fora da vila).
A obra se passa séculos antes das aventuras narradas nos programas de áudio e possui um clima totalmente diferente. Sendo assim, não é preciso tê-los escutado para apreciar a história. Apesar de ser interessante essa complementação, ambas funcionam muito bem como as obras independentes que são. E isso vale também para o Guia Ilustrado.
O livro é altamente recomendado não apenas para o fã de fantasia - por toda a qualidade que envolve a obra (histórico pregresso, trama, diagramação, revisão, projeto gráfico) e elementos contidos (magia, guerras, raças fantásticas, batalhas épicas, romance, segredos e traições) - mas para todos que procurem uma boa leitura, independente de gênero literário favorito. Fica o convite para conferir os áudios abaixo, com a dramatização de trechos do livro feita por dubladores profissionais conhecidos do público (vozes de Guilherme Briggs, Isaac Bardavid, Sergio Cantú, Gabriella Bícalho, Ronaldo Júlio) e ter uma prévia do material.
Quando estiver pronto, prepare suas armas e feitiços e una-se a Ruff em sua jornada. Por São Arnaldo!!!


2 comentários:

  1. Eita Giovana! Amo fantasias e livros com bruxas são melhores aindas *-*

    Adorei sua resenha! Super construída e já adicionei o livro a listinha :3

    Bjs!

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  2. Lendo a resenha, achei este livro um pouco semelhante à fantasia de As crônicas de gelo e fogo...
    (o garoto da capa parece ser o Gray, de Fairy Tail, não?)

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