terça-feira, 9 de junho de 2015

Cemitério de Dragões - Legado Ranger Livro 1











Um fenômeno desconhecido faz cinco pessoas, sem qualquer conexão e espalhadas pelo planeta Terra, acordarem em diferentes regiões de uma realidade devastada por um império de reptilianos e assolada pela escravidão. Os cinco iniciam uma jornada em busca de respostas para sobreviverem no centro de uma guerra envolvendo criaturas fantásticas e demônios dispostos a invocar perigosos seres abissais para servirem a seus propósitos.
Porém uma entidade pretende conectar o destino dos cinco humanos e armá-los com uma tecnologia construída à base de metal-vivo, magia e sangue de dragões. Uma tecnologia jamais vista naquela ou em qualquer outra dimensão, capaz de gerar heróis de metal.
Batalhas empolgantes, romance e magia. Esse é o universo épico de Cemitérios de Dragões , inspirado em uma visão adulta e sombria das antigas séries Tokusatsu, como Jaspion, Changeman, Flashman, Ultraman e tantas outras, que marcaram a infância de toda uma geração.
Cemitérios de Dragões
Série: Legado Ranger 1
Autor: Raphael Draccon
Editora: Rocco/Fantástica 
Páginas: 352


Raphael Draccon sempre foi um autor que me intrigou desde a primeira obra que li. Por mais que nunca houvesse me conquistado plenamente em nenhuma leitura, sempre admirei seu trabalho e me fascinei pelos elementos e conceitos trabalhados no plano de fundo de suas histórias. Apesar de ter lido todos seus livros, ainda esperava uma obra que prendesse minha atenção e agradasse de modo geral. Foi então que veio a sua sexta obra reverenciando o gênero tokusatsu com seus heróis de metal, homens fera e super sentai...
A trama de Cemitério de Dragões conta a história de cinco jovens (Derek, o militar Americano - Amber, a garçonete Irlandea - Ashanti, uma guerrilheira de Ruanda - Daniel, um hacker Nipo-Brasileira - Romain, um dublê Francês) que despertam em locais diferentes de outro mundo, em memória de como deixaram a terra e chegaram até lá. Seu novo "lar" é uma dimensão sombria - conhecida como O Cemitério - repleta de criaturas estranhas e que enfrenta a ameaça de dominação por parte do demônio escravagista Asteroph e sua leal general Ravenna, que planejam fazer do lugar o Décimo Circulo do Inferno. Buscando respostas o caminho dos cinco irá se cruzar com o de seres fantásticos, entidades antigas, defensores dimensionais, e por fim precisarão de tornar-se guerreiros em armaduras de metal vivo e sangue de dragão para evitar o fim de uma dimensão e encontrar o caminho de casa.
O livro é narrado em terceira pessoa através de capítulos curtos que acompanham os personagens de maneira intercalada até chegar ao ponto onde os núcleos vão se unindo. A narrativa do autor parece ter evoluído desde de seu último trabalho até aqui e isso reflete na construção do cenário, descrições, cenas e ritmo que ganham mais substância e não sofrem com quebras nos momentos mais calmos e nem nos de mais ação. Apesar de claro, ágil e simples, o texto apresentado é maduro e sombrio em diversos momentos: sangue, violência e morte são elementos constante na história. Os personagens são carismáticos, humanos e bastante críveis, embora muito sobre eles fique em abertos.
Uma característica que achei bem trabalhada nesse livro foram as referências as obras que serviram de inspiração para o autor (até as famosas faíscas tem uma boa explicação). Por mais que alguns digam algo sobre plágio, falta de criatividade e fanfics, a verdade é que o autor soube fazer algo original e nostálgico, retrabalhando elementos que fizeram parte de sua vida.  Algumas são muito óbvias (apesar de ter visto muita gente confundido) e outras são mais obscuras como os monges leões de Taremu e sua Dádiva, uma referência o tokusatsu Lionman (uma dádiva dos ninja), e também ao material chamado metálider, referência ao metal hero Metalder. A verdade é que muitas delas só são notadas por pessoas que tenham mais de 25 anos e assistiam ou viram muitas reprises na extinta TV Manchete, fãs do gênero, ou nerds como eu que seguem os ensinamentos do ET Bilu e apenas buscam conhecimento. Além disso Draccon reverencia sua própria obra, dando impressão de que, apesar de nunca ter revelado assim, há uma conexão entre seu universo.
O livro é claro não é perfeito. Os diálogos dos personagens que muitas vezes soam forçados, principalmente os protagonizados por Romain e Daniel - dupla que serve como tentativa de alívio cômico - repletos de referências desnecessárias a Cultura POP. A agilidade da trabalha não permite um maior trabalho com os personagens e, embora carismáticos, conhecemos alguns mais do que outros e apenas de maneira suficiente para que a trama ande. A revisão, apesar de boa, ainda deixa passar alguns erros.
A parte gráfica é muito boa: uma bela capa, diagramação simples e funcional com uma ilustração de dragão no inicio de cada capítulo. Contudo a escolha de usar fontes diferentes para representar os idiomas falados em alguns casos pode ser incômodo pois não acrescentam à leitura, sendo apenas fator estético.
Cemitério de Dragões foi o primeiro livro do Raphael Draccon que me agradou por inteiro, apesar dos defeitos apontados. Não mais apenas um pedaço ou um conceito como aconteceu das outras vezes, mas por um conjunto da obra bem executado, divertido e envolvente, sem pretensões de ir além do que se propõe. Uma história original, criada a partir de elementos familiares ao grande público, capaz de agradar àqueles que buscam uma boa aventura.


7 comentários:

  1. Oi Ace,
    não conhecia o livro, mas confesso que não me chamou atenção, eu amo diálogos, e como você comentou que eles não são muito bons, já me desanimou.

    bjos
    http://blog.vanessasueroz,com.br

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  2. Olá, Ace.
    Bem, como comentei sobre o livro lá no Multiverso, você já sabe a minha opinião.
    Sua resenha mudou bastante a minha visão sobre a obra, não imaginei que fosse tão boa. Ao contrário, pensei que fosse infantil demais e também fosse uma espécie de imitação. Bom saber que não é assim.
    No futuro irei conferir a obra.

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  3. Então, Ace, apesar da sua ótima resenha sobre o livro, não me interessei pela leitura. Não curto livros do gênero fantasia, e achei que esse livro mistura muito (ou talvez seja assim mesmo) os seres, homem de metal, demônios, homens fera, e outras criaturas fantásticas.

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  4. gostei do livro, pelo jeito a historia é bem bacana, é uma pena que nao vou entender muitas das referencias que o autor faz mas mesmo assim vou tentar acompanhar.

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  5. Gosto muito de fantasia e sua resenha acabou me chamando atenção porque vamos comentar né? Demônios, pessoas presas em outra dimensão sombria? Com certeza fiquei no mínimo curiosa...

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  6. Ace!
    Não li nada do Raphael ainda, mas tenho muita vontade, porque gosto do estilo de fantasia que ele escreve.
    E fico feliz que esse livro o tenha agradado por inteiro, diferente dos anteriores.
    Gosto dos livros com "sangue, violência e morte são elementos constante na história." E gostaria de ler.
    “A sabedoria começa na reflexão.”(Sócrates)
    Cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  7. Ainda não li nada do Draccon, mas sempre achei interessante essas misturas e referências que ele faz. Sempre consegue encaixar tudo direitinho. Sou da geração feliz que acompanhou alguns dos mais famosos Tokusatsus, e assim que comecei a ler a resenha, já fiz logo algumas ligações, principalmente com os "Changeman" e "Flashman". Mas vi que tem mais por aí. Enfim, bom saber que a escrita dele está mais madura. E, como bom amante do gênero, claro que vou querer ler.

    @_Dom_Dom

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