quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Quissama: O Império dos Capoeiras - O Livro

Rio de Janeiro, dezembro de 1868.
O moleque Vitorino Quissama foge da senzala para procurar a mãe desaparecida. Recorre ao viajante Daniel Woodruff, ex‑agente da Scotland Yard que pode ajudá‑lo em sua missão. Transitando entre os salões da corte e as precárias moradias dos cortiços, a dupla terá de enfrentar os perigos e as injustiças de uma sociedade sustentada pelo trabalho escravo.
Baseado nos manuscritos de Daniel Woodruff (1832-1910), O Império dos Capoeiras reconstitui a saga de uma cidade dividida pela guerra secreta dos Nagoas e Guaiamuns, duas das maiores e mais temidas maltas do século XIX. Numa época em que o escritor José de Alencar era Ministro da Justiça e o Império do Brasil destinava todos os seus recursos à Guerra do Paraguai, Woodruff mal podia imaginar que, por trás da busca pessoal de Vitorino, insinuava‑se uma conspiração que mudaria os rumos da nossa História.
Título: Quissama - O Império dos Capoeiras
Autora: Maicon Tenfen
Editora: Biruta
Número de Páginas: 308


Há alguns meses atrás me deparei com o financiamento coletivo de um boardgame - um jogo de tabuleiro - com produção e temática totalmente brasileira; o tal jogo trazia elementos históricos e culturais da época do Brasil Império e falava de um Rio de Janeiro ainda colonial, com escravos capoeiras e disputas por influência. O melhor de tudo fora saber que ambientação que norteava a temática do jogo era um livro homônimo: Quissama - O Império dos Capoeiras.
Curioso com tudo aquilo, logo tratei de apoiar o projeto adquirindo um pacote especial que me dava direito ao jogo e ao livro, e logo indiquei ao Marcos de Souza do Desbrava(dores) de Livros - que logo leu e adorou (e de quem tive o desplante de roubar as fotografias para ilustrar a postagem) - e também trouxe a dica aqui para o blog. Possa ser que não a tenha conferido naquele momento, mas recomendo agora aproveitar esta nova chance...


O ex-agente da Scotland Yard, Daniel Woodruff, está aproveitando os seus últimos dias no Rio de Janeiro. Suas aventuras por aqui renderam-lhe reconhecimento e prestígio entre o povo e os mais abastados após desvendar o mistério por trás do desaparecimento de uma querida atriz de teatro. Porém não o suficiente para que um Barão permitisse que se engraçasse com sua filha.
Enquanto afogava as mágoas e se despedia de Araújo e sua bodega, o inglês é completamente surpreendido com a aproximação de um jovem capoeira com um pedido inusitado. O garoto de nome Vitorino Quissama, buscava o paradeiro de sua mãe, escrava vendida por seu antigo proprietário, e oferecia um caríssimo colar como recompensa. Ciente de que o jovem, muito provavelmente um escravo fugido, não teria condições de possuir um colar como aquele preferiu recusar a proposta. Em breve havia de partir para Liverpool e não queria confusões.. 
Escravocratas, joguetes políticos, guerras entre grupos de capoeira, injustiças, traições e dissabores amorosos. Mal sabia que pelo simples fato daquela conversa ter acontecido, Woodruff já estava metido até o pescoço em uma conspiração que mudaria os rumos da nossa História.
O livro é tratado como uma tradução dos escritos do personagem Daniel Woodruff feita pelo autor. Toda a trama é narrada em primeira pessoa, na forma de relato pessoal, pelo detetive inglês com uma linguagem condizente com da época, mas com a agilidade e fluidez dos clássicos livros polícias. A intenção do autor - conforme revelado em entrevista - foi usar do recurso dos manuscritos para dar mais veracidade à história e fazer uma brincadeira com a pratica utilizada por romancistas do século XIX, tal qual José de Alencar que figura entre os personagens da obra. 
Para conseguir tal feito Maicon Tenfen se aprofundou bastante na história do Brasil e da Capital Imperial: o Rio de Janeiro. Os reflexos de sua pesquisa são visíveis a cada detalhe social, político e estrutural apresentados, e enfatizados pelas participações de figuras públicas históricas como a família imperial (o imperador Dom Pedro II, a Princesa Isabel e o Conde d'Eu) e eventos importantes como a Guerra do Paraguai e a Lei do Ventre e Livre. 
Os personagens da trama são carismáticos e cumprem suas funções muito bem, até mesmo aqueles que pouco aparecem, mas ainda assim exercem influência direta sobre a trama. Maicon sabe bem como trabalhar um livro clássico de mistério e investigação, e acrescenta um elemento pouco tradicional ao gênero: a ação. Em diversas cenas completamente cinematográficas o autor nos convence da beleza e magnitude da capoeira, e também do perigo que seus praticantes representavam. 
Quissama foi um livro que me agradou também pelas escolhas gráficas. As ilustrações de Rubens Belli enriquecem o imaginário do leitor e logo me remeteram à série de livros de outro investigador inglês - Sherlock Holmes - lançada pela Editora Melhoramentos. O trabalho de diagramação e editoração, além de embelezar a obras nos causa uma familiaridade como se pertencesse mesmo ao periódo que a trama propõe.
Dito isso, me sinto obrigado a concordar com o amigo Marcos e terminar a minha resenha de forma semelhante, ao dizer que por todos os pontos acima citados, torna-se impossível não indicar a obra para todos. Quissama - O Império dos Capoeiras figura, sem qualquer sombra de dúvida, entre as melhores leitura feitas no ano, e se provou um investimento muito bem feito. Que logo venham mais aventuras do detetive bretão e de capoeirista atrevido.


3 comentários:

  1. Olá, Ace.
    Sabia que você iria curtir a obra. Ela foi realmente muito bem estrutura e é possível ver um processo de pesquisa longo para a estruturação da narrativa.
    Certamente, quem desbravar a obra irá curtir a leitura.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do top comentarista de dezembro. Serão dois vencedores!

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  2. Oi, Ace, tudo bem?

    Eu conheci Quissama justamente através do blog do Marcos↑ e fiquei encantada com tamanho cuidado e dedicação. Escrever um livro assim não é fácil e, assim como disse o Marcos, dá pra gente perceber que tudo isso envolveu uma vasta pesquisa.
    As ilustrações do livro dão um toque a mais na obra e a capa é linda.
    Eu não costumo ler livros que falem sobre essa época triste da nossa história, me sinto mal, mas com certeza abriria uma exceção para Quissama! :)

    Beijo
    - Tamires
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  3. Para vocês!!!! Segunda resenha que leio e que me dá vontade de ler o livro. Claro que é a do Ace e a do Marcos. Complô desses dois!

    Adorei a resenha!!!! Acho que vou curtir muito o livro!!

    Bjksssssss

    Lelê

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