terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Steampunk Ladies: Vingança a Vapor








Em um mundo dominado pela violência de foras da lei com próteses mecânicas, nenhum homem era páreo para eles. Até que duas mulheres movidas a vingança e a vapor resolvem desafiar esses bandidos metade homens, metade máquinas.
Como saquear um locomotiva blindada considerada indestrutível? O que um dos maiores inventores do país tem a ver com isso? Tudo isso é parte do plano diabólico para o maior roubo de trem da história, orquestrado por Lady Delillah! Mas em seu caminho estão Sue e Rabiosa, mulheres que têm em comum destinos trágicos pela mão da criminosa. Para elas, mais difícil do que evitar este assalto é provar que duas damas podem ser as protagonistas de sua própria história no ambiente hostil do velho oeste.
Título: Steampunk Ladies – Vingança a Vapor
Roteiro: Zé Wellington / Arte: Di Amorim e Wilton Santos / Cores: Ellis Carlos
Editora: Draco
Páginas: 72
Formato: 17 x 24 cm, brochura


Como bem definiu meu bravo companheiro de Multiverso X - Airechu - em sua resenha: O futuro de um passado que nunca se concretizou. Talvez essa não seja a explicação mais completa, mas sintetiza bem o que seria o clima de uma obra Steampunk: uma realidade na qual a tecnologia mecânica a vapor teria evoluído até níveis impossíveis mudando os rumos da História e a sociedade como conhecemos. Tente entender o Steampunk como uma evolução paralela da história, onde através de máquinas a vapor e grandes engrenagens chegamos a avanços tecnológicos significativos como membros mecânicos, aeronaves, automóveis e robôs. Claro, tudo com uma influência visual vinda de um período entre Revolução Industrial a o início do século XX.
Mergulhando nessa vertente da Ficção Científica é que encontramos a HQ nacional Steampunk Ladies: Vingança a Vapor, publicada pela Editora Draco. A obra que conta com roteiro de Zé Wellington e ilustrações de Di Amorim e Wilton Santos, transporta a tradicional ambientação vitoriana do gênero steampunk para o cenário árido e aventuresco do velho oeste americano e adiciona peso a obra com a presença e uma forte atuação feminina na história.
Como uma boa trama com clima western, a história de Steampunk Ladies se inicia com o clássico e clichê assalto a banco. Os responsáveis pelo ataque são os Irmãos Bolton, um bando procurado e temido por suas ações violentas pela região. Contudo o delegado e seus ajudantes não estavam devidamente preparados para detê-los. Equipados com estranhos e avançados maquinários nunca visto no Velho Oeste, os bandidos levam do banco o cofre inteiro.
E isso é apenas um aperitivo, não o plano final. A mente por traz da onda de crimes é uma mulher conhecida como Lady Delillah deseja algo muito maior e não medirá esforços para alcançar. No meio dessa trama surgem nossas heroínas Rabiosa e Sue, unidas pelo desejo de vingança contra Delillah e os Bolton e dispostas a arriscar suas vidas para alcançar seu objetivo.
Steampunk Ladies nos apresenta uma trama repleta de ação, mas com espaço para reflexões, sem perder o ritmo que a aventura se propões. A jornada das heroínas em busca de justiça é maior do que aparenta e abre espaço para que novas aventuras aconteçam, fazendo com que tanto cenário quanto personagens se desenvolvam.
Através de momentos de flashback utilizados para fortalecer as motivações das personagens e enriquecer a trama principal, Zé Wellington nos entrega mais do que apenas simples uma aventura Bang Bang com traquitanas a vapor. Existe em conjunto com a trama de ação espaço para discussões sobre a questão feminina e o seu papel na sociedade, a violência, a submissão e liberdade (de expressão, comportamento e muito mais). Vemos tanto nas protagonistas quanto na antagonista personagens fortes e bem construídas, independentes, e dispostas a rever seu lugar no mundo. O autor utiliza os diálogos muito bem para construir essas questões. É claro, é bom lembrar que as reflexões sofrem com limitação imposta pelo pouco espaço já que esta é uma HQ de menos de 100 páginas.
A arte feita pela dupla Di Amorim e Wilton Santos, harmoniza muito bem com o clima almagamado de western e steampunk, e além de ser muito bonita mantém a narrativa viva e dinâmica. O trabalho de cores - como bem destacou o Airechu na resenha já citada anteriormente - também contribui para aclimatização do leitor à aridez presente do cenário da obra. Pode confiar: o clássico clima de eterno por do sol empoeirado estará a sua espera.
Para não ser apenas elogios, preciso destacar a questão que me incomodou bastante durante a leitura e fomentou um debate com meu caro colega de blog: ambos notamos na arte das personagens um ponto de contradição ao discurso feminista apresentado no conteúdo. A sexualização presente no design das mulheres, mesmo que produzida de forma involuntária se adequar ao padrão tipico das comics americanas ou algo do tipo, pode servir de desestimulo para alguns leitores. Não acho que mereça uma atitude tão radical, já que o próprio autor já disse ter se dado conta da questão, pediu desculpas e disse que deve consertar a questão em edições futuras. 
Por fim digo que Steampunk Ladies é sem dúvidas um quadrinho nacional de alta qualidade que vale a pena ser lido tanto por ser encarado como entrada para o retro-futurista gênero steampunk, quanto pelo viés reflexivo sobre a posição social da mulher e emponderamento feminino. Acima de tudo Steampunk Ladies é uma obra divertida que faz você terminar a leitura desejando por mais.

Um comentário:

  1. Oiii!!!Tudo bem?
    Posso dizer que o que mais me chamou a atenção para esse quadrinho foi a presença de próteses mecânicas. Eu simplesmente as amo! ~Lele meu amor por Fullmetal Alchemist e suas próteses sendo ativado~ Acho interessante a forma que o autor harmoniza western e steampunk,pelas imagens que você colocou. Gostaria de lê-lo.
    Um grande abraço e até a próxima.
    >>Dhessy

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