terça-feira, 1 de março de 2016

A-LII: Silenciados



Em um mundo devastado pelas Terceira e Quarta Guerras Mundiais, A-LII, um clone criado em cativeiro, começa a questionar sua existência, enquanto Will, um garoto crescido nos subúrbios de uma Londres destruída, luta pela sobrevivência de sua família. O que ninguém espera é que, juntos, esses dois possam ser a chave de uma revolução contra a opressora Voz. Mas qual será o preço pago pela liberdade?



Título: A-LII - Silenciados
Autor: Ana Macedo 
Editora: Novo Século 
Número de Páginas: 320

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Em A-LII, encontramos um mundo destruído após mais dois grandes conflitos mundiais, onde um governo unitário e autoritário conhecido com a Voz administra toda a sociedade. Mesmo impondo uma lei dura e silenciando seus opositores ainda existem existem que querem ser ouvidos. Porém a desigualdade atinge muito mais que o âmbito de controle politico da sociedade. Abaixo dessas questões uma categoria não tem nem mesmo o direito de serem pessoas: os clones.
Criados pelos humanos para satisfazer desejos pessoais (de cunho sentimental, sexual, entretenimento, etç) e para substituir o uso de animais como cobaias em experimentos de todos os tipos, os clones são consideradas abomináveis, seres sem alma, descartáveis. A-LII (A-52) ou Allie, como vem a ser chamada a partir de determinado momento da história, é um desses clones e foi condicionada para não pensar, não sentir e não questionar. Cinquenta e Dois sabe que seu lugar é abaixo de todos na escala social, sabe que não é nada e que se está viva é apenas porque deve servir. 
Mas no fundo talvez ela saiba que não é assim que as coisas deveriam ser...
Ao mesmo tempo conhecemos William, ou simplesmente Will, um garoto humano próximo de completar a maioridade (17 anos) que vive em uma família problemática, nos subúrbios de Londres. O pai, um ex-soldado, se tornou um bêbado inveterado após eventos traumáticos em campo de batalha e vive a descontar seus problemas em surras distribuídas pela família, mas tem Will e a esposa como principais vítimas. A mãe, Elene, se prostitui para tentar trazer algum alimento para casa enquanto Will tenta criar seus dois irmãos pequenos da maneira que consegue. O jovem, treinado pela Voz para virar um soldado no combate contra os rebeldes, gostaria de poder fazer mais para mudar sua situação, mas sente não pode fazer nada para que isso aconteça.
Mas no fundo talvez ele saiba que por mais que se esforce essa não é a verdade...
Will e Allie não sabem, mas tem muita coisa em comum. O ódio pelo governo e a sociedade mesquinha que acabou por destruir suas vidas talvez seja a principal delas. E é na busca por vingança (acima de justiça) que seus caminhos acabam se cruzando. Não antes de passarem por bastante sofrimento.
Ana Macedo entrega nos entrega uma distopia com doses de ação e adrenalina, mas escrito para chocar, indignar e gerar questionamentos. Não serão poucas as vezes que você se verá incomodado durante a leitura, principalmente nos capítulos narrados pela clone A-LII.
Preciso destacar aqui que o ponto forte do livro a meu ver está na narrativa impressa por Ana a medida que desenvolve a jornada dos dois personagens protagonistas. A trama é contada através do ponto de vista alternado de Allie e William de forma intensa, com sensações reforçadas por frases curtas e repetições de palavras em momentos oportunos, escolhidas a dedo para retumbar na mente do leitor o impacto dos acontecimentos narrados, mesmo quando os próprios personagens não são capazes de entendê-los de pronto.
O ritmo dos acontecimentos no entanto pode acabar sendo incômodo para alguns leitores (como foi o meu caso). Construir o personagem não deve ser algo rápido, eu sei, ainda mais quando a muito a se aprofundar, mas a falta de ação ou maior aprofundamento sobre o cenário enquanto isso ocorre pode fazer o leitor abandonar a leitura. Os maiores acontecimentos da trama - que ligam os personagens e não suas jornadas individuais - acontecem apenas após a página 180 do livro e isso não é pouca coisa. Talvez isso tenha feito com que a minha leitura tenha sido um pouco mais rasa e eu tenha deixado escapar detalhes mais profundos e importantes sobre o mundo de A-LII, pois senti em diversos momentos que me faltavam respostas para unir os recortes que acumulei durante a jornada.
Como toda boa distopia a obra está repleta de questionamentos e críticas, onde podemos destacar aquela feita a comodidade, ao silêncio perante tudo o que está errado. E na trama não faltam cenas fortes, que deixam os nervos à flor da pele, te chocam, deixam indignados e geram reflexões. 
Apesar de ter gostado da escrita da autora e da narrativa rápida e impactante, não me senti conquistado ao fim da leitura e caso houver uma sequência, dificilmente hei de ler. Novamente sou forçado a dizer: você precisa conferir a obra para tirar suas conclusões e ter seu próprio aprendizado. A minha experiência pode não ter sido das melhores, mas o seu olhar pode enxergar além do meu e trazer uma riqueza de detalhes muito maior para a discussão. 



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