quinta-feira, 31 de março de 2016

O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur

Lutando para se adaptar ao mundo dos mortais, Adapak se refugia no navio de Sirara, farto de lidar com os segredos do passado. Mas quando um antigo diário cai em suas mãos, o Espadachim de Carvão acaba por mergulhar nos registros de alguém responsável por influenciar não somente sua vida, mas a história de Kurgala – uma menina forçada a acompanhar a jornada de um ladrão desesperado, disposto a violar as regras mais antigas que os Quatro Que São Um deixaram para trás.
Quem foi Puzur? O que procurava? Enquanto viaja pelas páginas do tempo, Adapak desconhece que sua curiosidade está prestes a colocá-lo sob a ameaça de algo que ele mesmo possa ter desencadeado.
Título: O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur 
Série: O Espadachim de Carvão
Autor: Affonso Solano
Editora: Leya
Número de páginas: 192



Talvez eu deva começar essa postagem com dois alertas: esse livro dificilmente será a sequência que você esperava ver de O Espadachim de Carvão; por fim, ninguém viaja mais rápido que Puzur (essa segunda questão fará apenas adiante). A partir daqui assumo que você já deve estar temeroso (a) e/ou até confuso (a), mas não há motivos para tal. Pode ficar tranquilo (a). Apesar de dar a entender algo diferente, em momento algum disse que a obra da qual trataremos é ruim, apenas que ela está longe de ser o que convencionou-se a encontrar em continuações e séries. Na verdade é justamente isso que garante uma boa surpresa na obra.
O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur faz mais do que dar continuidade a narrativa que acompanha o jovem herói Adapak. O livro expande o universo criado pelo autor - elemento criativo que já havia sido bem construído e apresentado no volume anterior - de modo conciso e controlado, sem megalomania e absurdas pretensões. Apesar das poucas páginas temos uma grande crescente de desenvolvimento e informação que tornam o cenário mais rico e interessante. Mas antes de entrar nesses detalhes, mergulhemos nas páginas dessa aventura...



Tal qual no primeiro volume da série a narrativa é apresentada de forma não linear. Contudo dessa vez não intercalamos mais entre o passado e presente de um mesmo personagem. Acompanhamos Adapak, nosso herói, após o desfecho do livro anterior e no passado acompanhamos a jornada de Puzur e Laudiara. E dessa forma, intercalando presente e passado, o livro segue até o final. Esse detalhe pode desagradar a quem ache confuso essa alternância, ainda mais pelo fato de Puzur ter mais destaque na história que Adapak, mas a experiência de ler está obra é recompensadora. 
Volto a afirmar o que foi dito na resenha anterior: "Affonso Solano faz um trabalho com muito primor e carinho. Os personagens são muito bem construídos e envolventes, mesmo os coadjuvantes com a menor das participações. Solano mantém sua narrativa, sempre que possível, próxima ao real, mesmo se tratando de um livro de ficção fantástica."
Sobre o cenário nem preciso muito comentar. Se a variedade de culturas e raças sapientes diferentes que habitam Kurgala já nos fazia desejar por mais informações e ilustrações no volume anterior,  esta vontade ficou ainda maior quando temos esse universo expandido. Quem sabe um guia sobre os habitantes daquele mundo, não só das raças como as criaturas que também habitam a fantástica terra dos Quatro Que São Um? O cenário é tão rico quanto a distante galáxia de Star Wars. Já deixei claro, mas é sempre bom ressaltar a riqueza de detalhes e beleza da construção da realidade criada pelo autor.
Apesar de O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur ser o segundo da série de livros que narra as aventuras de Adapak, futuramente podemos ver mais coisas sobre o universo de Kurgala sem necessariamente estar ligado ao espadachim. Na verdade já vemos essa ideia tomar forma durante todo o livro graças a expansão do cenário, e ser executada com a HQ Crônicas do Espadachim de Carvão - Tamtul e Magano e a ameaça de Rumbaba. Algumas podem achar isso ruim, mas particularmente acho muito bacana essa característica.
Affonso Solano foi feliz na escolha na adição de novos elementos e personagens que enriqueceram ainda mais sua obra; e isso feito em uma quantidade menor de páginas é ainda mais digno de nota. Mais uma vez está de parabéns, o desfecho da obra cria uma expectativa enorme, e torço para que os próximos livros sejam ainda melhores. Recomendo à todos a leitura!



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