quarta-feira, 4 de maio de 2016

Quando Tudo Volta

Uma morte por overdose. Um fanático estudioso da Bíblia. Um pássaro lendário. Pesadelos com zumbis. Coisas tão diferentes podem habitar a vida de uma única pessoa? Cullen Witter leva uma vida sem graça. Trabalha em uma lanchonete, tenta compreender as garotas e não é lá muito sociável. Seu irmão, Gabriel, de 15 anos, costuma ser o centro das atenções por onde passa. Mas Cullen não tem ciúmes dele. Na verdade, ele é o seu maior admirador. O desaparecimento (ou fuga?) de Gabriel fica em segundo plano diante da nova mania da cidade: o pica-pau Lázaro, que todos pensavam estar extinto e que resolveu, aparentemente, ressuscitar por aquelas bandas. Em meio a uma cidade eufórica por causa de um pássaro que talvez nem exista de verdade, Cullen sofre com a falta do irmão e deseja, mais que tudo, que os seus sonhos se tornem realidade. E bem rápido.
Título: Quando Tudo Volta
Autor (a): John Corey Whaley
Editora: Novo Conceito
Número de páginas: 224

Quando Tudo Volta, já se inicia com uma morte marcante: o primo do Cullen, filho único de sua tia, irmã gêmea de sua mãe. Oslo morre de overdose e Cullen o descreve como o segundo cadáver que vira na vida e foi justamente ele quem reconheceu o corpo. Cullen leva uma vida parada, em uma cidade ainda mais parada onde nada acontece. E, ainda somado a isso, não tem muitos amigos, nem faz questão de tê-los. Seu irmão Gabriel, em contrapartida, é popular e rodeado de admiradores, inclusive o próprio irmão.
Benton Sage, é de uma família muito religiosa, parte para uma missão na Etiópia e acaba se frustrando lá ao descobrir que não tinha muito a fazer. Ele decide retornar para casa, porém não é bem recebido pelo pai, um fanático religioso que exige demais dele. Quando parte para faculdade acaba cortando todos os laços com a família e faz amizade com seu colega de quarto Cabot Searcy. No começo, Cabot acredita que há algo de errado com o Benton, mas depois eles acabam mesmo desenvolvendo uma boa relação. E é durante as férias do natal que Benton comete suicídio. Cabot fica surpreso quando ninguém da família aparece para recolher os pertences do filho e decide tirar as coisas dele do quarto e encaixotá-las. Durante o serviço, ele encontra o diário do Benton e crê que aquilo é um sinal. Inclusive, ao buscar algumas coisas relatadas no diário, como o livro apócrifo da Bíblia intitulado Enoque, as buscas não param e se tornam uma compulsão.
Porém, na cidade que não acontecia nada surgiu um boato que um pássaro dado como extinto, o pica-pau Lázaro, estava por lá. Logo, um estudioso aparece por lá e uma multidão de curiosos junto com ele. E é no meio de toda essa confusão, que Gabriel some misteriosamente e o último a vê-lo em casa, antes de se encontrar com a recém-separada Alma Ember, mesmo indo sem nenhuma vontade, é seu irmão Cullen. Quando os dias e semanas passam e Gabriel não aparece (e as pessoas estão se preocupando mais com o pássaro sumido do que com seu irmão), Cullen decide procurá-lo mesmo sem nenhuma pista.
Confesso que no começo fiquei muito confusa porque não entendia o que dois personagens diferentes (Cullen e Cabot), em locais diferentes e sem nenhum contato fariam ali juntos. Mesmo que minha experiência com livros policiais me dissesse que, em algum momento, as histórias se cruzariam. Outro ponto que há no livro, e que para quem não tem muita familiaridade pode se atrapalhar, é o fato de as duas histórias serem contadas em tempos diferentes. Elas não são simultâneas, mesmo quando se cruzam. Ainda há o mistério central do livro, que é onde Gabriel foi parar. Imaginei inúmeras coisas, mas nenhuma delas foi o que realmente aconteceu, sendo assim, o mistério acontece de verdade. O motivo do sumiço é muito louco, e gente, foi até difícil falar deste livro, com medo de falar demais e soltar spoilers. Creio que todos que lerem terão a mesma sensação que eu. Mesmo não sendo difícil de acreditar que estas coisas acontecem, porque acontecem e muito, ainda assim é muito complicado compreender.
Sou um tipo de leitora que ama livros que mexem com a mente e que também abordam a mente humana, e este livro cumpriu bastante este quesito. No começo, pelo menos até o sétimo capítulo, a leitura estava amarrada e muito parada, mesmo com duas mortes no caminho. Como segui em frente, percebi que a complexidade do livro era muito interessante, e me arrependeria muito se não continuasse lendo. Este livro ao terminar, me deixou de presente uma sensação muito louca, creio que pelo fato dele abordar tantas coisas, em um livro tão curto. Mas foi uma sensação boa, e recomendo a todos que gostam dos livros do gênero.

Priscila Gonçalves

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