quinta-feira, 19 de maio de 2016

Vikings

Ragnar Lothbrok (Travis Fimmel) é o maior guerreiro da sua era. Lider de seu bando, com seus irmãos e sua família, ele ascende ao poder e torna-se Rei da tribo dos vikings. Além de guerreiro implacável, Ragnar segue as tradições nórdicas e é devoto dos deuses. As lendas contam que ele descende diretamente de Odin, o deus da guerra.
 Produzida pelo History Channel, Vikings apresenta os famosos exploradores, comerciantes, guerreiros e corsários nórdicos a partir do seu ponto de vista.
 A história é centrada em Ragnar Lothbrok (Travis Fimmel, deBeast), um agricultor e guerreiro que acredita ser descendente direto do deus Odin, que decide partir e lutar para conquistar novas terras.
Título: Vikings
Lançamento/Duração: 2013 - 50 minutos/episódio
Temporadas: 4 (50 Episódios) - Gênero: Ação/Thiller
Classificação: 18 - Não recomendado para menores de 18 anos
Elenco: Travis Fimmel, Clive Standen. Katheryn Winnick, Jessalyn Gilsig, George Blagden. Gustaf Skarsgård

IMDB FILMOW - NETFLIX

A cultura nórdica é uma das mais referenciadas da atualidade, principalmente a parte mitológica, mas a verdade é que pouco conhecemos sobre os habitantes do norte, sua cultura e história. Poucas vezes notamos sua importância ou influência na cultura ocidental, mesmo quando suas divindades dão nomes a dias da semana - em inglês - e estão nos calendários vistos diariamente: Tuesday ou Týr's day (Dia de Týr, deus da Guerra), Wednesday ou Wodan/Ódin's day (Dia de Ódin, Pai de Todos), Thursday ou Thunder/Thor's day (Dia de Thor, deus do Trovão), e Friday ou Frigg's day (Dia de Frigga, deusa mãe e esposa de Ódin).
Felizmente, graças a essa variedades de produtos e citações, temos a chance encontrar um caminho para aprofundarmos ou dar um ponta-pé inicial no desbravamento dessa cultural. A cultura pop possui diversos caminhos para tal, e talvez o que mais esteja em voga no momento seja justamente a série Vikings.
Inspirada nas Sagas do século XIII, a série de TV do canal History conta a história do lendário chefe viking Ragnar Lothbrok, famoso por se tornar rei da Dinamarca e por liderar diversas incursões de saque, exploração e comércio na Europa.  
Na narrativa acompanhamos Ragnar ainda como um jovem guerreiro viking que anseia por descobrir novas civilizações além dos mares. Juntamente com seu amigo, o hábil artesão Floki, ele constrói uma nova geração de drácares (o modelo de navio viking), mais velozes, e desafia o governante local, Duque Haraldson, um homem de pouca visão, a permitir incursões no noroeste da Inglaterra, até então inexplorado por eles. Apoiado pelo irmão Rollo, a sua esposa e Donzela do Escudo Lagertha, e alguns homens da pequena vila de Kattegat, Lothbrok consegue realizar os primeiros saques vikings no reino inglês da Nortúmbria.
No decorrer dos episódios e temporadas vemos o desenrolar das ações dos personagens e mergulhamos em batalhas sangrentas, explorações, disputas por poder, e traições. Desbravamos a tão citada e referenciada, mas tão pouco aprofundada, estranha cultura nórdica. Entre guerras e invasões, acompanhamos a transformação de um homem e sua família de pessoas comuns, a nomes que ficarão gravados para sempre na história!

Mantendo a qualidade regular, com algumas exceções assim como toda série, Vikings trabalha bem a mistura histórica e fantasiosa da cultura nórdica trazendo o contato desses povos com outras culturas através de suas expedições mar a fora, principalmente destacando o contato com os cristãos e sua religião tão distinta da realidade politeísta de suas crenças. A série aborda a trajetória de Ragnar Lothbrok e suas ambições e devaneios, mas vai além disso ao explorar os detalhes da vida cotidiana e cultura nórdica como um elemento vivo. O místico é sentido a todo instante apensar de não ocorrer de forma livre e velada; além disso a dualidade de crenças é bem trabalhada por personagens como Athelstan e Floki. 
Tentar exprimir em pouco espaço o que a série tem de melhor em pouco espaço, e sem dar spoilers, é uma dura e ingrata tarefa. São muitos elementos presentes, acrescentados e retirados, bem ou mal trabalhados, e não há como se prender a detalhes. Mas é extremamente válido dizer que Vikings se vale de muito mais que ação e violência para contar uma história de um líder guerreiro. Ah, pode apostar que esses elementos estarão presentes em muitos momentos, mas não se fazem o mais importante de tudo.
A série possui uma narrativa rápida, forte e intensa, mesmo quando intercalada por momentos de aparente calmaria. A passagem de tempo não é marcada de forma definida e o olhar desatento perde detalhes se não possuir foco. Isso auxilia a série a contar de uma forma melhor os acontecimentos da trajetória de seus personagens, que não são poucos. E a muito a contar. A série vai a todo momento trabalhando as questões filosóficas, conflitos psicológicos e ideológicos, que são fundamentais para o desenvolvimento dos personagens. Amizades, inimizades, amores, traições, não ficam orbitam somente Lothbrok, mas a todos que de certa forma se ligam a ele.
Os atores escalados fazem um excelente trabalho ao dar vida e personalidade aos personagens, mesmo os coadjuvantes. Apesar de o lendário herói ser o ponto central do seriado, é difícil gostar apenas dele quando temos uma leva de personagens intrigantes e cativantes como Lagertha, Floki, Rollo, Beorn e Athelstan. 
Os roteiros sóbrios, puxam o clima da série para o lado mais frio e adulto. A fotografia e a trilha também contribuem para que esse clima se evidencie e esteja presente em todos momentos da trama. Outro ponto que merece destaque é a produção, desde a caracterização quanto aos detalhes técnicos da preparação. As cenas de ação são bem coreografadas e executadas - na medida do possível - te fazem ficar vidrado na tela, ou virar o rosto em determinados momentos. 
Sabendo da máxima "Não devemos acreditar em tudo o que vemos na TV" a medida em que fui assistindo e me interessando procurei saber sobre a precisão histórica da série e encontrei diversas críticas, tanto positivas quanto negativas. Existe um bom embasamento histórico sobre as figuras apresentadas na série, mas a maioria é fruto de pesquisas com base nas narrativas de tradição oral que só foram documentadas séculos após o ocorrido.
Diversos críticos apontaram imprecisões históricas na maneira com que a série mostra a sociedade viking, a exemplo da maneira com que ela mostra o governo na Era Viking, o suposto desconhecimento da existência das ilhas Britânicas, e a utilização da pena de morte no lugar do banimento como forma de punição para crimes hediondos. Sobre a questão da precisão histórica da série, o produtor Michael Hirst comentou: "tive que tomar liberdades com Vikings porque ninguém sabe ao certo o que aconteceu na Idade das Trevas" e que "queremos que as pessoas o assistam. Um relato histórico dos vikings atingiria centenas, talvez milhares, de pessoas. Nós temos que atingir milhões."
Independente desse detalhe, Vikigns conseguiu, na minha opinião, atrair a atenção de um público para um tipo de conteúdo que não tem muito contato com a temática e despertar o interesse por essa cultura e história; É claro que além disso com seu enredo rápido e constante ação, capturou aqueles que procuram um entretenimento bom, adulto e violento. A série é mais que recomendada para os amantes de história e cultura nórdica, mas com certeza irá agradar todo aquele que gosta de boas tramas de guerra e ação. Aproveita que a netflix já lançou todos os episódios das três primeiras temporadas e confere você também, quem sabe não rola até maratona!?




3 comentários:

  1. Adorooooo esta série, porque mostra a era nórdica do modo como foi na história. Gosto muito dos personagens principalmente Ragnar (ele é mesmo surpreendente) quando achamos que ele está derrotado ele renasce das cinzas. Super indico para todos que gostam de séries épicas. Obs.: Gostei muito que vcs fizeram um post desta série.

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  2. Ace,
    meu pai assistiu a essa série depois que ficou órfão de House. Aparentemente ele gostou, mas eu ainda não consegui passar do primeiro episódio. Pretendo fazer isso agora nas férias, afinal, maratonas exigem tempo. (Netflix é o melhor lugar, gente!)

    Como você falou, às vezes não damos a devida atenção às heranças nórdicas que chegaram ao século XXI, no Brasil eu não acho que teve tanto efeito, mas nos EUA, bastante - como você mostrou.

    Assim que eu assisti-la, eu volto pra cá pra contar o que achei!

    Beijos, Iza
    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br/

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    1. O meu pai também maratonou e está doido querendo as novas temporadas.
      Olhar para outras culturas é algo extramente difícil mas fundamental pra ampliarmos nosso conhecimento e percepção do mundo. As vezes só requer um pouco de atenção pra notar esses detalhes.
      Sim, se assistir volte mesmo para dizer o que achou. :)

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