quarta-feira, 22 de junho de 2016

A Morte do Capitão América


Ele foi um herói para milhões de pessoas. Uma inspiração para as forças armadas norte-americanas e personificação dos maiores ideais de sua nação. Ele viveu por seu país – e agora, alvejado a sangue frio, deu sua contribuição final à terra que tanto amou. A morte do herói tem sérias consequências. Falcão, seu parceiro de toda a vida, faz da vingança sua prioridade. Sharon Carter, prisioneira dos capangas de Caveira Vermelha, encontra-se fora de controle. E Bucky Barnes, mais conhecido como Soldado Invernal, precisa se reconciliar com seu passado sórdido, a fim de encarar uma missão que mudará sua vida. Testemunhe a monumental releitura do mito do Capitão América nesta incrível adaptação trazida ao Brasil com exclusividade pela Novo Século.
Título: A Morte do Capitão América
Editora: Novo Século - Série Marvel #11
Autor: Larry Hama
Número de páginas: 352

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Na Série Marvel publicada pela editora Novo Século existem dois tipos de histórias: as originais e as adaptadas. As originais aproveitam de personagens e conceitos para trazer novas histórias para o público seja leitor de quadrinhos ou não. Já as adaptadas como Guerras Secretas e o vindouro Wolverine: Arma X, tem a missão de adaptar arcos inteiros de histórias e entregar um produto final com qualidade no mínimo equivalente ao original. Existem muitos arcos que durante todos esses anos de editora que dariam bons livros, a sequência direta de Guerra Civil - A Morte do Capitão América - é com certeza um deles.
Ao longo de quase sete décadas - contanto o período da guerra e pós seu descongelamento - Steve Rogers lutou para defender os mais elevados ideais de seu país, nem que para isso tivesse de ir contra o próprio governo. Imbuído desse sentimento, ele se lançou numa guerra inglória contra outros heróis - e perdeu. Uma derrota que lhe custou muito mais que o respeito do povo americano e a certeza sobre seus atos e responsabilidades. Uma derrota que lhe custou a vida, pondo um fim à incessante batalha do homem que era a personificação do chamado 'sonho americano'.O simbolo. O herói entre o heróis. O mais admirado e respeitado. Steve Rogers fora baleado enquanto se dirigia ao julgamento pelos atos na Guerra Civil e não resistira aos ferimentos...
Enquanto o herói cai, antigos inimigos aproveitam a brecha para implantar um engenhoso plano de aquisição de influência e poder. Alexander Lukin/Caveira Vermelha avança em direção ao controle  com ações por baixo dos panos, aproveitando a o caos social e a crescente escala de terror entre o povo americano. Abalados e desestruturados, os aliados mais próximos do Capitão precisam encarar os fatos, se preparar para a batalha que está por vir. E não há muito tempo...
Sharon Carter, ex-namorada de Steve Rogers, é atormentada pela descoberta do seu papel na morte do herói e luta contra a culpa para se manter firme e punir os responsáveis pela trama, embora o controle da sua mente não seja plenamente seu no momento. James "Soldado Invernal" Barnes, outrora conhecido pela alcunha de Bucky tenta aproveitar a liberdade lhe garantida pelo velho amigo para vingá-lo, algo que talvez Steve não aprovaria. Sam Wilson, o Falcão, e Natasha Romanova, a Viúva Negra, precisam garantir que as coisas aconteçam dentro das leis e que ninguém se perca no processo de vingança. Com  a morte de Steve, Tony Stark - o atual diretor da S.H.I.E.L.D. - faz de tudo para preservar a memoria do amigo e declara que o Governo Americano não terá um novo Capitão América. Todavia, talvez não seja esse o último desejo de Steve Rogers.

A Morte do Capitão América é a adaptação literária da saga A Morte do Sonho escrita por Ed Brubaker e ilustrada por Steve Epting e narra o desenrolar dos acontecimentos que seguem a morte do herói simbolo americano. Mesmo sendo um arco de história que lida com as consequências do envolvimento do Capitão nos eventos da Guerra Civil, pode-se ler este volume sem ter passado pela minissérie sem problemas. Claro, uma leitura prévia faz você pegar várias referências. Como bem dito anteriormente, adaptar a trama de um Quadrinho para prosa é com certeza uma tarefa árdua, já que o reforço visual e a continuidade, são elementos essenciais para o funcionamento da narrativa. Contudo, Larry Hama transpõe muito bem os eventos narrados na saga e nos entrega um thriller focado na investigação, nas conspirações, e no desenvolvimento dos personagens. Temos protagonistas fragilizados, beirando a linha do que é correto, lidando com a morte de não apenas um simbolo, mas uma pessoa próxima e inspiradora. A culpa e a dor são elementos tão cruciais para a trama, quanto as cenas de ação. Esta não é uma história rasa de superseres.
Com uma narrativa simples e ágil Hama aproveitou o espaço das páginas aprofundar os personagens que conduzem os pontos mais importantes da trama. Isso se reflete na divisão dos capítulos e na narração. A maior parte dos capítulos acompanha Sharon Carter, a Agente 13, e Bucky Barnes em suas investigações paralelas sobre a morte de Steve e como suas vidas são diretamente afetadas por essa busca. Outros personagens fazem parte da trama, é claro, mas não recebem tanta projeção ou o foco da trama se perderia pois cabe a dupla os papeis de maior importância na trama. Ainda sobre a organização dos capítulos, além do que já foi dito existem também interlúdios durante todo o livro que comumente apresentam o ponto de vista dos vilões, acrescentando informações e desenvolvendo mais a trama sem dar voltas.
Como alguém que conferiu a saga original posso dizer que A Morte do Capitão América não deixa nada a dever para o material base, e arrisco dizer que Larry Hama consegue deixar no leitor a vontade de conferir o que ocorreu antes e depois da obra (e olha, não seria nada mal termos mais Brubacker adaptado em novelização). Evidentemente que para chegar ao formato de livro a saga passou por algumas mudanças, mas elas são perceptíveis apenas para aqueles que leram os quadrinhos e não irá afetar em nada a experiência de quem vir a ler.
No interior do livro temos ilustrações - capas das edições e momentos chave que compõem a saga original - em alguns capítulos e páginas importantes para a trama. Todo a projeto gráfico do livro ficou muito bacana, capa e diagramação, e quase não há defeitos a se apontar na revisão e tradução.
A história narrada no livro é não somente um bom thriller de ação com super heróis, como também ela é envolvente e o desenvolvimento de cada personagem, principalmente do Bucky, é primoroso. O arco sintetiza bem aquilo que o Capitão América simboliza numa história bem construída e desconstrói a visão quadrada que se tem sobre o personagem. Sem dúvida nenhuma, uma amostra que existem boas histórias de super-heróis a serem contadas. 

5 comentários:

  1. Não li ainda, mas já estou morrendo de curiosidade para ler. Estas ilustrações não são do livro são? Achei que não havia ilustrações nos livros da Novo Século, em todo o caso, estão lindas.
    Bjs!

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    1. As ilustrações do post são de capas das revistas que compunham a saga em questão nos quadrinhos.
      Não é algo que acontece em todos, mas existem sim ilustrações nesse livro sim. Algumas capas e momentos importantes da trama tem ilustração em preto e branco, bem como disse na resenha.

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  2. Adorei a resenha, Ace!
    Estava suepr curiosa para saber mais a respeito do livro. Lembro de um momento, acredito que na do lançamento, que a internet se revoltou por conta do spoiler da capa - "como assim? e o filme dele? Ele vai morrer no filme dele?"
    Bom, eu assisti com medo, atoa, mas ainda existe aquele medo de que algo aconteça, não? Será que a Marvel será corajosa a esse ponto?

    Voltando ao livro, fico contente que a novelização tenha resultados tão bons para os fãs dos quadrinhos! É bom saber que o Bucky teve um desenvolvimento bacana. Me fala: ele assumiu a identidade do Capitão??

    Beijos, Iza
    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br/

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    1. Eu me recordo disso! Achei bem exagero do pessoal já que tem quase 10 anos que ele morreu nos quadrinhos (mas na verdade não tava tão morto assim). Não seria spoiler de verdade =p
      Mas acho que vai acontecer em algum momento a substituição do ator, mesmo que se mantenha o personagem. Questões de contrato, tempo de produção, idade e etç...
      Ué menina, olha o Bucky como Capitão aí nas imagens! XD Ele ficou com o Capitão durante aproximadamente 5 anos, mas daí o Steve voltou a ser o Capitão (para alguns anos depois ser substituído pelo Falcão, mas essa é outra história).

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    2. EITA! A arma (Steve não atira armas, eu lembro disso em algum momento da minha vida ou estou inventando pra fazer sentindo?). e, bem, agora que você comentou... tá bem na cara o que aconteceu (shame on me hahaha)
      Bom, pelo menos os amigos não deixaram o símbolo morrer!

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