quarta-feira, 29 de junho de 2016

Confissões de Uma Garota Excluída, Mal - Amada e (Um Pouco) Dramática

Tetê acaba de se mudar com a família toda para Copacabana, no Rio de Janeiro, para a casa dos avós. O lindo e espaçoso apartamento da Barra da Tijuca em que morava teve que ser vendido, pois com a crise o pai foi demitido, e o resultado é que a vida dela virou de cabeça para baixo. Além de perder a privacidade, tendo que dividir o espaço com cinco parentes malucos que brigam o tempo todo, ela perdeu todas as suas referências. A única coisa que a deixa feliz é cozinhar. E, claro, comer as delícias que faz.
O lado bom foi se livrar do antigo colégio, no qual sofria bullying por causa de seu jeito peculiar. Sem contar sua desilusão amorosa... O problema é que ela está apavorada, porque agora tudo será novo e estranho, com o ensino médio, com a nova escola, e sem conhecer ninguém. E morre de medo de ser excluída ou de sofrer bullying novamente. Ela está bem mal, para dizer a verdade. Ou talvez seja um pouco de drama, porque já no primeiro dia as coisas parecem ser um pouco diferentes... Pelo jeito, tudo vai mudar, e para melhor.
Título: Confissões de Uma Garota Excluída, Mal - Amada e (Um Pouco) Dramática
Autor(a): Thalita Rebouças
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 272


Li a primeira vez algo da Thalita em "Um Ano Inesquecível" e me apaixonei. Acompanho suas redes sociais e amo a forma como ela se aproxima de quem está assistindo seus vídeos. Me sinto em casa, conversando com uma amiga próxima. E, quando vi que em maio este livro seria lançado, obviamente o escolhi para resenhar. Dois motivos foram fundamentais para isso. O primeiro é que a capa é fofa, linda e sou do tipo que lê livros pela capa. O segundo, e o principal deles, foi a sinopse. Mesmo sendo um livro voltado para o público adolescente, com uma linguagem mais próxima deles, o tema bullying é muito atual e importante de ser comentado e lido por todos os públicos. 
Em Confissões de Uma Garota Excluída, Mal Amada e (Um Pouco) Dramática,Teanira (junção dos nomes dos seus avós Tércio e Djanira) é uma garota introspectiva, sem amigos e que sofria com os apelidos que recebia na escola. Como não se cuidava, inclusive em relação a higiene, era chamada pelos colegas de Tetê-do-Cecê. Mas, como seu pai perdeu o emprego, sua família teve que vender o apartamento na Barra da Tijuca e se mudar para Copacabana. Lá ela precisou dividir a casa com seus avós e seu biso, com quem dividia o quarto. O bônus desta mudança foi a troca de escola, e mesmo que ela tenha um pavor do novo, não esperava ser tão ruim como no antigo colégio. Mesmo sendo introspectiva, havia algo que a fazia super bem que era cozinhar. Quando ela colocava a mão na massa reunia até a sua família louca.
Algo que considerei como um ponto negativo do livro é que mesmo sendo introspectiva e sem amigos, não havia necessidade para tamanho exagero da mãe da Tetê. Claro que se o meu filho se mostrar completamente apático, sem sorrir, e sem interagir com ninguém, eu perceberia que não estava tudo bem. Mas a forma como a mãe dela lidou com isso poderia ser prejudicial para a sua filha. Há um momento, em que após uma consulta com o psicólogo (Romildão, para a íntima Tetê), e este não receita nenhum medicamento para a filha, a mãe fica transtornada achando que o médico não era bom. Mesmo acreditando que existam todos os tipos de pessoas no mundo, não consegui aceitar esta parte do livro.
Em contrapartida, quando Tetê chega para sua primeira aula aparentemente as coisas começam a mudar. De cara ela faz um novo amigo, o nerd Davi. Em seguida, o cômico e quase fada-madrinha Zeca. Ambos a notam e conversam com ela, o que já seria um enorme avanço. Mas aí, o gato da sala Erick (me apaixonei, pois o amor da minha vida se chama Eric, meu filhinho de 2 anos, percebe a sua presença e conversa com ela. Obviamente que a garota antes ignorada e ridicularizada pelos colegas, quando é notada pelo gatão da escola fica eufórica. Mas, como em todo livro com uma temática adolescente, tem que ter uma bonitona que namora com o gatão e não deixa a protagonista em paz. Junto com suas seguidoras fieis, no maior estilo Meninas Malvadas, distribui apelidos grosseiros e palavras maldosas para a Tetê.
A Valentina (ou Metidina), não suportava a aproximação do seu namorado, o Erick, dos excluídos da turma, e principalmente da Tetê por quem ela nutriu um sentimento ruim sem nenhum motivo. Um dos amigos da Tetê, Davi, foi vizinho do Erick e por este motivo tinha certa proximidade com ele. Davi fora criado e morava com seus avós desde que seus pais morreram. Ele tinha um irmão, que um momento da história aparece, e se torna um dos personagens principais. É óbvio que como em qualquer história do patinho feio, Tetê surge no estilo Betty a Feia, totalmente repaginada. E este é um dos melhores momentos do enredo. Mais uma vez há a prova que realmente ela precisava se cuidar, por ela e para se sentir bem, não por conta da pressão da família louca ou dos insultos que recebia.
Um dos pontos mais positivos do livro é a forma que ela passa a reagir aos insultos. Um amadurecimento em poucos meses, graças ao convívio de pessoas que lhe queriam verdadeiramente bem. Quando disse anteriormente que o Zeca era quase uma fada-madrinha, é porque ele aos poucos vai fazendo a Tetê enxergar que algumas coisas precisavam realmente ser feitas, não pelos outros, mas por ela mesma. Ela passa a se abrir mais, conversar mais e principalmente, se cuidar mais. Querendo ou não existem pessoas que realmente se abatem com o bullying e é exatamente por isso que este é um assunto tão sério. Diversas vezes me vi na Tetê, a garota que não se cuidava, que por estar acima do peso ouvia piadas até da própria família. Mesmo reagindo de forma diferente dela, pois passei por isso sem muitos traumas, a verdade é que a gente nunca esquece.
A diagramação deste livro está impecável e conta com diversas receitas super simples de fazer. O tamanho do livro é um pouco menor do que os tradicionais da Arqueiro, acredito que para se adequar aos livros mais juvenis que geralmente vem neste formato. Eu li o livro com a voz da Thalita ao fundo, parecia que ela estava narrando o livro para os leitores exatamente da forma como ela fala no Snapchat. Ah, e para terminar esta resenha com chave de ouro, tive a oportunidade de conhecê-la dias depois de terminar a leitura e percebi que ela faz tanto sucesso por causa da sua personalidade e seu jeito incrível de lidar com todos.


2 comentários:

  1. Eu nunca li nada da autora, apesar que fiquei feliz em conhece-la na Bienal de 2014 aqui em Fortaleza. Sei que todos os livros dela fazem sucesso com as garotas. Ganhei o livro recentemente e já estava planejando em ler, eu também sou aquele tipo de leitor que vai muito pela a capa ( apesar de que as vezes, me decepcione) bom, gostei muito da sua resenha.

    sonhoseaventurasdeamor.blogspot.com.br

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  2. Adorei a resenha, esse livro será uma das minhas próximas leituras e pela trama já tinha ficado curioso pela leitura (agora estou ainda mais curioso). Espero gostar!

    Abraço,
    Luan - Carpe Diem Literário
    http://carpediemliterariobr.blogspot.com.br/

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