quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Colega de Quarto

Eric Schatz, carioca que se mudou para São Paulo por conta do curso universitário, começa a perceber indícios de que há mais alguém frequentando o seu apartamento.
Primeiro, um par de chinelos.
Então, uma outra escova de dentes. Um micro-ondas que é ligado sozinho durante a noite, barulhos estranhos a qualquer hora e luzes que se apagam de modo misterioso.
Até que, em determinada noite, Eric enxerga o vulto do colega de quarto entrar em seu apartamento pela porta da frente.
Desesperado, o rapaz vai atrás de um detetive particular, mas parece ser tarde demais. Em menos de 24 horas, tudo acontece de modo acelerado e depois de uma ligação desesperada, cortada abruptamente, Eric despenca da janela do seu apartamento.
Em seu livro de estreia, o autor nos apresenta uma história urbana de tirar o fôlego. Um mistério que passa por uma relação familiar complicada, suspeitas por todos os lados, e camadas e camadas de culpados. Há alguém inocente?
Título: Colega de Quarto
Autor: Victor Bonini
Editora: Faro
Número de páginas: 280

 
Eu adoro livros policiais e Colega de Quarto estava na minha lista de desejados desde quando foi lançado. Acabei comprando, autografando e deixei o bichinho tomando um belo chá de poeira na estante. E ele continuaria lá se não fosse a Leitura Temática de um grupo super bacana que participo. O tema de julho era thrillers/terror e o que foi que eu fiz? Catei meu Colega de Quarto e me joguei na leitura, ávida por saber o que esse livro tinha que deixava todo mundo doido.
Eric é um rapaz de família rica e conhecida, que foi para São Paulo estudar. Ele morava sozinho em um condomínio muito bem localizado e tinha uma vida boa, amigos e uma namorada. Até que, de uma hora para outra, ele começa a notar coisas estranhas em seu apartamento. Primeiro é uma escova de dentes que aparece no banheiro, depois um chinelo, até que barulhos misteriosos no meio da noite começam a assustá-lo. Um microondas ligado, o barulho da descarga sendo acionado e, por fim, ele vê a silhueta de alguém entrando em seu apartamento. 
Completamente desnorteado, ele procura Conrado Bardelli, o Lyra, e narra toda sua situação. A história é estranha e deixa Lyra sem saber o que pensar. Mesmo depois de Eric já ter ido embora, aquilo fica martelando em sua mente. Mas não pensem vocês que tudo acaba por aí. Na madrugada, ele recebe um telefonema do rapaz, que está trancado no banheiro de sua casa, desesperado pois algo de muito estranho está acontecendo. Não há sequer tempo para que o detetive possa agir: no mesmo dia, Eric cai da janela do seu apartamento. Supostamente ele teria se jogado, mas não é nisso que Lyra acredita. Ele começa, então, uma longa jornada de investigações para descobrir o que está por trás daquela morte tão misteriosa.
Acontece que nem tudo é tão fácil quanto se imagina. Não há muitas pistas e tudo leva a crer que Eric realmente tenha tirado a própria vida. Contudo, por já saber da história do Colega de Quarto, Lyra decide começar suas investigações pelas pessoas que Eric citou no breve encontro que os dois tiveram. E é aí que as coisas começam a ficar boas, já que cada novo depoimento novos fatos são inseridos na trama e mais pessoas vão aparecendo, fazendo com que o leitor fique desconfiado de tudo e de todos.
Comecei a ler com expectativas altas, afinal não foram poucas as pessoas que adoraram o livro! Mas, com toda honestidade, não estava esperando tudo o que encontrei nele. Logo no início bateu um medinho. Sou uma criatura covarde por natureza e, com toda tensão inicial, o medo começou a tomar conta de mim. Não queria ler a noite por que tinha receio de aparecer um colega de quarto aqui também (podem rir, eu sei que é ridículo) e qualquer barulho que eu ouvisse aqui em casa, principalmente a noite, já me fazia dar pulos do sofá.  Foi só quando o assassinato acontece que eu consegui deixar isso de lado e me jogar de cabeça nas investigações junto com Lyra.
E já que toquei no nome dele, preciso dizer que eu adorei esse personagem. O homem é sagaz, sabe ser gentil e solidário nas horas certas, bem como usar de ironia e ser mais incisivo quando precisa. Em várias partes ele me lembrou bastante o Poirot e, como o Victor gosta muito dos livros da Agatha Christie, acho que houve uma certa inspiração. Não sei quanto a vocês, mas eu pelo menos percebi isso pela forma de agir e de investigar. Na verdade, por ser leitora assídua dos livros da dama do crime, senti algumas nuances que me remeteram aos livros dela e achei isso maravilhoso. Agatha tem o poder de prender seus leitores com suas histórias, que são cheias de subtramas e reviravoltas, coisas que encontramos também em Colega de Quarto. 
Fiquei virada no livro, teci mil suposições (todas erradas, claro) e me encantei super pelo talento desse jovem autor que tem tudo para crescer cada vez mais. A escrita do Victor é muito gostosa e ele conseguiu me deixar totalmente inserida na trama. Gostei de como os personagens foram construídos, da inserção das subtramas, que deixaram a história ainda mais misteriosa, e do desfecho que deu ao caso. Sinceramente, eu nem sequer desconfiava do que havia acontecido, muito embora tenha desconfiado da pessoa em si (não soltarei spoillers, fiquem tranquilos).
Colega de Quarto foi uma agradável surpresa e é o tipo de livro que recomendo a todos que gostam de um bom livro policial. Leiam!


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