quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A Rosa e o Florete

Entre duelos de espada e bailes de máscaras no suntuoso palácio de Versalhes e os gritos rebeldes e novos ideais de Paris, Guilhermina D'anjour irá moldar sua juventude como comandante da guarda real, uma herança de família que a tornará uma contradição entre as mulheres da corte a que deveria pertencer.
O povo se arma, e, entre os preparativos da revolução, ela se descobre mais longe da monarquia do que pensava. Acende, nos soldados da guarda, a chama dos ideais inspirados em Rousseau e desafia o governo, mas, além das lutas que trava com seu florete, terá que lutar com seu coração, que também foi incendiado por um amor que deve confundir seus sentimentos e desafiar seu comando tão firme.Entre um governo irresponsável e um povo saturado, entre Versalhes e Paris, entre os sonhos e a realidade, a ordem e a revolução, Guilhermina sempre esteve entre dois mundos.

Título: A Rosa e o Florete
Autor (a): Mariana Pacheco
Editora: Talentos da Literatura Brasileira
Número de páginas: 416



Este é o primeiro livro de época nacional que leio. Estava muito acostumada a ler as autoras internacionais e finalmente tive a oportunidade de ler algo de uma prata da casa. Mesmo sendo escrito por uma autora do Brasil, a história se passa em outro país, com uma protagonista metade francesa e a outra metade austríaca. 
A história é narrada entre os anos de 1763 e 1823, e podemos acompanhar toda a evolução da personagem Guilhermina Shufmann D’anjour, ou simplesmente Mirna, desde o seu nascimento. É até complicado falar de uma obra que você curtiu tanto, já que tudo o que você falar não vai fazer jus ao livro. Desde a sua infância, percebi o quanto ela era uma protagonista de temperamento forte e uma mocinha completamente decidida. O processo de crescimento dela de criança a jovem crescida não foi de fato detalhado, provavelmente porque o foco seria outro, e acabaria ficando muito estendido. Logo quando ela cresce e precisa ser apresentada a sociedade eu consegui enxergar que seria uma leitura sem igual.
Logo no começo da narrativa, ela mostra que não é uma mocinha de frescuras. Mesmo de vestido ela monta a cavalo sem utilizar a sela especial para damas, e foi a partir dali que eu tive certeza que ela me conquistaria. Mirna era completamente protegida pela família, que tinham consciência do problema de saúde herdado da sua mãe e claro, como seu pai deixou de utilizar o título da nobreza, temiam pelo seu futuro. Sua mãe, apesar de estar muito adoentada, sempre a enchia de mimos. E o pai, muito embora quisesse conservá-la numa redoma de vidro, a ensinou muitas coisas, em especial a usar um florete.
Obviamente que este é um dos principais instrumentos utilizados por ela para o bom andamento desta história. Depois de ter visto várias mocinhas de época fortes, determinadas e que sabem o que quer, eu vi de verdade o que é determinação. A Mirna, graças as habilidades aprendidas e ao forte desejo de fazer a diferença, torna-se um soldado, luta e se rebela durante a Revolução Francesa. Honestamente, ainda não tinha visto mocinha tão verdadeiramente forte e após isso com certeza os meus conceitos de "a frente da época" mudaram. Os passos que ela vai dando durante esta luta é muito admirável.
A narrativa mescla acontecimentos reais, fatos que aconteceram durante a Revolução e que facilita bastante o entendimento da história. O engraçado nisso tudo é que mesmo sendo atualmente uma leitora assídua de romances de época, não sou muito fã de história e as notinhas neste livro me agradaram bastante. Consegui compreender muita coisa, que inclusive não lembrava ou não fiz questão de lembrar da época na escola. As interações com personagens tão conhecidos por nós, Napoleão, Maria Antonieta, Rousseau, dentre outros, foi muito bem encaixadas e desenvolvidas. Há um narrador observador que somente no final o seu papel é revelado. 
Foi uma grata surpresa ler este livro, não esperava encontrar tantos pontos positivos que com certeza levarei para a vida inteira. Que a Mirna me inspire para fazer a diferença e que ela possa inspirar a todos os leitores desta obra. É muito bom perceber o quanto os autores nacionais estão sendo valorizados e estão cada vez mais presentes no cenário literário atual. A Mariana conseguiu unir a história por trás da revolução, as atitudes heroicas da personagem e, claro, o romance que é um dos pontos mais agradáveis da narrativa. A forma como ele acontece e cresce é muito bem elaborado. O Richard é um amor, e o romance entre eles não é o foco principal da trama, acontece naturalmente, aos poucos e amadurece junto com os dois. O final me deixou um pouco abalada, mas não foi um abalo negativo, só fiquei triste mesmo.
Enfim, A Rosa e o Florete me deixou com uma sensação maravilhosa e não há motivo algum para não recomendá-lo a vocês. Com toda a certeza que há em meu coração eu recomendo: LEIAM ESTE LIVRO!


14 comentários:

  1. Adorei a resenha, não tenho contato com o gênero de época, não atrai me atenção. Mas fiquei bem curioso com a história, de mesclar os da Revolução Francesa, junto com a história fictícia, deve ficado algo maravilhoso. Fico feliz que tenha gostado da experiência de ter lido um livro nacional do gênero, e ter um contato com essa "mistura" de fatos.
    O Pequeno Leitor

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  2. Oie,
    nossa não conhecia o livro nem de vista, mas adorei a resenha e premissa.
    Vai para a lista de desejados

    bjos
    Blog Vanessa Sueroz

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  3. Olá,
    A premissa do livro me deixa bem curiosa e confesso que estou temerosa em relação ao que Guilhermina irá fazer nesse duelo de mundos que ela vive.
    Desconhecia a obra, mas fico muito feliz que seja nacional. Só tive contato com romance de época em um conto e quero muito conhecer a escrita da Mariana.

    https://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

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  4. Oi, mesmo gostando da sua resenha, eu não leria, já que não leio livros de epoca, pois não fazem o meu estilo, mas acho que é uma ótima pedida para quem gosta e ainda por cima sendo nacional, é melhor ainda, pois aprecia-se o que é nosso.
    bjus

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  5. Oiee ^^
    A Mirna parece mesmo ser incrível. Eu estou acostumada aos romances de época estrangeiros, mas também me interesso bastante pelos nacionais, inclusive li um ontem mesmo (recomendo muito: O amor nos tempos do ouro, da Marina Carvalho). Ainda não conhecia "A rosa e o florete", mas fui conquistada pela premissa, e saber que você gostou tanto do livro e da protagonista me animou.
    MilkMilks ♥

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  6. Não conhecia o livro, mas me interessei. Uma mocinha de época que se torna um soldado acho que é algo que nunca vi. E não sei se estou errada, mas me pareceu mais um romance histórico que um romance de época, e como romance histórico é um gênero que me atrai bem mais o enredo acabou despertando meu interesse. Pretendo ler.

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  7. Oi, Priscila!
    Não conhecia o livro, e realmente é perceptível ainda os poucos títulos que temos de romance histórico e de época na literatura nacional - ainda que sejam poucos, mas de muita qualidade, claro. Que bom que você conseguiu se envolver tanto com a leitura e gostar tanto da história! Bom saber que a protagonista é verdadeiramente forte, que está ali para lutar por seus objetivos sempre que for preciso, e muito interessante a introdução de pontos reais como as figuras históricas do período para deixar a leitura ainda mais rica. Não é uma trama que me chame particularmente a atenção, mas se um dia bater a vontade de ler algo mais histórico, lembrarei de sua dica! ;)
    Beijos!

    ♥ Sâmmy ♥
    ♥ SammySacional.blogspot.com.br/ ♥

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  8. Oi Priscila, tudo bem?
    Pelo que você descreveu em sua resenha a Mirna realmente é uma protagonista forte e a frente do tempo dela, me lembrou um pouco a história da Joana D'Arc. Fiquei realmente muito interessada em ler esse livro, não o conhecia, mas a história parece ser fascinante e envolvente. É sempre bom conhecer novos autores nacionais e nesse gênero realmente são poucos que conheço. Vou anotar a dica, espero conferir em breve.
    Beijos

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  9. Oi Priscila, você me deixou intrigada com esse livro, ao contrário de você amo história principalmente quando ela está enredada em uma trama e apesar de alguns romances de época terem esse elemento nunca é tão acentuado, o que parece não ser o caso desse livro. Também fiquei curiosa com a protagonista e quero ler e compreender essa força da qual você falou. Adorei

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  10. Que resenha linda! Adoro protagonistas fortes e determinadas, que lutam pelo o que querem e conseguem um papel de destaque, principalmente quando o livro é de época e a luta é maior. Gosto muito quando o livro traz alguns fatos históricos, o leitor consegue se situar no tempo e o enredo se torna mais verídico.
    Parabéns pela resenha!
    Beijos

    http://capsuladebanca.blogspot.com.br/

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  11. Oi Priscila!

    Eu gamei nessa capa e estava louca para começar a ler esta resenha, e fiquei encantada, não leio muito do gênero, mas há romances de época que valem muito a pena ler, se quiser uma dica, leia Montanha da Lua, romance de época nacional, que acredito que você irá gostar. Enfim, A Rosa e o Florete, será uma leitura ótima e pelo que foi citado na resenha, acredito que vai me conquistar, estou ansiosa para conhecer, só me assusta um pouco o tamanho, mas sendo uma boa leitura, isto acaba sendo o menos importante!

    Da Imaginação à Escrita

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  12. Oi Priscila, sua linda, tudo bem?
    Gente, ela foi para a guerra e não como voluntária para cuidar dos feridos, o que era mais comum para as mulheres da época, e sim como um dos soldados!!! Achei o máximo!!! História era uma das minhas matérias preferidas, então, o contexto histórico com certeza tornou o livro mais atrativo para mim. Não conhecia, mas fiquei louca para ler!!! Sua resenha ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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