quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Achados e Perdidos


Millie Bird é uma garotinha de apenas 7 anos que já sabe muita coisa. Ela já descobriu que todos nós um dia vamos morrer. Em seu Livro das Coisas Mortas, ela registra tudo o que não existe mais. No número 28 ela escreveu “Meu Pai". Millie descobriu também, da pior forma possível, que um dia as pessoas simplesmente vão embora, pois a mãe dela, abalada com a morte do marido, a abandona numa grande loja de departamentos. Ela só não está triste porque conheceu Karl, o Digitador, um senhor de 87 anos que costumava digitar com os próprios dedos frases românticas na pele macia de sua mulher. Mas, agora que ela se foi, ele digita as palavras no ar enquanto fala. Ele foi colocado pelo filho em uma casa de repouso, porém, em um momento de clareza e êxtase, ele escapa, tornando-se então um fugitivo. Agatha Pantha é uma senhora de 82 anos que mora na casa em frente à de Millie e que não sai mais, nem conversa com ninguém, há sete anos. Desde que o marido morreu, ela passou a viver num mundinho só dela. Agatha preenche o silêncio gritando, pela janela, com as pessoas que passam na rua, assistindo à estática na televisão e anotando em seu diário tudo o que faz. Mas, quando descobre que a mãe de Millie desapareceu, ela decide que vai ajudar a menina a encontrá-la. Então, a adorável garotinha, o velhinho aventureiro e a senhorinha rabugenta partem em uma busca repleta de confusões e ensinamentos, que vai revelar muito mais do que eles imaginam encontrar.
Título:  Achados e Perdidos
Autor (a): Brooke Davis
Editora: Record
Número de páginas: 252



Esse foi um livro que eu me iludi com a capa. Quando vi o desenho todo fofo, logo imaginei que fosse um infanto juvenil bem gracinha. E dei com a cara na porta assim que li a sinopse, já que o livro trás uma proposta bem diferente e nada bobinha.
Em Achados e Perdidos conhecemos Millie Bird, uma garotinha adorável de 7 anos que sabe que, um dia, todas as pessoas irão morrer. Tudo que morre ao seu redor ela registra "Livro das Coisas Mortas", seja uma mosca, uma aranha ou seu pai. Millie vive com a mãe, que ainda não se recuperou da morte precoce do marido, o que a leva a abandonar a filha dentro de uma loja de departamentos com a promessa de que logo voltaria.
Claro que Millie, por ser excessivamente ingênua, nada percebe e fica esperando pela mãe. Gente, ela passa uns dois dias na loja sem que ninguém se dê conta de sua presença ali. E é nessa loja que ela conhece Karl, o digitador. Ele, um simpático velhinho, que foi colocado em uma casa de repouso pelo filho por insistência da nora, fugiu de seu novo lar em busca de aventura. Sua esposa faleceu já tem alguns anos e ela era tudo pra ele.
Em paralelo, conhecemos a azedíssima Agatha, uma senhora que mora em frente à casa de Millie e que, apesar do mal humor diário, é hilária! Ela mora sozinha e desde a morte do marido nunca mais saiu de casa. As compras são entregues em sua casa, as contas são pagas por outras pessoas e ela vive em seu mundo cheio de regras solitária e... feliz? Talvez! Contudo, sua rotina se vê abalada por conta de Millie e ela, junto com Karl e Manny (o manequim de plástico da loja de departamentos) irá partir para Melbourne numa incrível jornada para encontrar a mãe de Millie.
Gostei da história logo de início. A história, que eu imaginava ser bem boba, acabou se mostrando diferente de tudo que eu esperava. A temática é forte e, infelizmente, real. Não são poucos os casos de abandono de crianças ou de idosos deixados em casas de repousos por diversos motivos. Contudo, apesar de em algumas passagens a emoção tomar conta, ele não é um livro que te deixa tenso. A história é, de certa forma, leve e a autora escreve tudo de uma forma muito singela, com uma suavidade que há muito não encontrava em alguns livros.
O livro é dividido em capítulos curtos, narrados pelo ponto de vista de cada um dos três personagens centrais da trama. Achei os personagens um show a parte e, apesar da história ter um foco maior no drama de Millie, tanto Agatha quanto Karl também tem um lugar de destaque. E eu, confesso, caí de amores por Karl. De imediato meu coração apertou e meus olhos ficaram marejados enquanto lia sua história. Não estava preparada para aquilo, sabe? Achei tão delicada a forma como a autora abordou a decisão de colocá-lo em uma casa de repouso, a forma como ele aceitou... só de lembrar meus olhos já enchem de lágrimas. Queria dar "de pau e cacetada" naquela nora dele, juro! 
Agatha, por sua vez, me fez rir em diversos momentos por conta do seu jeito ranzinza. Aqueles gritos dela, as observações e críticas me fizeram gargalhar. Ela também tem seus dramas pessoais, mas não tão forte quanto o de Karl ou Millie. Juntos, eles formam um grupo bem peculiar, que vão nos levar a momentos divertidos e de grande reflexão.
A história é boa, tem uma boa dose de drama e passagens bem engraçadas. Contudo, a narrativa, que inicialmente se mostrou ágil e dinâmica, foi ficando um pouco mais arrastada com o decorrer da leitura. Quando cheguei a metade do livro ele começou a fluir pouco por conta de descrições excessivas e uma história que se amarrou demais em um único ponto. Achei que a autora usou de muitas novas situações, por vezes inusitadas, e isso acabou interferindo um pouco no dinamismo dos capítulos. Não é que a história se torne chata, vejam bem, mas acaba perdendo ritmo e ficando lenta. Gosto de deixar isso bem claro porque, muitas vezes, quem está lendo pode achar que o livro se torna ruim e esse não é o caso. 
Achados e Perdidos foi uma grata surpresa. Uma história fofa e delicada que mexeu comigo e com meu coração de manteiga. Os leitores que apreciam tramas mais sensíveis, com certeza vão gostar muito desse livro!


Um comentário:

  1. Neyla, se tem uma coisa que eu gosto nessa vida, é um bom drama. Eu senti o mesmo impacto que você ao contrastar capa e sinopse. Já adicionei o livro na lista de desejados! Os temas abordados pelo livro são bastante intensos e acredito que ficarei pensando no livro mesmo depois de tê-lo fechado!

    Beijos, Iza
    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br/

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