segunda-feira, 5 de junho de 2017

A História do Futuro de Glory O'Brien

O fim do ensino médio é uma época de possibilidades infinitas – mas não para Glory O’Brien, uma jovem norte-americana que não tem nenhum plano para o futuro. Sua mãe cometeu suicídio quando Glory tinha apenas 4 anos, e ela nunca parou de se perguntar se seguiria o mesmo caminho… Até que numa noite transformadora ela começa a experimentar um novo e surpreendente poder que lhe permite enxergar o passado e o futuro das pessoas.
De antepassados a muitas gerações futuras, a jovem é bombardeada com visões – e o que ela vê pela frente é aterrorizante: um novo líder tirânico toma o poder e levanta um exército. Os direitos das mulheres desaparecem. Uma violenta segunda guerra civil explode. Jovens garotas somem diariamente, vendidas ou confinadas em campos de concentração.
Sem saber o que fazer, Glory decide registrar todas as suas visões, na esperança de que a sua História do Futuro sirva de alerta e evite o que vem por aí.
Mas será que as pessoas vão acreditar nela? Será que estarão dispostas a fazer o que é necessário para impedir a concretização daquele destino medonho?
Nesta obra-prima sobre feminismo, liberdade e escolhas, A. S. King mais uma vez nos brinda com seu realismo fantástico para contar a história de uma garota que tenta lidar com uma perda devastadora.
Título: A História do Futuro de Glory O'Brien
Autor (a): A. S. King
Editora: Gutenberg
Número de páginas: 240



Se você já leu algum livro da A.S.King, sabe que a autora cria histórias bem peculiares, que mesclam elementos fantasiosos com a realidade do personagem, trazendo com isso muitas reflexões a respeito de algum determinado tema. E dessa vez ela não fugiu a regra. Pelo contrário, em A História do Futuro de Glory O'Brien encontramos uma história que foge dos padrões e que, seguramente, não vai agradar a todos mas, vai fazer com que você pare pra pensar em muitos pontos.
Glory é uma menina diferente das demais. O jeito mais introvertido faz com que ela tenha apenas uma amiga, Ellie, que vive em uma espécie de comunidade próxima a sua casa. As duas se conhecem desde que nasceram e, embora Ellie não frequente mais a escola tradicional (suas aulas passaram a ser exclusivas na comunidade), elas se encontram todos os dias. E em um desses dias, onde estavam na comunidade, as meninas encontraram um morcego estranho. Ele não parecia morto, mas também não parecia estar vivo (não é muito louco isso?), então o colocaram em um vidro e o mantiveram escondido, longe dos olhares curiosos, até que um dia ele foi encontrado e elas decidiram bebê-lo misturado a cerveja.
Achou estranho? É, eu também achei e fiquei me perguntando o que deu na cabeça de suas adolescentes de 17 anos pra misturar os farelos de um morcego em uma bebida e depois consumi-la. Mas as coisas estranhas não param aí. Depois dessa experiência bem diferente, elas começam a ter visões do passado e do futuro das pessoas. No caso de Glory, ela vê que no futuro haverá uma guerra mundial, onde as mulheres serão impedidas de trabalhar e servirão apenas para um único propósito: procriar. Por conta disso, ela começa então a escrever o livro da história do futuro, onde anota suas visões mais importantes.
Em meio a essas visões e as descobertas de Glory, vamos conhecendo um pouco mais sobre ela e sua família. Sua mãe se suicidou quando ela ainda era pequena e o pai, que antes sempre fora tão ativo e gostava de pintar, acabou se entregando a tristeza, trabalhando em algo que não o faz feliz e deixando para trás tudo aquilo que gostava. São poucas as lembranças que ela possui da mãe, contudo a fotografia acaba por fazê-la sentir-se mais próxima da mesma, ainda mais quando ela encontra os álbuns de fotografia e vai descobrindo coisas sobre o passado de sua mãe e das pessoas que estão próximas a ela.
Acredito que, se você leu o texto completo, já percebeu que nesse livro não há espaço para uma história convencional. E isso é algo que você precisa ter a mente para não se decepcionar. Essa história, em especial, é ainda mais diferente do que as que li anteriormente (Os Dois Mundos de Astrid Jones e Todo Mundo vê Formiga), mas nem por isso deixei de gostar do que encontrei.
Glory é uma personagem que, de imediato, não me cativou porque não conseguia estabelecer uma conexão com ela. Por mais que ela diga que não, o suicídio da mãe mexeu com seu emocional e isso é algo que transparece em suas atitudes. Não gosto de mocinhas apáticas, que não sabem pra onde vão, que não tem iniciativa e tão pouco firmeza na personalidade. Já estava com a pedra na mão pra tacar nela, confesso. Mas aí as coisas foram mudando, a história foi ganhando ritmo e ela começou a mostrar vislumbres de quem era.
Um dos pontos que mais me agradou foi o paralelo entre Ellie e Glory, duas amigas extremamente diferentes uma da outra e com uma visão de mundo ainda mais totalmente oposta. Enquanto Glory tinha toda uma visão mais feminista e levantava questões que me fizeram refletir, Ellie só me desagradava com suas atitudes egoístas e visão quadrada de mundo. Até mesmo as visões de ambas eram diferentes, mostrando com isso o que realmente importava para cada uma.
A história funcionou muito bem para mim. Acho que o maior vilão das decepções literárias é a expectativa e, dessa vez, por mais que eu estivesse curiosa, comecei a ler sem esperar muita coisa. E isso talvez tenha me ajudado a gostar tanto do livro. Costumo dizer que esse não é um livro que vai agradar a todos apesar de todas as reflexões incríveis e assuntos atuais que ele aborda no decorrer de suas páginas. Gosto demais da escrita da autora e até hoje não teve um livro dela que tenha me desagradado. Ela consegue me tirar da zona de conforto e me colocar pra pensar em fatos que eu nem mesmo queria, de rever meu ponto de vista (muitas vezes retrógrado) e ir além.
Muito embora a escrita da autora seja leve, o livro aborda temas como suicídio, feminismo, violência contra a mulher e desigualdade social. Já é característico da autora abordar temas que possam provocar no leitor uma reflexão e, na minha opinião, ela mais uma vez conseguiu cumprir seu papel com maestria.


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