terça-feira, 13 de junho de 2017

As Tumbas de Atuan




Quando Tenar é escolhida como suma sacerdotisa, tudo lhe é tirado: casa, família e até o nome. Com apenas 6 anos, ela passa a se chamar Arha e se torna guardiã das tenebrosas Tumbas de Atuan, um lugar sagrado para a obscura seita dos Inominados.
Já adolescente, quando está aprendendo os caminhos do labirinto subterrâneo que é seu domínio, ela se depara com Ged, um mago que veio roubar um dos maiores tesouros das Tumbas: o Anel de Erreth-Akbe.
Um homem que traz a luz para aquele local de eternas trevas, ele é um herege que não tem direito a misericórdia.
Porém, sua magia e sua simplicidade começam a abrir os olhos de Arha para uma realidade que ela nunca fora levada a perceber e agora lhe resta decidir que fim terá seu prisioneiro.
Finalista da Newbery Medal, que premia os melhores livros jovens de cada ano, As Tumbas de Atuan dá continuidade ao elogiado Ciclo Terramar com uma singela história que rompeu com os paradigmas de heroína quando foi lançada.

Título: As Tumbas de Atuan
Série: Ciclo Terramar - Livro 2
Autor (a): Ursula K. Le Guin
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 160

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Os extras trazidos ao fim das edições de Ciclo Terramar produzidos pela Editora Arqueiro são tão importantes para leitura das obras quanto o conteúdo em si. Não por trazerem glossários e informações sobre cenário e afins, mas por trazer a visão da autora sobre a criação daquela obra. No volume anterior, Ursula K. Le Guin nos contra sobre o desafio de trazer o jovem, o heróis falho, para aquela habitual visão de magos sempre experientes e poderosos, e assim nos contou a história de Gavião. Aqui, Ursula nos conta sobre como nunca teve a intensão se escrever uma série, prática hoje muito comum, mas como sentiu necessidade de voltar a Terramar e falar sobre os tais feitos realizados por Ged, citados na última página do volume anterior. Um desses feitos é justamente a visita à As Tumbas de Atuan.
As Tumbas de Atuan narra a história de uma das aventuras do mais poderoso conjurador de todos os tempos, o homem conhecido pela alcunha de Gavião. Mas se engana se acredita que a história é protagonizada por ele. a trama pertence a Arha.
No oeste de Terramar, afastadas do Arquipélago, estão As Terras de Kargard. vive a jovem Arha, a Devorada, Rei-Deus de Awabath, Sumo Sacerdotisa dos Inominados. Todos esses títulos e importância lhes foram dados ao ser designada como reencarnação da grande Sacerdotisa: a partir dali, tudo fora tirado - casa, família, nome, futuro - em nome da devoção e da fé a seita dos Inominados. Seu dever é aprender com as mais velhas e ser a guardiã das Tumbas de Atuan.
Contudo, mesmo crescendo cercada por essa cultura e abdicando de si própria, Arha não consegue disfarçar a sensação de vazio que a preenche. A jovem é curiosa e aproveita os momentos que tem para conhecer um poucos do mundo nas conversas sonhadoras de Penthe, e sobre seu serviço e os mistérios das Tumbas de Atuan com as sacerdotisas Thar e Kossil, e o eunuco Manan. Sua vida estava destinada ao sacerdócio, os sacrifícios aos antigos, as punições aos hereges e a proteção de seu templo, e não havia nada ela pudesse fazer. E assim bem seria se não fosse a chegada de estranho visitante. Um homem de tez negra que profanou o labirinto e os salões cavernosos com sua magia e sua luz em busca dos tesouros dos Inominados.
Luz essa que aos poucos foi trazendo a verdade aos olhos de Tenar, que novamente voltou a ter nome e esperança. Mas quem ajuda quem nessa história, só tempo e a leitura dirão...
É bom voltar ao destaque dado na resenha do volume anterior da série e deixar claro que antes de qualquer crítica é preciso lembrar que este é um livro publicado pela primeira vez em 1970, e por mais que já houvessem outras obras com tendências a maior agilidade e abordagem nos diálogos, a narrativa se apoia exatamente na narração para passar ao leitor tudo aquilo que a trama tem para mostrar. Estar ciente disto antes de arremessar-se ao livro é fundamental para aproveitá-la da melhor forma possível: você não vai encontrar nestas páginas nada de parecido com as narrativas de fantasia modernas, quase sempre ágeis e enviesadamente épicas.
Mantendo o padrão utilizado em O Feiticeiro de Terramar, a autora opta por utilizar-se de uma narração em terceira para contar a história da jovem Tenar/Arha que, apesar de dar velocidade aos acontecimentos, pode acabar desagradando alguns leitores acostumados com o maior uso de diálogos complementado o texto. Como dito anteriormente, por conta dessa escolha a trama é quase toda passada através da narração, mas isso longe está de ser um demérito. Curiosamente foi esse um dos aspectos que mais me agradou durante a leitura da série.
A linguagem do livro é simples, a leitura é ágil, pouco focada em detalhar a tudo e a todos, mas mostra o que precisa ser mostrado. O cenário criado por Ursula é novamente ricamente explorado e dessa vez mais auto-contido em uma única região, visto que o foco da trama estão nas Tumbas de Atuan e em Tenar. E assim sendo, assim como a jornada de Ged/Gavião em o Feiticeiro de Terramar, essa é uma história sobre crescimento e os próprios erros e fraquezas. Só que agora protagonizada por um personagem feminino.
Como já citado, os extras publicados ao fim da história trazem muita informação importante que acabamos não nos dando conta durante a leitura e também sobre a autora e processo de escrita da obra. Pelo cuidado de incluir esse adendo, pelo trabalho gráfico e, claro, por trazer a obra, a editora já merece um parabéns. A arte das edições da Editora Arqueiro chamam logo a atenção, isso é inegável. Contudo a escolha, proposital ou não, da Ursula Dorada - artista que admiro - como ilustradora das capas da xará deram um toque especial.
Avisado sobre as expectativas, creio que todo o Ciclo Terramar tem tudo para agradar jovens e adultos, em especial aqueles que gostam de livros de fantasia e conhecer obras que inspiraram autores que tanto gostamos. Agora, aguardo ansiosamente para ver o que mais Ursula Le Guin e Terramar tem a me mostrar!



10 comentários:

  1. Oie, tudo bem?
    Cara, que capas lindas! E que ambientação fantástica! Fiquei muito curiosa para conhecer esses livros mais a fundo, pois amo fantasia e essa parece ser o tipo de leitura certa para mim. Adorei a resenha, e parabéns a autora ♥

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  2. Olá, tudo bem? Ah Ursula e esses livros são meus desejados tem tempo. Sou mega fã de fantasia, e para mim ela é uma das percussoras desse universo. Que bom que o livro explora bastante o tema proposto porque isso mostra um enriquecimento que ele tem. Mega dica anotada <3
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com.br

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  3. Oiiii Ace tudo bem?
    Eu ainda não li o outro livro, mas adoro tudo que envolva magia e até mesmo simplicidade, lembrei do livro Sonho de liberum e super recomendo para ti também, sua resenha ficou ótima e futuramente espero também poder ler.
    Beijinhos

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  4. Oi!!!

    Já conheço os livros, embora não tenha adquirido ou mesmo lido. Não sabia que o mesmo é da década de 70, isso despertou minha curiosidade, pois das diversas resenhas que já lis sobre a obra ninguém mencionou essa informação. Obrigada pela dica e parabéns por suas colocações. Beijos!

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  5. Oi, tudo bem?
    Eu já conhecia essa série por causa do primeiro livro. Apesar de não ter lido, me encantei pela capa e achei a desse volume igualmente linda.
    Não sabia que esse livro era da década de 1970, mas achei legal você avisar sobre o estilo narrativa. Confesso que prefiro tramas mais ágeis, então, fico em dúvida se quero ler ou não.
    De qualquer forma, achei o enredo interessante e achei muito legal o material extra que foi incluído.
    Adorei sua resenha e vou deixar a dica anotada. Mesmo não sendo um estilo de narrativa que eu gosto tanto, achei o enredo interessante e não descarto a possibilidade de ler algum dia.
    Beijos!

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  6. Oi Ace, tudo bem?
    Eu ainda não tive a oportunidade de ler o segundo volume do ciclo Terramar, mas foi através do primeiro que descobri a Ursula como uma grande autora de fantasia e o principal de tudo que colocou em sua obra um pouco de tudo aquilo que considera importante, fazendo críticas a sociedade no geral. A leitura é bem diferente da literatura fantástica tão disseminada nos dias de hoje, tem sim um personagem principal que sente medo, que erra e que vive grandes aventuras, porém apresenta uma segunda camada que mostra um personagem aprendendo com os seus erros e compondo um protagonista em várias camadas.
    Espero poder me deliciar com esse segundo volume assim como você, estou bem curiosa para saber os feitos de Ged para se tornar um grande feiticeiro.
    Abraços

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  7. Oie amore,

    Não conhecia o título até o momento... mas pela capa fiquei bem curiosa.
    Parece ser um cenário maravilhoso de participar através da leitura.
    Dica anotada!

    Beijoka!

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  8. Achei a capa desse livro muito bonita e as cores perfeitamente alinhada. Achei bem legal o fato de ter sido escrito a décadas atrás. Anotei a dica aqui e espero gostar da leitura.
    Bjim!
    Tammy

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  9. Oie
    caramba, que antigo haha pela capa a gente não faz ideia que é um livro tão antigo né? Bom, não sei se leria por estar dando prioridade a outros titulos na verdade mas boa a dica, bem diferente

    beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  10. Olá!
    Vi a divulgação do primeiro livro, até fiquei curiosa, mas com o tempo passou. Parece ser uma história regada de aventuras, talvez leia, mas por enquanto não rs' ainda mais série, socorrooo...

    beijos!

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