sexta-feira, 28 de julho de 2017

A Espada do Destino: A Saga do Bruxo Geralt de Rívia


Geralt de Rívia é um bruxo. Um feiticeiro cheio de astúcia. Um matador impiedoso. Um assassino de sangue-frio, treinado desde a infância para caçar e eliminar monstros. Seu único objetivo: destruir as criaturas do mal que assolam o mundo. Um mundo fantástico criado por Sapkowski com claras influências da mitologia eslava. Um mundo em que nem todos os que parecem monstros são maus e nem todos os que parecem anjos são bons. A espada do destino é o segundo livro da saga do bruxo Geralt de Rívia e terá continuidade com O sangue dos elfos. O primeiro livro a narrar as histórias do bruxo Geralt foi O último desejo, publicado por esta Editora. As aventuras do sagaz Geralt de Rívia, imenso sucesso de crítica e de público e reconhecidas internacionalmente como fenômeno literário, inspiraram a criação do videogame The Witcher.
Título: A Espada do Destino
Autor (a): Andrzej Sapkowski
Série: The Witcher - 2 (ou A Saga do Bruxo Geralt de Rívia - 2)
Editora:WMF Martins Fontes
Número de páginas: 379

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Conhecer o universo de The Witcher através da leitura de O Último Desejo, despertou em mim a curiosidade de continuar acompanhando a jornada de Geralt de Rívia, o soturno - porem carismático - bruxo. Foi assim, sem pestanejar, que fui atrás do volume seguinte de sua saga, que tal qual o primeiro, tinha muito a oferecer. 
Em A Espada do Destino continuamos acompanhando o bruxo Geralt de Rívia em uma jornada permeada por diversas aventuras. Porem, diferente do que foi apresentado no volume anterior, não há uma trama principal que intercala os capítulos. Exceto por esse detalhe, o segundo volume da série The Witcher segue com a estrutura de contos, onde diversas aventuras do personagem são narradas na mesma obra.
Nosso protagonista está mais experiente e a cada passo tem que lidar com as consequências das mudanças que seu mundo vem passando. Lembre-se: Com a expansão e invasão territorial, os conflitos humanos são cada vez mais destaque e a era dos monstros parece contada. Quase não há mais trabalho para bruxos como Geralt. Seguindo uma ordem sequencial, vamos conto a conto com o Lobo Branco reencontrando amigos e amores, fazendo novos aliados e inimigos, desbravando fronteiras lidando com camponeses tacanhos, monarcas pretensiosos, criaturas raras e questionamentos necessários. Diferenciar qual é o verdadeiro perigo entre humanos e monstros não parece mais um tarefa simples e a cada nova história nos aprofundamos nos detalhes.
Como ressaltado na resenha anterior, trabalhar com esse modelo de antologia talvez seja um dos grandes acertos de ambos os volumes. Sapkowski não cria rodeios para inserir informações desnecessárias em meio a uma história longa, como em uma daquelas que fazem muitos leitores perderem o rimo e abandonar obras. Cada aventura apresentará o que é fundamental pra que funcione e nada mais: costurar as informações do mundo será tarefa sua, e mesmo assim nem de longe é obrigatória.
Se O Último Desejo Sapkowski criou uma introdução perfeita se utilizando nessa estrutura, aqui temos uma obra que conecta os elementos apresentados. Apesar de funcionar também de forma independente, já que as aventuras se iniciam e se concluem sem exigir do leitor um conhecimento prévio do personagem, referências aos eventos anteriormente narrados estão presentes aqui e apontam para algo maior.
Sobre a escrita do autor não há nenhuma grande alteração a ser feita: segue apresentando-se em um misto do clássico e moderno, com o texto simples e de fácil compreensão, mas sem perder os ares do fantástico habitual. Novamente diálogos são sujos e "populares", sem rebuscamentos ou exageros. As descrições, principalmente nas cenas de ação, vão a onde precisam ir e não passam perto do enfadonho ou detalhamento clínico.
As personagens e suas relações são aprofundadas, o lado psicológico fica mais evidente, porém ainda apenas o suficiente para que funcionem na história, sem necessidade de conhecermos a fundo todo seu passado e origens. Encontramos novamente a feiticeira Yennifer e o bardo Jaskier, somos apresentados a novos personagens, além de nos depararmos outra vez com novas versões de figuras que nos são conhecidas de outros contos.
Durante a leitura do volume anterior, me fiz surpreendido ao notar que o autor não apenas contava uma história inédita como também recontava versões dos clássicos contos de fadas unindo a elementos retirados do folclore escandinavo ou criados por eles. Cada reconhecer de história, cada easter egg, trazia consigo um prazer imenso. Sapkowski  mostrou mais uma vez que sabe manter o clima de sua narrativa, focar em seu protagonista e ainda revisitar clássicos em seu mundo sombrio sem que isso parecesse caricato ou uma satírico, encaixando perfeitamente com o contexto inserido. 
Sobre a publicação o livro possui duas edições distintas publicadas quase simultaneamente pela WMF Martins fontes. As diferenças ficam no formato, capa e trabalho gráfico, mantendo é claro o mesmo conteúdo. A razão para tal é apenas mercadológica, visto que a série já vinha sendo publicada desde 2011 e recebeu capas com artes dos jogos posteriormente para atrair o público habituado a eles.
Assim como afirmei sobre O Último Desejo, A Espada do Destino é uma perfeita porta de entrada para o universo The Witcher ao mesmo tempo que entrega ao leitor uma boa obra contida em si. Tanto que seguir a ordem - ou ler ambas - não é imprescindível para a aproveitar das obras, apenas trás uma maior compreensão de algumas questões. Uma obra perfeita para amantes de uma boa fantasia, e também para aqueles que precisam doses variadas de aventura em um único volume.
Permanece por fim o aviso: Não há nada aqui que obrigue o leitor a continuar lendo os livros da séries. Contudo, uma vez iniciada, dificilmente irá querer deixar de acompanhar A Saga do Bruxo Geralt de Rívia.

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