segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Mestre das Chamas

Ninguém sabe exatamente como nem onde começou. Uma pandemia global de combustão espontânea está se espalhando como rastilho de pólvora, e nenhuma pessoa está a salvo. Todos os infectados apresentam marcas pretas e douradas na pele e a qualquer momento podem irromper em chamas.
 Nos Estados Unidos, uma cidade após outra cai em desgraça. O país está praticamente em ruínas, as autoridades parecem tão atônitas e confusas quanto a população e nada é capaz de controlar o surto.
O caos leva ao surgimento dos impiedosos esquadrões de cremação, patrulhas autodesignadas que saem às ruas e florestas para exterminar qualquer um que acreditem ser portador do vírus.
Em meio a esse filme de terror, a enfermeira Harper Grayson é abandonada pelo marido quando começa a apresentar os sintomas da doença e precisa fazer de tudo para proteger a si mesma e ao filho que espera.
 Agora, a única pessoa que poderá salvá-la é o Bombeiro – um misterioso estranho capaz de controlar as chamas e que caminha pelas ruas de New Hampshire como um anjo da vingança.
Título: Mestre das Chamas
Autor (a): Joe Hill
Editora: Editora Arqueiro
Número de páginas: 592

SKOOB - COMPARE E COMPRE - LOJA RECOMENDADA

Dramas, suspenses e distopias muitas vezes nos fazem pensar sobre a natureza do ser humano. Mestre das Chamas é um perfeito exemplo disso. Em meu primeiro contato com a obra do escritor Joe Hill, deparo-me com um drama em um cenário de crise mundial, quase pós-apocalíptico, onde uma doença mortal se alastra e pessoas morrem em autocombustão; a esperança é cada vez mais escassa e a ciência parece ineficaz, junto com a doença outra crise se alastra facilmente o desespero. E todos nós sabemos que são nos momentos mais difíceis que conhecemos o melhor e o pior do homem...
No meio de todo esse inferno acompanhamos Harper Grayson, uma enfermeira infantil que tem sua vida virada de cabeça pra baixo quando um fungo apelidado de Escama de Dragão surge misteriosamente se espalhando, infectando milhares de pessoas, e levando-as a casos de combustão espontânea. Por mais que a ciência investigue, nada se sabe sobre a origem do fungo e uma cura parece longe de ser encontrada; contudo algumas pessoas se esforçam para manter a normalidade e ajudar ao próximo, mesmo que ele possa virar um corpo carbonizado ao seu lado segundos depois. É assim, trabalhando para ajudar quem precisa, que Harper é infectada, e como desgraça nunca vem só, descobre que está grávida. O que fazer quando a morte parece certa pra todos infectados? Manter uma gravidez contando com a chance da criança não nascer infectada é uma possibilidade remota, mas será que não valeria a pena? Estaria ela salvando a criança ou condenando-a a ser cozida ainda no útero? Por via das dúvidas, seu marido Jakob - após abandoná-la - decide que a morte era a melhor solução. Não apenas um aborto, mas um romântico suicídio antes que a doença matasse a todos.
Pesado, não? E esse é apenas o inicio da jornada. Harper precisa lutar com unhas e dentes para sobreviver aos nove meses da gestação para dar a seu filho uma chance de viver longe da infecção e não faltarão percalços no caminho como o Homem de Malboro, as patrulhas do governo, os esquadrões de cremação e tantos outros. A enfermeira se vê sem saída, até que com a ajuda da misteriosa figura do Bombeiro - um homem capaz de controlar as chamar - descobre uma colônia, onde pessoas infectadas vivem livremente, com as escamas controladas e teoricamente, sem riscos de entrar em combustão. Mas seria essa uma chance para ter seu filho em paz ou apenas um lugar onde novos problemas irão aparecer?
Cínico, cru e direto, Joe Hill se esforça para mostrar em Mestre das Chamas uma sociedade em ruínas que mesmo com um quê de fantástica consegue ser palpável e crível, não apenas pela riqueza de detalhes e vida empregue em cada referência e citação, mas também pela assustadora verosimilhança com algumas temáticas abordadas. Questões que vão desde relacionamentos abusivos, aborto, discriminação com pessoas infectadas com algumas doenças, comportamento de manada até o discurso de ódio e ondas de violência onde "supremacistas" prazerosamente matam pessoas "pelo bem da sociedade".
O texto da obra, embora detalhado, é de simples leitura e a narrativa é fluida. A linguagem coloquial e crua auxilia a sensação de proximidade - afinal no nosso dia a dia as pessoas usam palavrões - e reforçam o peso das cenas. Hill não poupa detalhes em suas descrições e nem escolhe as palavras pomposas e floreios para contar-nos sua história. Contudo, apesar das qualidades, há momentos em que esse excesso de zelo tornam a leitura cansativa e muitas vezes me fizeram questionar se havia necessidade da história se prolongar tanto.
O já destacado ponto alto da obra - as questões humanas - fica destacado a partir dos personagens que o autor constrói com maestria e das relações entre eles. É fácil gostar e torcer pela forte e determinada enfermeira Harper,  pelo garoto mudo Nick e sua irmã adolescente rebelde Allie, e odiar o marido chauvinista Jakob e o Homem de Malboro, bem como outros personagens que aparecem no avançar da história. As situações extremas expõe a chama da esperança entre as cinzas, e também a mesquinha chama que a tudo quer destruir, presentes do ser humano; emocionando e chocando o leitor por diversas vezes.
Mestre das Chamas é um excelente drama, com ótimos personagens, embora desnecessariamente grande e por vezes cansativo. É preciso o leitor estar preparado para esse tipo de leitura, mas feito isso existem muitas boas discussões e reflexões para se absorver, e bela jornada para se acompanhar. Apesar de ter sido o primeiro contato com o autor, o balanço dos pontos positivos e negativos garantem a certeza de que não será o último.




Nenhum comentário:

Postar um comentário