terça-feira, 1 de agosto de 2017

Nós Vimos: Planeta dos Macacos - A Guerra



Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel. Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.


Planeta dos Macacos - A Guerra
Título Original: War of The Planet of the Apes
Lançamento/Duração: 2017 - 142 minutos - Gênero: Ação, Ficção Científica, Drama
Direção: Matt Reeves
Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver, Matt Reeves e Mark Bomback
Elenco: Andy Serkis, Amiah Miller, Steve Zahn, Woody Harrelson, Karin Konoval, Toby Kebbell, Michael Adamthwaite e Judy Greer


Uma grande conclusão par uma trilogia tão querida. Os motivos para tal, nem de longe são aqueles que você possa estar pensando: cuidado o foco de sua expectativa ou poderá frustrar-se. Planeta dos Macacos - A Guerra não é um filme sobre o confronto definitivo entre humanos e símios, nem mesmo de longe. O trailer e o título te enganam, mas nem por isso ele deixa de ser um filme espetacular.
O terceiro longa da série tem como foco, mais do que tudo, Cesar e seus companheiros. Os humanos são para a trama, ferramentas para a construção da relação entre os personagens e escada para que, como os personagens em tela, sintamos determinadas emoções. A carga dramática, o peso das consequências, as reflexões, tudo está mais evidente.
A trama do filme prossegue pouco tempo após os acontecimentos do anterior, trazendo as consequências do ato de Koba, figura ainda participativa através de sua influência. Os humanos comandados pelo Coronel tentam retaliar o desenvolvimento da sociedade simiesca em um combate direto, com a ajuda de alguns macacos traidores. A motivação de ambos os lados é a mesma - sobrevivência - mas suas metologias e expectativas são extremamente diferentes. Após perdas significantes, César e um grupo de companheiros partem em uma jornada por vingança, que os levará por tragédias, desespero, amizade e uma nova esperança.
Planeta dos Macacos - A Guerra se mostra um blockbuster mais intimista e contido. Trazendo desde o início da trilogia uma série de reflexões, aqui elas parecem reforçadas a cada instante. A partir do contato entre os grupos a história abre espaço para questionamentos sobre civilidade, cultura, moralidade e o olhar para o semelhante, principalmente na questão da superioridade. Afinal, o que determina quem é superior? Serão mesmo tão distintos? Existe abertura para diversos debates filosóficos, mas sem deixar de lado a ação que conquista outra parte do público.  
A humanidade tem como seu representante máximo o antagonista Coronel, muito bem interpretado por Woody Harrelson e claramente inspirado no Coronel Kurtz de Marlon Brando em Apocalypse Now (fato destacado por diversos colegas da impressa).  O vilão serve como bom contraste à fúria de Cesar, com um fanatismo controlado e frio que mostram bem como o homem desta distopia perdeu sua própria humanidade. Não faltam atos para nos mostrar isso! Além dele temos a pequena Nova, um contraponto total ao que representa o personagem e uma adição ao lado dos macacos (além de fazer referência direta aos filmes clássicos).
Do lado simiesco a atuação de Andy Serkins como César despertará novamente a discussão sobre ele merecer uma indicação ao Oscar. E por mais que os efeitos visuais complementem seu trabalho, toda expressão corporal e postura do personagem é feita pelo ator e isso faz com perfeição. Os sentimentos expressos por ele são palpáveis e as relações construídas ao redor do personagem destacam não apenas isso, como também reforçam os personagens anteriormente apresentados como Rocket e Maurice acrescentando mais peso. A adição ao elenco símio fica por conta do alívio cômico de Bad Ape, o único outro macaco falante além de Caesar, e que não fazia parte do bando que se tornou senciente. Fugido de um zoológico, Bad Ape viveu isolado numa cabana por muitos anos e se comporta como humano, usando inclusive vestimentas. Esse fato, além de construir o novo personagem, expande a questão dos efeitos do vírus da gripe símia e sua consequência: macacos em outros lugares estão se tornando mais espertos.

O trabalho da equipe técnica é novamente primoroso. Da captação de movimentos a produção digital, todo o conjunto cria macacos visualmente tão críveis que se torna difícil acreditar que nenhum animal foi utilizado nas filmagens. Os macacos são extremamente expressivos e mesmo sem  falar, ainda que alguns consigam o número é pequeno, possuem uma comunicação gestual e visual bem forte. Mesmo nas cenas de ação - muito bem elaboradas, por sinal - é possível compreendê-los.
A trilha é quesito mais fraco do filme, porém apenas por não ser marcante. Pois, atua como elemento complementar às cenas cumprindo seu papel de auxiliar no despertar das emoções no espectador.
Planeta dos Macacos - A Guerra encerra a trilogia de maneira de maneira mais do que satisfatória. O longa reforça bem o que já foi constatado em Planeta dos Macacos - A Origem: é mais que possível fazer grandes produções com qualidade de roteiro e técnica, sem abrir mão da ação e da emoção. Entretenimento com profundidade, indo além de histórias rasas. Além de ser um sequência que em nada fica devendo para os filmes anteriores. Saí do cinema querendo mais do que apenas revê-lo, mas com vontade de ver toda a trilogia e ter em minha estante miniaturas do César e outros macacos. Minha recomendação é: assistam assim que puderem. Não irão se arrepender.

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