segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Contos do Cão Negro



Série: Contos do Cão Negro
Títulos: Vol. 1 - O Coração do Cão Negro e Vol. 2 - A Canção do Cão Negro.
Roteiro: César Alcázar
Arte: Fred Rubim
Editora: AVEC Editora
Número de páginas: 63

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O que aconteceria se uma obra trouxesse o clima de aventura de Conan para o mundo que conhecemos com toques de ficção histórica? E se essa obra trouxesse não apenas a ação, mas o clima sobrenatural presente em algumas aventuras do cimério? E se por fim a arte da obra o remetesse a Hellboy, outro expoente dessa mistura? Você não precisa se esforçar para imaginar nada disso, pois pode encontrar isso e mais um pouco na série gráfica antológica Contos do Cão Negro, de César Alcázar e Fred Rubim que conta com dois volumes até o momento lançados pela Editora AVEC: O Coração do Cão Negro e A Canção do Cão Negro.
É impossível fugir do comparativo aos trabalhos de Robert E. Howard, H.P. Lovecraft e Mike Mignola. Digo isso não para apontar referências e semelhanças notáveis na obra, mas para garantir a paridade dos trabalhos. O clima pulp com direito a espada, mistério sobrenatural, pesquisa histórica e mitológica, é muito bem executado em uma narrativa gráfica onde cada detalhe em cada quadro complementa a história.
A  série conta a história de Anrath, um mercenário irlandês conhecido como Cão Negro de Clontarf, em suas várias aventuras na Irlanda do século XI, durante as várias tensões entre os nórdicos e gaélicos. Anrath, o mercenário conhecido como o Cão Negro de Clontarf, é um homem atormentado, nascido gaélico e criado entre os vikings. O destino fez com que ele se tornasse um renegado, um guerreiro condenado a vagar entre duas culturas como um pária sem pertencer a nenhuma.
No primeiro volume, O Coração do Cão Negro, o mercenário gaélico é contratado por um misterioso inglês para encontrar um antigo medalhão chamado Coração de Tadg, supostamente uma chave para tesouros e poderes ligados a deuses antigos. Com a missão cumprida, Anrath é envolvido contra sua vontade em uma trama de vingança e traição que o levará direto para as mãos de Ild Vuur, um líder viking ligado a seu passado, e o fará confrontar horrores além do espaço e do tempo.
A obra de clima sombrio que flerta com o horror, carregada na narrativa visual e nos diálogos curtos e diretos, nos introduz ao universo habitado pelo Cão Negro, suas regras e características; embora com boa base histórica e focado no herói humano, há mais coisas entre o céu e a terra do que julgam os mortais. Somos entregues a um protagonista formado e a uma história em movimento, sem interrupções na continuidade da obra para ambientar o leitor de forma clichê e por vezes preguiçosa. Seu passado nos é entregue em subtexto e nos enche de curiosidade com as incessantes lacunas que abrem espaço para novas possíveis narrativas. E é exatamente o que desejará o leitor após a conclusão da trama, que embora não seja necessariamente original, é envolvente e muito bem executada.
A Canção do Cão Negro, ambientada um ano após a batalha os acontecimentos do primeiro volume, nos traz Anrath agora como comandante de seu próprio navio, mas não por isso com uma vida confortável. Após uma missão na Islândia, o gaélico irá se deparar com um novo confronto com saqueadores vikings, reflexo direto de suas ações e sua má-fama. Contudo, em meio a uma sangrenta batalha, o Cão Negro irá se deparar com uma criatura mitológica sedutora e mortal, que lhe tará a promessa de aliviar o peso de uma vida, mas com um caro custo.
Enquanto o volume anterior nos apresenta o protagonista e seu universo de forma direta, o segundo pavimenta questões sobre passado, presente e futuro do personagem. Em uma trama de forte teor psicológico, embora a ação não deixe a dever em nada para o anterior, Alcazar expande a narrativa para somar mais peso ao personagem, principalmente através das relações. Isso sem abandonar a leitura subtextual, embora a obra mais direta que a anterior. Os principais atrativos da obra se mantém, e mais uma vez a narrativa envolvente te conduz ao desejo de continuidade.
O formato de conto gráfico favorece a criação de histórias tanto sobre o passado quanto o futuro do personagem sem necessidade de um continuísmo barato ou a obrigação de sequência de leitura. É claro que há um ganho em experiência ao consumir na ordem correta, mas uma das principais características do roteiro criado por Alcazar é ser fechado e contido em si apesar das lacunas propositais sobre o personagem. Aliás, o Cão Negro  nasceu em contos escritos por César Alcázar e publicados em diversas antologias tanto em território nacional quanto no exterior, além de um romance,  Fúria do Cão Negro, todos eles bastante elogiados pela crítica. 
Com um traço marcado, crú e simples, o trabalho de Fred Rubim para os Contos do Cão Negro é excepcional e traz aos contos uma boa dosagem do clima pulp e do quadrinho europeu. O resultado são suas graphic novels de altíssima qualidade, tanto no roteiro e arte, quanto no trabalho gráfico e editorial executado pela AVEC Editora.
A série Contos do Cão Negro é um prato cheio para aqueles que gostam aventuras de espada e feitiçaria dinâmicas e envolventes, com boas batalhas, e mistérios antigos. Mesmo que você não goste de HQs, essa obra tem tudo para te agradar.


Um comentário:

  1. Olá Ace,

    O bom de vir aqui é que sempre ficamos por dentro das novidades, gostei demais da dica e já anotei para futuras aquisições...abraço.

    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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