sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Sherlock e os Aventureiros: o Mistério dos Planos Roubados

Em um mundo dominado por adultos, grandes corporações e uma polícia ocupada demais para ouvir um bando de garotos, o jovem Sherlock Holmes precisa provar para si mesmo que pode fazer a diferença.
Com a ajuda da furtiva Irene Lupin e do inventivo Nikola Tesla, Sherlock precisa utilizar toda a sua astúcia para enfrentar a misteriosa Companhia do Grande Oriente e recuperar os planos roubados do jovem engenheiro. Entre capangas homicidas, rinhas clandestinas e becos escuros, os três aventureiros vão explorar o submundo de uma Londres oculta e perigosa
Embarque nesta aventura supreendente e divertida e acompanhe a origem de um rapaz destinado a se tornar o maior detetive de todos os tempos.
Para o Jovem Sherlock e os Aventureiros…
O jogo já começou
Título: Sherlock e os Aventureiros: o Mistério dos Planos Roubados
Autor: A.Z. Cordenonsi
Editora: AVEC Editora
Ano: 2017 / Número de páginas: 128


Ora, ora! Temos aqui um  Xeroque Sherlock Holmes!
O famoso detetive britânico nascido pelas mãos de  Sir Arthur Conan Doyle já ganhou diversas adaptações em múltiplas mídias, com diferentes abordagens, diversas idades e até mesmo gêneros. Algumas delas se tornam clássicos por conta de elementos específicos, como é o caso de O Enigma da Pirâmide filme com roteiro de Chris Columbus e produção de Steven Spielberg que trouxe em 1985 um jovem Sherlock Holmes ainda em formação, intrépido e sagaz, mas com as falhas da juventude. A obra, é claro, inspirou outras produções envolvendo a adolescência do detetive, poucas talvez tenha se aproximado do clima do filme como Sherlock e os Aventureiros: o Mistério dos Planos Roubados do escritor gaúcho André Zanki Cordenonsi.
Em Londres, na segunda metade do século XIX, um rapaz pequenino grita a plenos pulmões por justiça. O motivo? Uma figura conhecida como Mr. Brown roubou os planos de seus inventos, privando-o da chance de se provar e recuperar-se na vida. Mas quem irá acreditar na palavra de uma criança orfã e maltrapilha? Não a polícia, que tenta deter o jovem inventor Nikola Tesla após uma confusão na rua, mas sim um jovem e curioso inglês sedento por um desafio para seu intelecto. Pelas ruas sombrias do submundo londrino, Sherlock Holmes e Tesla terão que enfrentar perigos, que os levarão a um sindicato secreto de criminosos notórios e cruzarão seus caminhos com a jovem ladra Irene Lupin para alcançar seus objetivos.
Com apenas 128 páginas é difícil não devorar a obra de Cordenonsi de uma única vez. Sua narrativa é leve e fluída, sem empecilhos que travem o leitor e deixam a leitura arrastada. A simplicidade da linguagem, apesar da ambientação de época do livro, é fundamental para esse dinamismo; e é bom não confundir simplicidade com um texto mais pobre. O autor entrega uma história muito bem ambientada e embasada, e também carregada de referências históricas e a outros produtos culturais de forma natural, algo que acrescenta bastante a experiência e enriquece como um todo o conteúdo. Não é porque o livro carrega leveza que oculta as imperfeições e sujeira da vida na capital britânica na época.
A celeridade elogiada no entanto talvez seja o principal inimigo da obra em determinados pontos. Digo apenas talvez, porque embora bem construídos, alguns elementos acabam passando muito rapidamente durante a trama, instigando o leitor e entregando pouco. Porém diante a proposta de aventura seriada que nos deparamos ao fim da obra, é compreensível que apenas o fundamental para a resolução daquele problema imediato seja concluído aqui. As demais questões podem vir a ser trabalhadas adiante. 
Sobre a trama é impossível falar além do que foi resumido, afinal trata-se de livro curto e ágil, mas o tom que domina o livro é o aventuresco, com mais agir do que apenas investigar e pensar. Os personagens são carismáticos, independentes e se complementam bem, cada um utilizando sua inteligência e habilidades de formas diferentes.
A parte gráfica do livro merece apenas elogios. Todo o destaque na numeração dos capítulos, os detalhes nas letras capitulares e as ilustrações internas está primoroso, mas a ilustração de capa rouba as atenções, principalmente por conta de seu Sherlock que homenageia o jovem detetive no clássico filme O Enigma da Piramide, mas traz traços da mais recente e famosa versão do personagem interpretado por Benedict Cumberbatch.
Sherlock e os Aventureiros: o Mistério dos Planos Roubados é uma excelente pedida para quem busca uma aventura leve e descompromissada. Cordenonsi nos entrega uma obra divertida e envolvente, que deixa aquele gosto do quero mais quando termina, nos restando apenas esperar que um novo encontro com os aventureiros aconteça em breve.

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