sábado, 7 de abril de 2018

Canção de Ninar

Quem cuida dos seus filhos quando você não está olhando? Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. Com uma tensão crescente construída desde as primeiras linhas, Canção de Ninar trata de questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos entre classes e culturas, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Publicado em mais de 30 países e com mais de 600 mil exemplares vendidos na França, Canção de Ninar fez de Leïla Slimani a primeira autora de origem marroquina a vencer o Goncourt, o mais prestigioso prêmio literário francês.
Título: Canção de Ninar
Autor (a): Leila Slimani
Editora: Planeta
Número de páginas: 192


Quando vi esse livro entre os lançamentos do mês da Planeta, surtei! A capa já me chamou logo a atenção (me remetendo àqueles filmes mais bizarros que eu tanto gosto de assistir) e a sinopse acabou me figando completamente. Iniciei a leitura achando que se tratava de um thriller (não me pergunte o porquê já que nem eu mesma sei de onde tirei essa ideia) e me vi surpreendida quando encontrei uma história totalmente diferente.
Myriam sempre foi mãe em tempo integral mas, apesar de amar os filhos e ficar feliz em acompanhar o desenvolvimento de cada um deles e estar presente em todos os momentos, ela sente que sua vida está estagnada e que deixou de ser uma mulher por não ter nada de novo pra conversar. Ela começa então a fomentar aquela vontade forte de voltar à ativa e trabalhar como advogada. E quando a oportunidade que queria finalmente aparece, Miryam precisará contratar uma babá e vai descobrir que essa não é uma tarefa tão fácil quanto imaginava.
As primeiras entrevistadas não eram bem o que esperava e acabam deixando-a insegura. Nenhuma daquelas mulheres preenchia seus requisitos e ela jamais entregaria os filhos a alguém que não lhe inspirasse confiança. Até que apareceu Louise e logo Miryam soube que essa seria a pessoa certa. Com modos gentis, sorriso discreto e voz mansa, Louise acabou conquistando de imediato sua simpatia e de seus filhos, o que já era um excelente sinal.
Dona de um currículo exemplar, Louise logo se adapta à rotina da família. Além de cuidar das crianças, ela também cuida da casa, prepara o jantar e mantém o ambiente sempre o mais organizado possível. Ela era o que faltava na vida de Miryam e sua família, e sua presença se torna indispensável. É impossível imaginar essa pessoa tão amável matando, a sangue frio, duas crianças. O que levaria uma mulher a fazer isso?


Vamos começar já sendo sincera: estava esperando algo totalmente diferente desse livro. Eu jurava que ele seria um thriller (o porquê eu não sei, juro) e, quando comecei a ler vi que estava bem longe disso. Canção de Ninar tem uma história mais voltada para o drama e traz em suas páginas críticas sociais, que nos fazem refletir e que, por vezes, nos deixam chocados.
A história já começa com o assassinato das crianças e, para que possamos descobrir o que levou Louise a fazer tal coisa, a autora nos leva ao início de tudo, mostrando sua entrada nessa família, seus dramas pessoais, sonhos e receios em relação a vida. Por trás daquela mulher focada no trabalho, que faz dele sua maior meta de vida, existe uma alma sofrida, que já passou por poucas e boas na vida e que, para conseguir alcançar aquilo que deseja, acaba criando planos que antes mesmo de serem colocados em prática já se mostram um desastre.
O que a gente pode perceber é que Louise é uma mulher desesperada e carrega consigo todas as marcas das frustrações, perdas e abusos que sofreu durante o longo dos anos. Não que isso venha a tornar válido o rumo que a trama toma, mas serve para fazer com que conheçamos o outro lado da história.
Canção de Ninar foi um livro que me tirou do lugar comum e que me fez parar para refletir sobre diversos assuntos. Passei muita raiva também, não vou negar. Pra início de conversa não consegui simpatizar com os pais das crianças. Achei Paul frio e arrogante, o tipo de homem que eu não tolero por 5 minutos de conversa que já quero jogar pela janela. Já Miryam, apesar de sempre tentar mostrar-se amorosa com os filhos, não parecia estar preparada para a maternidade. O caso é que o trabalho era sempre mais importante e cuidar dos filhos acabou se tornando uma tarefa quase que exclusiva de Louise. Se eles tivessem sido um pouco mais observadores poderiam, com certeza, impedir a tragédia que se sucedeu.
Esse foi um livro que dividiu minha opinião. Ele me deixou reflexiva em diversos momentos e me fez questionar posturas (tanto dos pais como da babá). Mas não vou mentir: esperava um pouco mais dele, principalmente do final. Não foi uma leitura ruim, porém faltou algo mais pra me pegar completamente.
A leitura é rápida e a autora conseguiu manter minha curiosidade alerta do início ao fim. Acredito que o final não agradará a todos (olha eu aqui como prova disso), mas é um livro que vale muito a pena ser lido.


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