segunda-feira, 16 de abril de 2018

Justin

Quando o professor de Educação Física pede para a turma formar uma equipe de meninas e uma de meninos, Justine permanece no meio. Ela sente que não pertence ao gênero que lhe foi atribuído, mas está convencida de que todo mundo sabe disso, exceto seus pais.
Ao longo de sua vida como criança, adolescente e jovem adulta, muitas vezes maltratada e incompreendida, Justine, por fim, compromete-se a viver como quem ele sempre foi, isto é, Justin.



Título: Justin
Autor (a): Gauthier
Editora: Nemo
Número de páginas: 104

Sempre gostei muito de ler HQs. Quando era mais nova as minhas preferidas eram as da Turma da Mônica e, por muito tempo, essas eram as que eu mais lia (tanto a versão clássica como a jovem). Porém, de uns anos para cá descobri o catálogo da Nemo e me apaixonei. As histórias mais bobinhas foram dando espaço para as mais sérias, com assuntos mais atuais e que além de divertir, me fizeram refletir. Foi assim com várias HQs da editora e não foi diferente com Justin.
Justine nunca se sentiu uma menina. Desde pequena ela queria fazer coisas que eram intituladas como "coisas de meninos",o que fazia com que sua mãe a chamasse de Maria-homem. Usar vestido ou brincar com bonecas nunca foram coisas que ela gostasse de fazer. Justine era, em suas palavras, um menino no corpo de menina. O auge de tudo é quando, em uma aula de educação física o professor pede para que a classe se divida em meninos e meninas e Justine simplesmente não sabe para qual lado ela deve ir.
Com o decorrer do tempo as coisas só pioram, as idas aos psicólogos não ajudam em nada e só fazem colocar em sua mente que ela é anormal. Em meio a isso, há também o medo de magoar a família, de fazer aqueles que tanto ama sofrer. Vamos acompanhar, então, as diversas crises existenciais de Justine até que ela, finalmente, consiga se encontrar.

Vamos começar por partes. A primeira coisa que me chamou atenção nessa HQ foi o tema. Estamos em uma época em que a questão dos transgêneros está sendo altamente discutido e trazer uma história que aborda o tema foi uma grande sacada da editora. A segunda coisa que me gritou aos olhos foi a capa, que me ganhou justamente por ser diferente e inovadora. Eu, que estou tão acostumada a ver aquelas ilustrações mais "tradicionais", me vi fisgada pela forma como Gauthier retratou tanto Justine como as pessoas ao seu redor.
Com uma narrativa simples e sensível, vamos acompanhando a trajetória de Justine para conhecer a si mesma e descobrir seu lugar no mundo. Ela sabe que é diferente, não está feliz com o corpo que tem, não se sente bem como mulher, mas também não sabe quem é o que acontece consigo.
Confesso a vocês que imaginava uma história mais abrangente, que focasse não somente o lado de Justin, mas também ao dos que estavam ao seu redor. Nesse ponto devo dizer que esperava mais e que achei a história um pouco superficial, com pouca abrangência na questão por inteiro e um foco maior nos sentimentos de Justin. Não que isso seja ruim, afinal de contas temos acesso ao que ele sente e por tudo que passa para assumir quem é. Contudo, acredito que a história poderia render muito mais, levantar questões importantes a respeito da identidade de gêneros e trazer pontos relevantes para discussão.
Apesar de ser uma HQ com tema atual e um tanto polêmico, a autora retratou tudo com muita leveza, sem dramas e de uma forma bem direta. Foi uma leitura rápida, muito tranquila e que, embora não tenha me emocionado como eu esperava, acabou se tornando queridinha justamente pela sutileza encontrada em cada página.
É o meu primeiro contato com uma obra da autora e gostei muito do que encontrei. Se você não tem o hábito de ler HQs e quer começar, eis aqui uma boa pedida. Leitura rápida e envolvente, que vai com certeza agradar. Leiam e venham me contar o que acharam depois!





5 comentários:

  1. Oi, tudo bem?
    Não conhecia a autora e mesmo sendo uma fã dos HQs da turma da Mônica eu não sou uma leitora frequente deles ultimamente. Gostei bastante da capa e da premissa que é bastante diferente das que já vi e irei anotar a dica!

    Bjs
    Blog Tell Me a Book

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  2. Eu não tenho o habito de ler Hqs em nada, mas já li alguns, gostei. Mas nunca mais testei, vejo muitas pessoas falarem desse livro desde que lançou e estou até curiosa, lendo suas considerações fiquei mais ainda, obrigada por me mostrar a primeira resenha sobre a obra.

    Beijos

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  3. Não li essa HQ, mas acho que vou acabar gostando mais que você quando tiver oportunidade de fazer isso, ja que minha expectativa desde que tomei conhecimento da obra era diferente da sua, sempre achei que ia focar mais mesmo na personagem principal. E acho mesmo interessante que seja assim, ser transgênero não deve ser nada fácil e acho bem legal ter uma história que possa gerar empatia nos outros mostrando como é complicado.

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  4. Oi Neyla, fiquei sabendo deste HQ na semana passada e me interessei na hora por ele. Sua resenha só veio confirmar meu interesse. A Nemo tem feito um trabalho incrível com seus livros, sempre com temas atuais e importantes.
    Bjs, Rose

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  5. Oi Neyla!
    Sua resenha está muito bem escrita, gostei muito da capa da HQ mas eu passo a dica. Parabéns pelo blog.

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