terça-feira, 7 de agosto de 2018

A Rebelde do Deserto

O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher.
Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele.
Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por lhe revelar o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.
Título: A Rebelde do Deserto
Série: A Rebelde do Deserto #1
Autor (a): Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Número de páginas: 283

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Se tem um gênero que não me enche muito os olhos é a fantasia. Não me pergunte o porquê, mas são raros os que conseguem me prender e, por conta disso, é ainda mais raro você me vê lendo algum. "Mas Neyla, se você não curte muito fantasia, o que A Rebelde do Deserto tá fazendo aqui?". Veja bem, esse é aquele livro que ganhei num sorteio e acabei meio interessadinha em ler de tanto ouvir comentários bacanas de alguns amigos. Resolvi dar uma chance, depois de mais de um ano do bichinho tomando chá de poeira na estante, e não é que gostei do livro?
Amani nasceu e cresceu no deserto, mais precisamente em Miraji, mas seu grande sonho é ir embora daquele lugar. Desde que os pais morreram e ela passou a morar com os tios e primos, sua vida tem sido um verdadeiro inferno. A tia a odeia, as primas a tratam mal, o namorado de uma das primas tenta assediá-la sempre que pode e, como se isso não bastasse, o tio planeja tomá-la como mais uma de suas esposas. Fugir seria sua única chance, mas para que isso possa acontecer ela precisa de dinheiro. E é assim que ela vai parar no Boca Seca, um bar mais afastado da cidade, onde acontece uma competição de tiros.
Aí você deve está se perguntando: "Mas que cargas d'água essa menina foi fazer nesse lugar?". Competir, claro! Ela é ótima atirando, sua mira é incrível e, disfarçada de garoto, ela pretende conseguir o primeiro lugar e,com isso, ganhar dinheiro suficiente para dar o fora da Vila da Poeira e do destino cruel que o tio está tentando lhe impor.  Mas nada é fácil nessa vida e, por mais que esteja realmente parecida com um garoto, os olhos azuis podem denunciá-la já que é uma característica rara nos moradores do local.
É enquanto está se preparando para dar o melhor de si nos tiros, que ela conhece um outro participante. O forasteiro deve ter mais ou menos a sua idade e, julgando pela forma como se comporta, logo se vê que ele também está escondendo algo. Apesar de estar se saindo muito bem no torneio, as coisas acabam saindo um pouco do controle e Amani e o forasteiro são obrigados a fugir dali. O local foi incendiado e tudo indica que isso aconteceu por alguém ligado ao príncipe rebelde, homem que vem lutando contra o grande sultão há anos. Parece ser o fim do audacioso plano da nossa garota, que  agora precisará retomar a vida que tinha e torcer para que um milagre aconteça e consiga livrá-la de seu destino.
E um milagre realmente acontece e vem em forma de um buraqi, uma espécie de cavalo mágico, muito valioso e raro que traria uma grande recompensa a quem conseguisse capturá-lo. É a partir daí que começa toda a grande aventura de sua vida já que, ao capturar esse ser primordial, Amani acaba sendo descoberta e acusada de estar ajudado o forasteiro. Resta apenas fugir e, com a ajuda de Jin, o forasteiro, ela vai seguir por caminhos muito além daqueles que já imaginou um dia.
Que livro foi esse? Pá! Que livro foi esse que tá um arraso!
Eu não sei dizer bem o que esperava desse livro, mas o fato é que nada me preparou para isso. Já comecei a leitura curiosa, afinal de contas o primeiro capítulo começa de um jeito que não teve como não me prender. E bastou virar algumas páginas pra me ver conquistada por Amani e sua personalidade marcante. Cheia de garra e determinação, Amani é aquela mocinha que me cativou por ser determinada e estar sempre disposta a se arriscar por aquilo que acha certo.
Jin foi outro personagem que me ganhou de imediato. Dono de um jeitinho meio despretensioso, as vezes até meio irresponsável, ele já veio mostrando a que veio e foi a peça fundamental que faltava na vida de Amani. Os dois formam uma boa dupla e, muito embora sejam donos de personalidades diferentes, o que faz com que os conflitos naturais fiquem em evidência, acabam se completando de uma certa forma.
A trama é recheada de ação e magia. Gostei da forma como a autora foi mesclando, em meio aos muitos acontecimentos, um pouco da história do local, da luta do príncipe rebelde para libertar seu povo da vida que levavam nas mãos do sultão e, principalmente, da história dos seres místicos que povoam o deserto. Não deixou a narrativa lenta e tampouco quebrou o ritmo do livro, o que achei sensacional, afinal de contas não tem nada mais chato que ficar lendo explicações durante a leitura que acabam prejudicando o desenrolar da trama.
A leitura foi rápida e eu não esperava que fosse diferente, afinal é um livro repleto de ação e descobertas, onde os personagens passam por muitos percalços e vivem aventuras de tirar o fôlego do início ao fim. E não posso deixar de dizer que o fato de termos uma protagonista forte e corajosa de um gás a mais na leitura, que se tornou ainda mais atrativa.
Em termos gerais eu amei A Rebelde do Deserto. Foi um livro que me surpreendeu e que me tirou da zona de conforto. É uma leitura mágica e envolvente, com todos os elementos essenciais para prender um leitor e instigá-lo a conhecer mais sobre a história. Recomendo muito, tanto para os fãs de fantasia, como para os que, assim como eu, não se sentem tão atraídos por ela.

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