segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Não Chore, Não






No centro de Chicago, a jovem Esther Vaughan desaparece de seu apartamento sem deixar vestígios. Uma carta sombria dirigida a “Meu bem” é achada entre seus pertences, deixando sua colega de apartamento, Quinn Collins, se perguntando onde a amiga estaria e se ela era - ou não - a pessoa que Quinn achava que conhecia.
Enquanto isso, em uma pequena cidade de porto de Michigan, uma mulher misteriosa aparece no tranquilo café onde Alex Gallo trabalha lavando pratos. Ele é atraído imediatamente pelo seu charme e beleza, mas o que começa como uma paixão inofensiva rapidamente se transforma em algo mais sinistro...
Título: Não Chore, Não
Autor (a): Mary Kubica
Editora: PLaneta
Número de páginas: 304


Hoje não é dia de resenha de época, mas é dia de resenha de um thriller psicológico que vem sendo comentado pelos blogs e instagrans literários. Confesso que, se fosse pelo que ando lendo a respeito dele, jamais teria me interessado em fazer a leitura. Antes de começar o livro, vi que algumas pessoas não tinham curtido tanto a história e fiquei meio receosa. Mas quem está na chuva é pra se molhar e nada melhor que se jogar na leitura, afinal você só vai saber se gosta ou não, só lendo. E foi isso que eu fiz. Ficou curiosa (o) pra saber o que achei? É só continuar lendo a resenha.
Quando Quinn decidiu que era a hora de ser independente e sair da casa dos pais, procurou anúncios de apartamentos onde o aluguel coubesse no seu orçamento. E foi assim que ela encontrou Esther. Já de imediato as duas se deram bem e a convivência sempre foi muito boa. Esther é aquele tipo de garota perfeita, que cozinhava bem, incentivava a comer coisas saudáveis, que cantava no coral e ia à igreja todos os domingos. A garota era praticamente uma santa, tanto que Quinn a apelidou de Santa Esther. Até que, quando ela desapareceu, tudo isso veio abaixo.
No começo Quinn ainda mantinha a esperança de que ela voltasse, mas bastou dar uma vasculhada em seu quarto para perceber que as coisas estavam um pouco estranhas. Em meio aos papéis espalhados pelo quarto, há uma carta endereçada a "meu bem"e assinada por E.V, abreviação de Esther Vaughan. E é aí que começa a investigação de Quinn, que junto com seu amigo (e crush) Ben, vão tentar juntar as peças desse intrincado quebra-cabeças para descobrir o que aconteceu com Esther.
Enquanto isso, em uma cidadezinha um pouco distante de Chicago (onde Quinn e Esther moram), somos apresentados a Alex, um jovem promissor, que trabalha numa lanchonete e deixou passar todas as oportunidades que a vida lhe deu pra poder cuidar do pai, que é alcoólatra. A vida de Alex é cheia de responsabilidades e, por conta do abandono da mãe, ele acabou se tornando a pessoa que cuida da casa e do pai. E é por conta disso que fazer uma faculdade não está nos seus planos já que sem ele ali as coisas ficariam de mal a pior.
O rapaz tem uma vida pacata, sempre seguindo ao pé da letra uma rotina que acaba sendo por demais cansativa. E, em um dos seus dias, ele nota uma figura nova na lanchonete. Uma moça bonita, nova na cidade, e que chama de imediato sua atenção. Por conta da pulseira de pérolas que ela usa no braço ele passa a chamá-la de Pearl. E é assim que sua vida ganha uma nova motivação. Ver Pearl todos os dias, observá-la sem ser notado passa a ser a maior satisfação da vida de Alex. É somente quando ambos se aproximam que ele vai começar a perceber que há ago de muito estranho nela. Não é somente a postura que é misteriosa, Pearl carrega segredos sombrios consigo e ele vai acabar se vendo em uma situação totalmente inusitada.
Basicamente, fazendo um resumo bem resumidinho, a história é essa aí. Claro que existem alguns detalhes, mas não vou ficar aqui contando porque vai perder a graça. Tem coisas que a gente precisa descobrir lendo e não tem nada mais chato que ler uma resenha e descobrir que ela já contou tudo do livro. Eu perco logo a vontade de ler, confesso. Mas, voltando ao que interessa, vamos lá saber o que achei.
Vamos começar, logo de cara, dando meu aval: e aí, Neyla Paula, você gostou ou não do livro? Gostei, gente! Mas, claro, tenho algumas ressalvas pra fazer aqui. A minha nota no Skoob foi 3,5, o que para mim é uma nota boa e que mostra que o livro está perto do ótimo. Existiram algumas coisas que gostei muito e outras que acabaram me deixando um tantinho insatisfeita.
Estamos aqui falando de um thriller psicológico portanto o que queremos encontrar num livro do gênero é... agilidade! E é aí que o livro dá uma pecadinha. A história é muito lenta, a narrativa em determinadas partes chega a ser arrastada e eu, acostumada com livros de narrativa mais ágil, me vi estagnada com a leitura. Sabe aquela sensação de que você está lendo, lendo e não sai do mesmo lugar? Foi essa a impressão que tive em alguns capítulos. Nesse ponto vale salientar que a narrativa é feita sob dois pontos de vista: de Quinn e Alex. Os capítulos narrados por ela são bem mais dinâmicos, afinal de contas nos traz informações sobre o desaparecimento de Esther, os fatos do seu passado e as pistas a respeito do caso. Já os de Alex são tomados por lamentação, amargura e até mesmo um certo vitimismo da parte do garoto. Por mais que eu tenha subentendido que aquela parte seria necessária para que a trama tivesse uma continuidade, em alguns momentos me perguntava se aquilo que estava acontecendo seria mesmo relevante. 
E sim, algumas coisas foram relevantes, algumas informações ajudaram a montar as peças desse caso, mas outras não fizeram nenhuma diferença e nada acrescentaram à trama. Esse foi o ponto que mais me desagradou e, caso a narrativa tivesse sido mais enxuta, sem descrições excessivas e demasiadas sobre fatos sem importância, teria me prendido mais facilmente.
"Mas Neyla, eu não sei se tô querendo ler esse livro não, gosto de agilidade e você está me assustando já". Se acalme aí minha filha, meu filho, que as coisas melhoram. Em um determinado ponto há uma virada na trama e ela começa a ganhar ritmo. Acho que o grande "bum" dos thrillers é ir inserindo detalhes, pistas, qualquer coisa que faça com que o leitor se sinta um pouco como um investigador. E foi isso que faltou inicialmente, mas que foi melhorando com o avançar das páginas. E depois que ela deslancha, meu bem, fica difícil querer parar de ler.
Não vou dizer a vocês que descobri de imediato o que estava acontecendo ou que demorei pra perceber. Foi um meio a meio. Tinha minhas suspeitas, mas foi só quando algumas verdades vieram por terra que percebi que estava indo pelo caminho certo. Uma das minhas teorias não estava completamente certa, mas as demais estavam e fiquei orgulhosa de mim. Por mais que tenha descoberto antes do final o que aconteceu, não fiquei frustrada. Achei que a autora trouxe uma história bem interessante que, mesmo após descoberto o mistério, a gente ainda quer ler pra poder entender o que levou os personagens àquele extremo.
Nesse ponto preciso dizer a vocês que amei o fato do livro ter uma boa dose de drama familiar, algo que ela explorou de forma bem satisfatória. 
Fiquei muito interessada em ler os demais livros da autora (além desse, a Planeta lançou também A Garota Perfeita e A Desconhecida, ambos muito bem comentados) e pretendo trazer resenha deles em breve. Não Chore, Não, pode não ser o melhor thriller psicológico que já li até hoje, mas achei que ele cumpriu bem o seu papel, trouxe uma trama interessante e com personagens que trazem consigo uma bagagem forte. Recomendo!

6 comentários:

  1. Quando desconfiamos que não conhecemos tão bem aqueles que estão ao nosso lado é mesmo uma sensação incômoda ao extremo. Fiquei muito curioso por toda essa atmosfera misteriosa que circula o enredo, apesar da leitura tender a se arrastar pela forma como a autora escreveu vou sim dar uma chance. Fui conquistado rsrs
    Abraços! 😊

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  2. Olá! Então, eis aqui um thriller que gostaria muito de ler! Gostei muito da premissa, mas sem dúvida o que realmente chamou a minha atenção é saber que o final não é corrido e que a autora começa a desatar os nós de uma forma interessante e realmente entrega um suspense de tirar o fôlego. O drama familiar também é bem interessante, deixa a história muito mais atrativa! Obrigada por compartilhar!

    Bjoxx ~ www.stalker-literaria.com ♥

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  3. Olá
    Não conhecia a autora nem a obra, mas a capa é de tirar o folego! Sinto que esse mistério que ronda Esther e Pearl é bem instigante, gosto de livros que prendem, gostei também de saber que tem uma boa dose de drama familiar, afinal isso explora bastante a história e seus personagens.
    Beijos

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  4. eita que loucura, que mistério é esse? Acho que nessas horas eu adoraria um spoiler kkkk
    adorei a resenha e fiquei muito curiosa pra ler esse livro porque é super mega o tipo de livro que eu leria. Valeu pela dica!!

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  5. Olá,
    Adorei a resenha e vivaaaa, não tem spolier. Amo resenhas como a sua que nos deixa com vontade de comprar o livro e começar a ler imediatamente. Sou super fã de thriller psicológico que no final tudo se encaixa, ou não, kkkk. Parabéns pela resenha. Dica mais que anotada.
    Abrç

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  6. Eu não tenho muito conhecimento no genero, mas quando é thriller e é meio parado, ou o leitor fica extremamente agoniado com essa demora dos acontecimentos, ou se decepciona. Acho que esse tipo de narrativa nao funciona com o gênero, de verdade, ainda mais conferindo suas ressalvas. Achei sua resenha muito bacana e extremamente esmiuçada.

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