sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A Desconhecida


Mais um instigante thriller psicológico da mesma autora de A Garota Perfeita, best-seller do The New York Times Todos os dias, a humanitária Heidi pega o trem suspenso de Chicago e se dirige ao trabalho, uma ONG que atende refugiados e pessoas com dificuldades. Em uma dessas viagens diárias ela se compadece de uma adolescente, que vive zanzando pelas estações com um bebê. É fato que as duas vivem nas ruas e estão sofrendo com a fome, a umidade e o frio intenso que castigam Chicago. Num ímpeto, Heidi resolve acolher Willow, a garota, e Ruby, a criança, em sua casa, provocando incômodo em seu marido e sua filha pré-adolescente. Arredia e taciturna, Willow não se abre e parece esconder algo sério ou estar fugindo de alguém. Mas Heidi segue alheia ao perigo de abrigar uma total estranha em casa. Porém Chris, seu marido, e Zoe, sua filha, têm plena convicção de que Willow é um foco de problemas e se mantêm alertas. Em um crescente de tensão, capítulo após capítulo a verdade é revelada e o leitor irá descobrir quem tem razão.
Título: A Desconhecida
Autor (a): Mary Kubica
Editora: Planeta
Número de páginas: 352 


Meu primeiro contato com a escrita da Mary Kubica foi com Não Chore, Não, livro que me deixou um pouco dividida em relação a agilidade mas que, ainda assim, gostei e considerei bom porque trouxe uma história interessante. Pois bem, fiquei com vontade de ler outro livro dela e A Desconhecida foi a escolhida. A sinopse me instigou e me joguei na leitura. O que achei dela você confere a seguir.
Heidi é uma mulher pacata, que vive com o marido e a filha pré-adolescente e trabalha em uma ONG que ajuda pessoas em situação de risco. O relacionamento familiar anda bem mais ou menos. Ela e o marido não possuem mais aquela chama da paixão de antes e a filha está em uma idade crítica, sempre reclamando de tudo e todos. É visível que lhe falta algo, algo que traga um brilho novo à sua vida tranquila.
Quando ela avista, em um dia indo para o trabalho, uma garota com uma criança nos braços na estação do metrô, seu coração se compadece. O dia estava frio, a garota não estava bem agasalhada e a criança chorava, o que fazia com que as pessoas ao redor olhassem, mas mesmo assim não fizessem menção de ajudá-las. A cena acaba se repetindo algumas vezes e, em um desses dias, ela resolve se aproximar para oferecer ajuda.
Heidi percebe que a criança está com alguns problemas e decide, portanto, levá-las para sua casa, onde poderá cuidar melhor de ambas. Seu marido é totalmente contra sua atitude, afinal de contas trazer para casa uma estranha é algo totalmente inconcebível, principalmente por não saber nada a respeito da garota em si. A única coisa que eles sabem é que ela se chama Willow e a bebê chama-se Ruby. Mas nada disso parece importar para Heidi. Ela parece estar feliz em tê-las em sua casa, principalmente Ruby, que é a menina de seus olhos.
É evidente que Willow esconde alguns segredos. Será que eles colocarão em risco a sua vida ea daqueles que lhe acolheram?
A primeira vez que li a sinopse desse livro meu pensamento foi apenas um: "Quem em sã consciência iria levar para dentro de sua casa uma pessoa que nunca viu na vida? Essa mulher deve ser louca!". E foi apenas por esse detalhe que quis ler A Desconhecida. Imaginava que fosse passar raiva com a protagonista, que alguns pontos iriam me deixar MUITO estressada, mas leitura boa tem que ser assim, tem que mexer com os nossos sentimentos. E não foi diferente.
A história começa de forma um pouco mais lenta, afinal somos apresentadas a Heidi, sua rotina e o relacionamento familiar. O que percebemos logo de imediato é que existe um grande vazio em sua vida, algo que vai sendo explicado no decorrer da leitura. A relação com a filha, que acabou de entrar naquela fase chata da adolescência, e com o marido não é mais como antes, o que faz com que ela se sinta ainda mais solitária. Ao encontrar Willow e a pequena Ruby, sua vida começa a ganhar um pouco mais de sentido, principalmente por conta da bebê, a quem ela deseja proteger e cuidar.
Willow é uma garota um tanto quanto estranha. No início não sabemos muito a seu respeito, ela é muito reservada, mas é possível perceber que já sofreu muito na vida, perdeu quem amava e sofreu muitos maus tratos. Existe toda uma aura de mistério ao seu redor e, conforme vamos avançando, alguns pontos vão vindo à tona trazendo um pouco de luz aos fatos.
A história é bem intensa e, embora eu só tenha lido dois livros da Mary, já deu pra perceber que isso é característico de suas histórias. O mesmo acontece com a abordagem de dramas familiares, trazendo à tona assuntos que supostamente podem parecer triviais, mas que acabam desencadeando situações surpreendentes. E é o que acontece nessa história.
A trama me prendeu logo de imediato e, apesar de sentir algumas pequenas quebras de ritmo no decorrer da leitura, ela manteve uma linearidade quase  constante. A Desconhecida tem uma trama que é envolvente e personagens que, embora sem tanto carisma, trazem histórias de vida interessantes. Tanto Heidi, como Willow, não me inspiraram nenhum tipo de sentimento. A primeira eu sempre achei boazinha demais, e como tenho cisma com pessoas assim sempre achava que ela não era lá muito confiável. Já Willow começou como a estranha, cheia de mistérios, tinha todos os meus pés atrás com ela justamente por não ter um vislumbre de sua personalidade. Embora eu tenha me surpreendido com sua história, ela não conseguiu me cativar por conta de sua apatia.
A Desconhecida foi uma leitura que me agradou muito mais que Não Chore, Não e que me deixou ainda mais curiosa para ler A Garota Perfeita, que foi o primeiro livro da autora lançado aqui no Brasil e que tem diversos comentários positivos. Como fã de thrillers psicológicos, recomendo muito a leitura dos livros da Mary. Ela tem um estilo único, sua narrativa é um tantinho descritiva demais, mas vale a pena dar uma chance porque ela sempre consegue surpreender. Já entrou para a listinha de autores que lerei todos os livros que lançar.

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