segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Stalker





Deprimida após sofrer um aborto espontâneo, Fig Coxbury passa seu tempo em praças observando as crianças que poderiam ser a sua filha. Até que uma menininha brincando com a mãe desperta uma obsessão. Logo, Fig se vê mudando de casa e de bairro não por necessidade, mas porque a casa vizinha oferece tudo o que ela mais deseja: a filha, o marido e a vida que pertence a outra pessoa.



Título: Stalker
Autor (a): Tarryn Fisher
Editora: Faro 
Número de páginas: 256


Meu primeiro contato com livros da Tarryn Fisher foi com Fuck Love. Já ali eu pude perceber que estava diante de uma autora que não escreve livros muito convencionais e isso foi o suficiente para querer conhecer mais a respeito de seus livros. Quando foi anunciado o lançamento de Stalker fiquei em cólicas de curiosidade, principalmente porque sabia que encontraria uma história diferente das que estou acostumada e que, certamente, iria me tirar do lugar comum. Portanto, me joguei na leitura com tudo e conto pra vocês agora o que achei.
Fig é uma mulher jovem, casada, mas visivelmente atordoada pela perda de sua filha. Ela, que sempre desejou ser mãe, passou a apresentar um comportamento bem estranho, sempre buscando aquela que seria a reencarnação de sua amada filhinha para poder tê-la novamente em seus braços. E é em um desses seus dias que ela a vê. A menininha aparenta ter dois anos, a idade que sua filhinha teria se ainda estivesse viva, e tem todas as características que comprovam que ela é sim a reencarnação da mesma. Disposta a tudo para ter aquela menininha para si, ela passa a vigiar constantemente a casa onde ela mora. Para Fig, a mãe daquela menina não cuida bem dela, não lhe dá a devida atenção e não merece ter aquela filha doce e um marido tão bonito e, aparentemente, tão amável. 
Estão achando a Fig louca? Pois vocês ainda não viram foi nada. Para ficar mais perto da família, ela compra uma casa ao lado da deles e acaba se aproximando de Jolene, a quem ela denomina de mãe desnaturada, e as duas ficam amigas. O comportamento de Fig é visivelmente estranho, mas Jolene e seu marido não parecem perceber. Ela está sempre pronta para criticar os gostos ou compras de Jolene, mas não perde a oportunidade de comprar as mesmas coisas ou fazer os mesmos procedimentos da mulher num esforço enorme para se tornar como ela.
Como está correndo com os prazos de seu novo livro, Jolene acaba vendo em Fig uma espécie de ajuda bem vinda. Ela está sempre próxima, a auxiliando e mostrando-se uma boa amiga. Mas será que ela e seu marido vão continuar a não perceber o comportamento estranho da mulher que, a cada dia, se torna mais invasiva? Isso, meus caros amigos, só lendo para descobrir.
Já faz alguns dias que terminei a leitura de Stalker e, até hoje, não consegui formar uma opinião concreta a seu respeito. Portanto, não se irritem, se eu parecer meio perdida enquanto escrevo, a culpa é totalmente da Tarryn e suas histórias que me desnorteiam de formas inimagináveis.
O livro é dividido em três partes e, em cada uma deles, vamos conhecendo um pedacinho da história pela ótica de um personagem diferente. Fig é uma excelente protagonista, seu jeito estranho e a fixação doentia que apresenta pela família é o ponto alto de tudo e eu vi nela alguém que conheci há anos e que, Graças a Deus, está afastada da minha vida (e que eu espero que continue assim eternamente). Tudo começa com uma piração de que ela precisa ficar próxima da criança porque ela é sua filha que morreu. Nesse discurso a gente já percebe que a mulher não bate muito bem da bola. Porém, com o tempo, essa fixação vira completamente para Jolene. Fica visível que Fig não quer apenas a criança e sim a casa, o marido, a aparência, a vida da outra mulher. E ela está disposta a tudo, criando mentiras, alimentando-as e acreditando nelas, como se fossem sua tábua de salvação.
O fato é que Fig tem uma vida horrível, casada com um homem a quem não ama e não a faz feliz. Ela deseja algo que não tem e a vida de Jolene, que ela acredita piamente ser perfeita, parece a ideal para ela. Parece quase impossível acreditar que isso pode acontecer com alguém, mas acreditem: essa é uma história baseada em fatos reais e que aconteceu com a própria escritora.
Não vou mentir a vocês: na minha opinião, Fig é a personagem mais marcante da história. Muito embora ela seja detestável e é impossível sentir algum tipo de compaixão por suas atitudes, é essa criatura que faz a história acontecer e a deixa interessante. Darius, o marido de Jolene, foi o personagem que menos gostei. Logo de imediato já não fui com a cara do cidadão, nunca gostei desses homens perfeitinhos demais e ele demonstrava ser um deles. Com o decorrer das páginas, tendo acesso a seu ponto de vista e percebendo que ele não era tudo que eu imaginava, passei a gostar menos ainda. Meu desprezo por ele foi tanto que, para escrever essa resenha, precisei dar uma pescada no livro para lembrar seu nome.
Já em relação a Jolene, ainda não sei o que pensar a seu respeito. Esperava uma mulher mais forte, mais cheia de fibra e achei-a, inicialmente, muito apagada. Era algo como "a senhorita perfeita, junto com seu maridinho perfeito, sua filha perfeita, em sua casa perfeita, vivendo a vidinha perfeita de comercial de margarina" e isso me irritou. Mas aí, ao chegar em sua narrativa, fui vendo que não era bem assim e que, por trás daquela máscara de perfeição e fraqueza, existia uma mulher forte sim, só não tanto quanto eu imaginava e desejava.
Esse foi um livro de leitura rápida, a escrita da Tarryn flui super bem e a história me manteve curiosa desde o início. Embora eu tenha gostado do que encontrei, ela acabou não sendo tudo que eu esperava, mas mesmo assim foi uma boa leitura. Não é uma história convencional e sei que o final não vai agradar a todos (os finais dos livros da Tarryn quase nunca agradam), mas vale a pena dar uma chance a ela. Venham me contar depois o que acharam. :)

3 comentários:

  1. Olá!! :)

    Eu confesso que nunca tinha ouvido falar deste livro, mas a verdade e que fiquei com vontade de ler.

    Enfim, que otimo que tenhas gostado! E pena que Jolene se tenha revelado mais fraca e sem fibra do que o esperado.

    Boas leituras!! ;)
    no-conforto-dos-livros.webnode.com

    ResponderExcluir
  2. Oi Neyla, uma amiga me falou sobre este livro e confesso que quando ela contou a história, comentei com ela que esta Jolene deveria ser uma tonta. Mas não tem como negar que independente disso o enredo me chama atenção.
    Bjs, Rose

    ResponderExcluir
  3. Olá!
    Já tinha visto essa capa na internet, mas não sabia muito sobre a história. Confesso que acho a capa bastante profunda.
    Gosto de ler livros que ou você ama ou odeia. Gostei da sua dica.
    Adorei a resenha, beijos!

    ResponderExcluir