quarta-feira, 27 de março de 2019

Como Eu Sobrevivi aos Anos 90


Consultei Walter Mercado que consultou a Mãe Dináh que consultou o Cadê? que consultou o Google e posso garantir que neste livro você encontrará: Artefatos eletrônicos de fazer inveja aos macacos de 2001 – Uma odisseia no espaço; músicas infantis apropriadas para adultos; programas para adultos apropriados para crianças; fliperamas rodeados de figuras aterrorizantes fumando; raves e festinhas infantis tocando axé; uma senhorita mascarada depilando jovens em horário nobre; apresentadora infantil tirando a roupa no palco; rainha para baixinhos, altinhos e idosos espertinhos; pagode, axé, rock, pop e poperô; histórias sobre botecos obscuros frequentados por menininhos; homens e mulheres sapiens seminus caçando sabonetes numa banheira enquanto rola um sushi erótico às 3h da tarde no outro canal; filmes inesquecíveis e roupas esquecíveis; remédio de comer e comida com gosto de remédio.A época em que o absurdo fazia parte do normal e o normal era objeto não identificado por ninguém. Acomode-se, pegue seu cigarrinho de chocolate e seja bem-vindo de volta à mais efervescente das décadas: os anos 90.
Título: Como Eu Sobrevivi aos Anos 90
Autor (a): Danilo Nogy
Editora: Planeta
Número de páginas: 240


Se tem um hábito que eu adquiri há alguns anos foi o de ficar de bobeira no Youtube assistindo alguns vídeos. Claro que, nesse tempo, já me deparei com muitos vídeos que não me agradaram, mas também encontrei outros que me cativaram de imediato. O Canal 90 foi um desses. Não sei como cheguei até ele, mas lembro bem que o título do vídeo (Momentos Vergonha Alheia) me chamou atenção e foi amor a primeira assistida. Com um conteúdo super divertido e um jeito muito fofo, o Nogy ganhou minha simpatia e mais uma inscrita. Resultado: virei fã. E agora, cá estou eu pra falar do livro escrito por ele, que me fez voltar no tempo e recordar os bons tempos dos anos 90.
Como Eu Sobrevivi aos Anos 90 é um daqueles livros feitos sob medida para quem viveu nessa época, principalmente se passou a infância ou adolescência. A sensação de nostalgia que e bateu enquanto fazia a leitura foi enorme e a cada novo capítulo as gargalhadas eram certas, assim como as recordações sempre tão gostosas.
Nogy reúne nesse livro um pouco de tudo: as músicas do momento, os grandes sucessos que iam da Boquinha da Garrafa aos pagodes românticos, os brinquedos, os doces (ah que saudade dos pirulitos que vinham com um saquinho de ki-suco), os programas da TV aberta, as saudosas videolocadoras...é um misto de coisas que, infelizmente (ou felizmente para alguns) não vemos mais.
Um dos meus capítulos preferidos é, sem dúvidas, o oitavo, onde ele fala sobre os programas de TV da época. É incrível como, nos anos 90, coisas bizarras aconteciam e muitos viam com uma normalidade enorme. Quem não se lembra do Domingo Legal e a clássica banheira do Gugu, onde os convidados, em suas roupas de banho, entravam na banheira para pegar sabonetes enquanto alguém do time adversário tentava impedir. As cenas eram totalmente impróprias para aquele horário (do almoço) onde as crianças estavam na sala, e os ângulos das filmagens eu prefiro nem comentar. E vocês se lembram da Tiazinha e da Feiticeira? Outro clássico dos anos 90 e que fez o maior sucesso entre a garotada, mesmo sendo totalmente apelativo.
Eu nasci nos anos 80 e passei uma parte da infância e toda minha adolescência nos anos 90, portanto tudo que o livro retrata eu vivi, acho que por isso senti um apreço enorme por ele. Foi impossível não me identificar com várias das situações narradas e não sentir aquela saudade fininha batendo no peito. Foi uma verdadeira viagem ao túnel do tempo.
Relembrar clássicos como Malhação, os desenhos antigos (eu amava os Jetsons, Cavalo de Fogo e Doug), a TV Cruj (um dos meus vícios), os programas da TVE... tudo isso me deixou muito nostálgica. Bateu uma vontade de pegar um filme na locadora, de ligar o som e esperar aquela música tanto amada tocar já com o dedo no botão pra gravar no fita K7 (rezando para o locutor não soltar a vinheta da rádio no meio da música e estragar com tudo), de jogar um jogo do Mário e ter que soprar a fita quando ela não quiser pegar...Só quem viveu pode entender do que estou falando. Ah, bons tempos que não voltam mais!
Gostei muito do que encontrei aqui e li alguns capítulos para meus primos, que são mais ou menos da minha idade, e que adoraram reviver um pouco das nossas brincadeiras de infância e de tudo aquilo que vivemos. Nenhum deles conhecia o Nogy ou o canal, e alguns gostaram tanto que já estão acompanhando. E, nesse ponto, gostaria de comentar algo que achei bem interessante: em nenhum momento ele fala sobre o canal, seja para comentar de algo que ele já tenha falado pra lá ou para divulgar. Achei muito legal!
Ler Como Eu Sobrevivi aos Anos 90 foi muito divertido e passei momentos muito bons junto com ele. Apesar de ser um livro de leitura ágil, demorei um pouco com ele porque fui lendo um capítulo por dia pra aproveitar melhor. Foi uma leitura divertida e muito gostosa! Recomendo demais!

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