segunda-feira, 8 de abril de 2019

O Segredo de Ahk-Manethon


Este livro é uma edição comemorativa do centenário do criador de A Turma do Posto Quatro e Os Seis com texto originalmente publicado em capítulos na revista Mirim em 1941.
Célio encontra a mãe chorando na cozinha e logo descobre a razão: o navio Chesterton, em que sua irmã Iracema viajava, havia naufragado nos Mares do Sul. Rapidamente, o rapaz convoca os amigos Roberto, Condor, Horácio, Tião e Afonso e organiza a Cruzada da Salvação.
A operação-resgate que se segue leva a turma de crianças cariocas a uma divertidíssima aventura onde não faltam monstros marinhos, múmias, índios enfurecidos, vulcões, tesouros, lendas egípcias e, claro, o Segredo de Ahk-Manethon.
Título: O Segredo de Ahk-Manethon
Autor (a): Hélio do Soveral
Editora: Avec
Número de páginas: 272


Você já quis ler um livro apenas pela capa? Eu já e O Segredo de Ahk-Manethon é a prova viva disso. Quando ele chegou aqui em casa, fruto da parceria de Ace com a Avec Editora, fiquei intrigada. Já de cara me apaixonei pela capa, que é simples, mas bem bonita, e quis ler. Mas vocês sabem como é vida de blogueiro, são sempre muitos livros para ler, alguns mais urgentes...e o bonitinho acabou ficando na estante, tomando aquele já velho conhecido chá de poeira. O tempo passou, mas a vontade sempre ali, até que me rendi. Passei na frente de todos os outros e fui me aventurar em suas páginas. O que eu achei, você confere abaixo.
Célio é o tipo de garoto que nunca diz não a uma aventura. Junto com sua turma, formada por garotos de personalidades bem diferentes, ele está sempre disposto a fazer algo novo. Mas nunca imaginou que um dia iria viver algo típico de aventuras de livros.
Quando descobre que o navio em que sua irmã, Iracema, naufragou, ele logo fica em alerta. A família está tomada pela dor, não há notícias a respeito de sobreviventes e tudo que eles podem fazer é rezar para que ela seja encontrada com vida. Porém, Célio acredita que pode encontrar a irmã e decide partir em direção aos Mares do Sul em busca de Iracema. E para isso, contará com a ajuda de seus amigos. Juntos, eles passarão por aventuras incríveis, que vai mudar completamente a vida de cada um deles.
Antes de começa a falar a respeito do livro, precisamos conversar sobre algo muito sério e que foi tratado com muito respeito pela editora. Logo no início do livro existe uma carta ao leitor, explicando que, por ser um livro escrito em uma outra época, iremos encontrar algumas situações e atitudes que hoje em dia não são mais toleradas. Achei de uma delicadeza enorme e já de cara a editora ganhou muitos pontos comigo. É necessário ter em mente que o livro foi escrito em 1941 e o que encontramos aqui são coisas que, atualmente, nos choca demais. Busquei analisar a história como um todo, não levando em consideração algumas passagens preconceituosas vividas por um dos personagens, que é um menino negro, mas falhei terrivelmente e já conto a vocês porque.
A história é totalmente juvenil e eu me senti assistindo um daqueles filmes adolescentes antigos, onde um grupo de amigos sai em busca de uma grande aventura. De imediato eu achei que eles iriam se meter em uma grande furada. Como que alguns garotos conseguiriam chegar até ao local onde aconteceu o naufrágio e encontrar algum sobrevivente? Era óbvio que a viagem não seria tão fácil como eles imaginavam e que encontrariam percalços pelo caminho. Eu só não imaginava que seriam tantos.
Em relação aos personagem, preciso ser bem sincera: não gostei de Célio, o protagonista, e nem de sua irmã. Ambos tem atitudes que eu repudio e mesmo sabendo que, naquela época as coisas infelizmente eram daquele jeito, eu não consegui sentir qualquer tipo de simpatia por nenhum deles. Ele é um menino autoritário, que se acha o maior e que, mesmo errando, não consegue assumir a culpa do que fez, colocando-a sempre no elo mais fraco. Ela também tem um reizinho na barriga e, mesmo tendo demonstrado um pouco mais de humildade que o irmão, não conseguiu me fazer vê-la com outros olhos. Quando eu falei mais acima a respeito de não ter conseguido levar em consideração o que acontecia com Tião, me referia justamente ao que esses dois personagens principais faziam. Eu entendo que, infelizmente, naquela época o preconceito era fortíssimo e tratado com muita normalidade, mas me doeu ler algumas coisas.
Apesar de ter tido essa trava com os personagens e suas atitudes, eu gostei da trama. O Segredo de Ahk-Manethon é uma história bem interessante, cheia de aventuras, com passagens divertidas e muito ágil. Li em pouquíssimo tempo e gostei muito de acompanhar os garotos e seus amigos em seu plano de resgate. A edição está muito bonita e as ilustrações são muito legais e deixaram o livro bem mais atrativo. Ri muito em alguns capítulos, fiquei emocionada em algumas passagens e acho que ele cumpriu bem o seu papel ao ter me entretido do início ao fim.

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